domingo, 4 de setembro de 2011

AFRICANOS QUEREM OTAN FORA DA LIBIA



A Líbia, a África e a Nova Ordem Mundial
– Carta aberta aos povos da África e do mundo
"Carta assinada por mais de 200 africanos eminentes, incluindo Jesse Duarte, membro executivo nacional do African National Congress (ANC), o analista político Willie Esterhuyse da Universidade de Stellenbosch, o antigo ministro da inteligência Ronnie Kasrils, o jurista Christine Qunta, o antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Aziz Pahad, o antigo ministro na presidência Essop Pahad, Sam Moyo do African Institute for Agrarian Studies, o porta-voz do ex-presidente Thabo Mbeki, Mukoni Ratshitanga e o poeta Wally Serote". – Concerned Africans Criticise Nato , 24/Agosto/2011
Nós, os signatários, somos cidadãos comuns da África que estão imensamente aflitos e irados por companheiros africanos estarem e terem sido sujeitos à fúria da guerra por potências estrangeiras, as quais repudiaram claramente a nobre e muito relevante visão corporificada na Carta das Nações Unidas.

Nossa acção ao emitir esta carta é inspirada pelo nosso desejo, não de tomar partido mas sim de proteger a soberania da Líbia e o direito do povo líbio de escolher seus líderes e determinar o seu próprio destino.

A Líbia é um país africano.

Em 10 de Março, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana adoptou uma importante Resolução (3) a qual explanava o roteiro para tratar o conflito líbio, consistente com as obrigações da União Africana (UA) sob o Capítulo VIII da Carta da ONU.

Quando o Conselho de Segurança da ONU adoptou a sua Resolução 1973 , estava consciente da decisão da UA a qual fora anunciada sete dias antes.

Ao decidir ignorar este facto, o Conselho de Segurança mais uma vez e conscientemente contribuiu para a subversão do direito internacional bem como para a impugnação da legitimidade da ONU aos olhos do povo africano.

De outras formas desde então, ele ajudou a promover e fortalecer o processo imensamente pernicioso da marginalização internacional da África mesmo em relação à resolução dos problemas do continente.

Contrariando as disposições da Carta da ONU, o Conselho de Segurança da ONU declarou a sua própria guerra à Líbia em 17 de Março de 2011.

O Conselho de Segurança permitiu-se ser informado [apenas] por aquilo que o International Crisis Group (ICG) no Relatório de 6 de Junho de 2011 sobre a Líbia caracteriza como o "mais sensacional relato de que o regime estava a usar a sua força aérea para massacrar manifestantes".

Sobre esta base ele adoptou a Resolução 1973 a qual mandatava a imposição de uma "zona de interdição de voo" sobre a Líbia e resolveu "tomar todas as medidas necessárias ... para proteger civis e áreas populadas por civis sob ameaça de ataque na Jamahiriya Árabe Líbia".

Portanto, em primeiro lugar, o Conselho de Segurança utilizou a questão ainda não resolvida no direito internacional do "direito a proteger", o chamado R2P, para justificar a intervenção militar na Líbia sob o Capítulo VII.

Neste contexto o Conselho de Segurança da ONU cometeu uma lista interminável de ofensas as quais enfatizaram a ulterior transformação do Conselho num instrumento aquiescente dos mais poderosos dos seus Estados Membros.

Portanto o Conselho de Segurança não produziu evidência para provar que a sua autorização da utilização da força sob o Capítulo VII da Carta da ONU era resposta proporcionada e adequada para o que na realidade se havia desenvolvido na Líbia: uma guerra civil.

Ele então procedeu à terciarização (outsource) ou sub-contratação da implementação das suas resolução à NATO, mandatando esta aliança militar para actuar como uma "coligação das vontades".

Ele não estabeleceu qualquer mecanismo e processo para supervisionar o "sub-contratado", para assegurar que ele honrasse fielmente as disposições das suas Resoluções.

Ele não fez qualquer esforço de outras formas para monitorar e analisar as acções da NATO a este respeito.

Ele permitiu o estabelecimento de um legalmente não autorizado "Grupo de Contacto", mais uma "coligação das vontades", o qual deslocou-o como a autoridade que tinha a responsabilidade efectiva de ajudar a determinar o futuro da Líbia.

Para confirmar esta realidade inaceitável, a reunião de 15 de Julho de 2011 do "Grupo de Contacto", em Istambul , "reafirmou que o Grupo de Contacto permanece a plataforma adequada para a comunidade internacional a fim de ser um ponto focal de contacto com o povo líbio, coordenar a política internacional e ser um fórum para discussão de apoio humanitário e pós conflito".

Devidamente autorizado pelo Conselho de Segurança, as duas "coligações de vontade", a NATO e o "Grupo de Contacto", efectivamente e praticamente reescreveram a Resolução 1973.

Dessa forma eles concederam-se poderes a si próprios para abertamente prosseguir o objectivo da "mudança de regime" e portanto para a utilização da força e de todos os outros meios para derrubar o governo da Líbia, objectivos completamente em desacordo com as decisões do Conselho de Segurança da ONU.

Por causa disto, em desrespeito das Resoluções 1970 e 1973 do Conselho de Segurança da ONU, eles atreveram-se a declarar o governo da Líbia ilegítimo e a proclamar o "Conselho Nacional de Transição" baseado em Bengazi como "a autoridade governante legítima na Líbia".

O Conselho de Segurança deixou de responder à pergunta de como as decisões tomadas pela NATO e pelo "Grupo de Contacto" tratam a questão vital de "facilitar o diálogo para levar à reformas políticas necessárias para encontrar uma solução pacífica e sustentável".

As acções dos seus "sub-empreiteiros", a NATO e o "Grupo de Contacto", posicionaram as Nações Unidas como um partido beligerante no conflito líbio, ao invés de ser um pacificador comprometido mas neutro posicionando-se de modo equidistante das facções armadas líbias.

O Conselho de Segurança mais uma vez decidiu deliberadamente repudiar as regras do direito internacional ao conscientemente ignorar as disposições do Capítulo VIII da Carta da ONU relativas ao papel das instituições regionais legítimas.

A guerra de George W. Bush contra o Iraque começou em 20 de Março de 2003.

No dia seguinte, 21 de Março, o jornal britânico The Guardian publicou um artigo abreviado, do eminente neo-conservador estado-unidense Richard Perle, intitulado " Graças a Deus pela morte da ONU ".

Mas a arquitectura global pós Segunda Guerra Mundial para a manutenção da paz e da segurança internacional centrava-se no respeito pela Carta da ONU.

O Conselho de Segurança da ONU deve portanto saber que, pelo menos em relação à Líbia, actuou de uma maneira que resultará, e efectivamente levou, à perda da sua autoridade moral para presidir sobre os processos críticos de alcançar a paz global e a realização do objectivo da coexistência pacífica entre diversos povos do mundo.

Ao contrário das disposições da Carta da ONU, o Conselho de Segurança da ONU autorizou e permitiu a destruição e a anarquia na qual desceu o povo líbio.

No fim de tudo isto:
  • muitos líbios morreram e foram mutilados
  • muita infraestrutura terá sido destruído, empobrecendo mais o povo líbio
  • a amargura e a animosidade mútua entre o povo líbio terá sido mais fortalecida
  • a possibilidade de chegar a um acordo negociado, inclusivo e estável ter-se-á tornado muito mais difícil
  • a instabilidade terá sido reforçada entre os países vizinhos da Líbia, especialmente os países do Sahel africano, tais como o Sudão, Chade, Níger, Mali e Mauritânia
  • a África herdará um desafio muito mais difícil para tratar com êxito da questão da paz e da estabilidade e, portanto, da tarefa do desenvolvimento sustentado
  • aqueles que intervieram para perpetuar a violência e a guerra na Líbia terão a possibilidade de estabelecer os parâmetros dentro dos quais os líbios terão a possibilidade de determinar o seu destino e, mais uma vez portanto, constrangerão o espaço para os africanos exercerem o seu direito à auto-determinação.
Como africanos baseámos o nosso futuro como actores relevantes num sistema equitativo de relações internacionais na expectativa de que as Nações Unidas na verdade serviriam como "fundamento da nova ordem mundial".

O Relatório ICG a que nos referimos diz:

"A perspectiva para a Líbia, mas também para a África do Norte como um todo, é cada vez mais agourenta, a menos que algum caminho possa ser encontrado para induzir os dois lados no conflito armado a negociarem um compromisso permitindo uma transição ordeira para um estado pós Kadafi, pós Jamahiriya que tenha legitimidade aos olhos do povo líbio. Uma ruptura política é de longo o melhor caminho de saída da custosa situação criada pelo impasse militar..."

Quando Richard Perle escreveu em 2003 acerca do "fracasso abjecto das Nações Unidas", ele estava a lamentar a recusa da ONU em submeter-se ao ditado da única super-potência mundial, os EUA.

A ONU tomou esta posição porque era consciente e era inspirada pela sua obrigação de actuar como uma verdadeira representante de todos os povos do mundo, consistente com as palavras de abertura da Carta da ONU – "Nós os povos nas Nações Unidas..."

Contudo, tragicamente, oito anos depois, em 2011, o Conselho de Segurança da ONU abandonou seu compromisso com esta perspectiva.

Punido pela humilhante experiência de 2003, quando os EUA demonstraram que poder é direito, ele decidiu que era mais conveniente submeter-se às exigências do poderosos ao invés de honrar sua obrigação de respeitar o imperativo de defender a vontade dos povos, incluindo as nações africanas.

Dessa forma ele comunicou a mensagem de que se tornou não mais do que um instrumento nas mãos e ao serviço dos mais poderosos dentro do sistema de relações internacionais e portanto do processo vital do ordenamento pacífico dos assuntos humanos.

Como africanos não temos opção excepto defender e reafirmar nosso direito e dever de determinar nosso destino na Líbia e por toda a parte no nosso continente.

Pedimos que todos os governos, por toda a parte do mundo, incluindo a África, os quais esperam respeito genuíno pelos governados, tais como nós, actuem imediatamente para afirmar "o direito pelo qual todas as nações podem viver em dignidade".

Pedimos que:
  • a guerra de agressão da NATO na Líbia cesse imediatamente
  • a UE seja apoiada para implementar seu Plano para ajudar o povo líbio a alcançar paz, democracia, prosperidade partilhada e reconciliação nacional numa Líbia unida
  • o Conselho de Segurança da ONU deve actuar imediatamente para desempenhar suas responsabilidades tal como definidas na Carta da ONU.
Aqueles que hoje trouxeram uma chuva mortal de bombas à Líbia não deveriam iludir-se a si próprios acreditando que o silêncio aparente dos milhões de africanos significa a aprovação da África à campanha de morte, destruição e dominação que tal chuva representa.

Estamos confiantes em que amanhã emergiremos vitoriosos, apesar da busca de poder mortal dos mais poderosos exércitos do mundo.

A resposta que devemos dar na prática, e como africanos, é – quando e de que modos actuaremos resolutamente e significativamente para defender o direito dos africanos da Líbia a decidirem seu futuro e portanto o direito e o dever de todos os africanos a determinarem o seu destino.

O Roteiro da União Africana permanece o único caminho de paz para o povo da Líbia.

Esta carta aberta foi publicada primeiramente pelo Pambazuka News em 09/Agosto/2011. Cf. Peace and Security Council of the African Union, " AU Calls for Inclusive Transitional Government in Libya " (MRZine, 26 August 2011).

O QUE QUEREM DA LÍBIA? O PETRÓLEO!

Las guerras del petróleo, el caso de Libia



Las guerras del petróleo.
Hoy en día existe un tipo de guerras que predominan y que están obsesionadas por la economía del petróleo. Y ello se debe a la enorme importancia que han adquirido los recursos energéticos en el productivismo-consumismo moderno, que tiene como meta final el quimérico crecimiento ilimitado. Estas guerras emplean armas de destrucción masiva utilizadas por las ejércitos globales, como lo son: La Otan, los marines, los ejércitos mercenarios de las potencias medianas (Inglaterra, Francia, Alemania, España, etc.) que está al servicio directo de la oligarquía del poder económico mundial (las grandes corporaciones globales), y que son elegantemente denominados ejércitos profesionales, (¡vaya profesión!, la de sicario de las multinacionales). Además, son ejércitos que usan, masivamente, sus armas de destrucción masiva y de forma totalmente impune, pues ellos son los ejércitos globales oficializados y legalizados por la “democracia global” del FMI; BC, OMC, Reserva Federal de EEUU, etc.; y por el antidemocrático Consejo de Seguridad (formado, precisamente, por los países más traficantes en armamento) de la ONU, quienes tienen derecho a veto de cualquier resolución sobre una guerra.  
El caso de Libia.
Un ejemplo reciente y descarado de esto es la guerra de Libia, que nos la vende el poder mediático como formada sólo por una rebelión árabe. La cual, si que en parte existe, pero que es usada y manipulada por el poder de la oligarquía global. Rebelión en la que, al fin, han ganado los “rebeldes”, nos dicen los medios. Aunque han ganado después de unos cuantos meses de destrucción de armamento y bienes a reponer por la industria occidental. Ya anunció la OTAN que iba a ser una guerra larga (les interesaba que lo fura). Pero al final, como consecuencia de esa victoria, son los países europeos, los neo colonizadores más directamente implicados en la explotación petrolífera libia, los que ya preparan a sus compañías para organizar, desde las metrópolis europeas, la extracción y comercialización del petróleo libio. ¿Qué Gadafi era un dictador? puede que lo fuera, pero desde luego no tanto como lo es esta dictadura global de la oligarquía de los mercados. Además, pese a todo, la Libia de Gadafi se encontraba, según las estadísticas de las Naciones Unidas del pasado año 2010, con el mayor índice de desarrollo humano (IDH) (1) desarrollo humano de África (y el nº 55 de entre los 172 de la ONU) cuyo valor era de IDH=755; y muy por delante del segundo país africano en cuanto desarrollo humano: Egipto, cuyo índice ya desciende al IDH=620.
Y ya se veía venir, los medios de comunicación y los gobiernos occidentales nos empezaron, al principio de la guerra libia, a hablar de protección del espacio aéreo, luego de bombardeos humanitarios de las ciudades libias “para salvar vidas” y al fin de que ya se están reduciendo a los últimos mercenarios (2)  de Gadafi. Y al final el “justísimo” (vendido al mayor postor) Triubunal Penal Internacional sentenciará a Gadafi a la horca.
Otros “defectos” “criticables” de Libia:
- Libia se compone de más de 150tribus. Lo que supone una democracia pluralista respetuosa con la diversidad cultural, que nada tiene que ver con la férrea y absolutista dictadura global del Pensamiento Único.
- Sólo un 5% de la población está clasificada como pobre.
- Hasta hoy en Libia estaba prohibida la usura.
- Tiene un alto índice de alfabetización (del 87%)
- Se sitúa en el nº 61 en el índice de encarcelamiento de los países del mundo. Mientras que EEUU (el máximo acusador de derechos humanos) posee el nº 1 mundial en cuanto a población reclusa, aparte de ejercer penas de muerte a la carta.
- El golpe de estado que dio Gadafi en 1969, fue para nacionalizar el petróleo y dejar que se lo apoderaran países extranjeros, como va a suceder ahora con la nueva Libia“democrática”. Este golpe contó con el apoyo masivo de la población.
Y aún se podrían citar más “defectos” de la Libia de Gadafi que no hacemos por no cansar demasiado.
(1)El IDH es una medida comparativa de la esperanza de vida, la alfabetización, la educación y el nivel de vida de los países en todo el mundo.
(2) Los mentirosos poderes mediáticos globales suelen llamar a los verdaderos rebeldes ejércitos mercenarios o simplemente terroristas.

sábado, 3 de setembro de 2011

AFEGANISTÃO, IRAQUE, LIBIA: QUEM SERÁ A PRÓXIMA VITIMA?

La experiencia de Libia y la necesaria unidad de Latinoamérica y el Caribe


Los que pelean por la ambición por hacer esclavos a otros pueblos, por tener más mando,   por quitarles a otros pueblos sus tierras, no son héroes, sino criminales.
José Martí.
 
Lo ocurrido en Libia, donde el derecho internacional más elemental ha sido vergonzosamente despedazado, es una muestra ostensible de que estamos viviendo bajo una tiranía mundial capitalista. La crisis económica, energética y ecológica por la que atraviesa el mundo, llevará a que esa tiranía actúe cada día con más desenfreno y desfachatez. Jamás, por nada en el mundo, aunque los recursos no renovables se agoten velozmente, las potencias capitalistas, especialmente Estados Unidos, renunciarán al modelo de sociedad altamente consumista. Para esto, si tienen que asesinar a millones de personas en el mundo, lo harán con toda seguridad. Pretextos buscarán miles, pero cuando no las haya de todas formas impondrán la razón de la fuerza.
Lo acaecido en Libia crea un precedente nefasto para la historia de la humanidad y, a la vez, constituye un llamado de alerta importante para los países latinoamericanos y caribeños. Es indudable que los sectores más reaccionarios del imperialismo desearían hacer lo mismo o algo parecido a lo ocurrido en Libia, con países como Cuba, Venezuela, Bolivia, Ecuador, Nicaragua y otros que se atreven a defender la soberanía nacional de la rapacidad imperial. La agencia Notimex, reportaba el pasado 22 de agosto que la congresista republicana Ileana Ros Lehtinen señaló que las naciones democráticas que expresan su solidaridad con los que luchan contra los dictadores en el Medio Oriente y África del norte, también tienen que apoyar a la oposición democrática dentro de Cuba. Es evidente que la Loba Feroz estaría muy contenta con una invasión de la OTAN a la Isla y que presionaría a favor de ello. Recordemos también que el estrecho aliado de la mafia anticubana, cómplice de George W. Bush y Tony Blair en la invasión a Iraq, José María Aznar, dijo solo hace unos meses: “no vale jugar a una cosa en Libia y a la contraria en Cuba” porque el “valor de la libertad es universal” y, por lo tanto, no se puede ejercer “a beneficio de inventario” o por “conveniencia”. Recientemente el periodista e historiador alemán, Ingo Niebel, advirtió en un trabajo periodístico que en caso de que se produjera una victoria militar sobre Gadaffi, “el imperialismo del norte: EE.UU, Gran Bretaña, Francia y Alemania, se podría sentir animado a exportar este modelo de “cambio de régimen” a otros países. Y no estaba equivocado, pues el pasado miércoles 24 de agosto, en una entrevista a Foreing Policy, Ben Rhodes, uno de los consejeros para asuntos internacionales de Obama, declaró que la administración estadounidense considera que “el desarrollo de la polémica operación en Libia demuestra lo acertada que es su nueva estrategia para el cambio de régimen en otros países”.
Está claro que bien distinta sería la historia en caso de una agresión militar del imperialismo contra Cuba o Venezuela. Estoy convencido de que ambos pueblos lucharían armados hasta la muerte contra el invasor hasta hacerle morder el polvo de la derrota o de lo contrario, entregarles un suelo bañado en sangre heroica. Pero una coalición político-militar de América Latina y el Caribe, tendría un fuerte carácter disuasivo. Hay que apoyar por todos los medios los llamados premonitorios del presidente venezolano Hugo Chávez, de blindar la región de posibles intervenciones como la de OTAN en Libia.
Se acerca la creación de la CELAC, un paso verdaderamente trascendental, pero no definitivo para la liberación de nuestro continente. Frente a la conocida Doctrina Monroe (América para los estadounidenses) de 1823, que tanto despojo, sufrimiento y muerte dejó en América Latina y el Caribe, los países de la región deberían declarar la “doctrina bolivariana del siglo XXI”: cualquier intento de potencia extranjera de agredir militarmente a alguno de nuestros pueblos será considerado una declaración de guerra contra el resto. Claro que esto no va a ser fácil, pues desgraciadamente aún tenemos en la región gobiernos que le hacen el juego al Norte, pero no hay otra alternativa que luchar denodadamente por una unidad inquebrantable que garantice la independencia de Nuestra América ante los vientos de conquista que con tanta fuerza soplan hoy en el mundo. Si algunos gobiernos poco visionarios o supeditados a Washington se oponen, los más preclaros y revolucionarios deben comenzar de inmediato a desbrozar el camino hacia una también estrecha alianza militar. Llevamos doscientos años desunidos frente al imperialismo, que ha sabido sacar pingues ganancias de nuestra división. En el marco de las conmemoraciones del bicentenario de la primera independencia de América Latina y el Caribe, no hay mejor homenaje a Túpac Amaro, Toussaint Louverture, Hidalgo, Artigas, Bolívar, Sucre, Morazán, O’Higgins, Martí y muchos otros de nuestros próceres, que la lucha por nuestra segunda y definitiva independencia y ella solo será posible si los gobiernos y pueblos de Nuestra América logran una sólida integración.

VIDA LONGA CAMARADA GIAP!

Nos 100 anos de Vo Nguyen Giap*

Publicado Nicaragua Socialista
02.Set.11 :: Outros autores
General Vo N'Guyen Giap“os imperialistas são péssimos alunos, demos-lhes lições durante vários anos na nossa escola, não aprenderam nada e foram repetentes durante tantos anos que tivemos que correr definitivamente com eles”
General Vo N’Guyen Giap
Argel, 1975



O mítico general Vo Nguyen Giap cumpriu cem anos de idade. Quase tão venerado como Ho Chi Minh, estratega das grandes batalhas contra o colonialismo francês e a agressão estado-unidense, Giap é considerado um génio da logística e um político mobilizador de massas.
Este lendário general vietnamita nasceu na aldeia de Una Xa, província de Quang Binh, a 25 de Agosto de 1911. Filho de um camponês que, embora sem terra, sabia ler e escrever e lutou durante toda a sua vida contra o regime colonialista imposto ao seu país.
Ainda muito jovem, em 1926, começou a luta pela libertação do Vietname no instituto em que estudava. Aderiu ao Menh Dang do Tan Viet e, dois anos mais tarde, ao Quoc hoc, organizações clandestinas que faziam agitação contra a ocupação estrangeira.
Em 1930 foi detido e condenado a três anos de prisão, mas foi libertado alguns meses mais tarde.
Em 1933 entrou para a universidade de Hanói, de onde foi expulso dois anos mais tarde por realizar agitação revolucionária.
Na universidade conheceu Dang Xuan Khu, que mais tarde adoptaria o pseudónimo de Truong Chinh, o principal ideólogo do comunismo vietnamita. Foi ele quem recrutou Giap para o Partido Comunista da Indochina.
Em 1937 conseguiu concluir os seus estudos de Direito na universidade e começou a dar aulas de história num instituto em Hanói, embora o que fizesse na realidade fosse organizar os professores e os estudantes para a luta revolucionária.
Em 1939 publica, juntamente com Truong Chinh, o seu primeiro livro, intitulado “A questão camponesa”, no qual analisam o papel que os assalariados rurais devem desempenhar no processo revolucionário, enquanto aliados do proletariado vietnamita.
No ano anterior casara-se com uma tailandesa, Dang Thi Quang, militante comunista igualmente, e quando no ano seguinte o Partido Comunista da Indochina é ilegalizado Giap foge para a China, onde conheceu Ho Chi Minh e onde estudou as teses de Mao Zedong sobre a guerra popular prolongada e a guerra de guerrilha, que viria a aplicar magistralmente no seu próprio país.
Mas a polícia francesa prendera a sua mulher e a sua cunhada para as utilizar como reféns para pressionar Giap e para o levar a entregar-se. A repressão foi feroz: a sua cunhada foi guilhotinada e a sua mulher foi condenada a prisão perpétua, vindo a morrer na prisão ao fim de três anos em consequência das brutais torturas a que foi sujeita. Os carrascos assassinaram também o seu filho recém-nascido, o seu pai, duas irmãs e outros familiares.
Em Maio de 1941, na conferência de Chingsi (China), funda, juntamente com Ho Chi Minh, o Dong Minh (Liga Vietnamita para a Independência) mais conhecido com Vietminh, para congregar as forças anti-japonesas numa única frente de libertação nacional.
Nesse mesmo ano Giap desloca-se para as montanhas do interior do Vietname a fim de dar início à guerra de guerrilha. Aí estabelece uma aliança com Chu Van Tan, dirigente do Tho, grupo guerrilheiro de uma minoria nacional do noroeste do Vietname. Giap inicia a construção do Tuyen Truyen Giai Phong Quan, um exército capaz de expulsar o ocupante francês e de sustentar o programa do Vietminh.
Inicia uma campanha de dois anos de propaganda armada e de recrutamento, convertendo os camponeses em guerrilheiros combinando o treino militar com a formação política comunista. Em meados de 1945 dispunha já de cerca de 10.000 homens sob o seu comando e pode passar à ofensiva contra os japoneses que ocupavam todo o sudeste asiático.
Em Agosto de 1945, juntamente com Ho Chi Minh, Giap dirigiu as suas forças para Hanói, e em Setembro desse ano Ho Chi Minh pôde proclamar a independência do Vietname, com Giap como comandante do exército revolucionário.
Na guerra contra o colonialismo francês que se seguiu Giap demonstrou a superioridade da guerra popular sobre as forças imperialistas alcançado, em 7 de Maio de 1954, uma espectacular vitória na decisiva batalha de Dien Bien Phu, um vale situado a cerca de 300 quilómetros a oeste de Hanói onde as forças ocupantes francesas se tinham entrincheirado, confiantes na protecção das montanhas circundantes e na sua capacidade de derrotar as forças revolucionárias que tentassem descê-las. Não imaginavam que as forças de Giap fossem capazes de fazer subir peças de artilharia por de encostas quase inacessíveis.
Após quase seis meses de cerco, dos 15.094 mercenários franceses concentrados em Dien Bien Phu apenas 73 conseguiram escapar, enquanto 5.000 foram mortos e 10.000 capturados. Giap e o general Denhg lançaram o assalto final que conduziu à expulsão definitiva dos franceses da Indochina. O exército de Giap e Denhg sofreu a baixa de 25.000 combatentes.
Giap e Denhg derrotaram os imperialistas graças a uma acumulação logística extraordinária e a uma utilização eficaz e bem protegida da artilharia. Os 60 caças-bombardeiros B-29 norte-americanos enviados em apoio do efectivo francês falharam o seu objectivo, o que levou os imperialistas a admitir, segundo o criminoso plano do almirante norte-americano Radford e do general francês Navarre, o lançamento de bombas nucleares contra as forças revolucionárias.
A campanha de Dien Bien Phu foi a primeira grande vitória de um povo colonial e feudal, com uma economia agrícola primitiva, contra um experiente exército imperialista apoiado por uma indústria bélica pujante e moderna. Os mais conhecidos generais franceses (Leclerc, De Lattre de Tasigny, Juin, Ely, Sulan, Naverre) fracassaram, um após outro, perante tropas constituídas por camponeses pobres, mas inteiramente decididas a lutar pelo seu país e pelo socialismo. Os governos de Paris foram também caindo, à medida que os seus generais eram derrotados naqueles arrozais distantes, deixando bem evidente a fragilidade da IV República.
O Vietname ficou dividido e Giap foi nomeado ministro da defesa do novo governo do Vietname do norte que, ao mesmo tempo que prosseguia a guerra popular de libertação, se esforçava por construir uma nova sociedade, socialista.
Como comandante do novo exército popular, Giap dirigiu a luta na guerra do Vietname contra os novos invasores norte-americanos no sul do país, que de novo teve início como uma guerra de guerrilha. Os primeiros soldados norte-americanos a morrer no Vietname resultaram do ataque a uma base militar Bien Hoa, a noroeste de Saigão, realizado pelo Vietcong em 8 de Julho de 1961. Nesse ano foram abatidos pelos guerrilheiros Vietcong mais de 1.000 lacaios do imperialismo americano, e anteriormente a 1961 já outros 4.000 tinham caído.
Quatro presidentes norte-americanos sucessivos mantiveram a agressão contra o Vietname, deixando o rasto sangrento de 57.690 mercenários americanos abatidos, enquanto do lado vietnamita caíram 600.000 combatentes. Mas em 1973 os EUA forma finalmente obrigados a abandonar o país. O país foi reunificado dois anos mais tarde, depois de um tanque do exército revolucionário romper a vala de protecção da embaixada norte-americana enquanto os últimos imperialistas a abandonavam precipitadamente, fugindo de helicóptero do telhado do edifício.
Giap foi a partir de então ministro da defesa do Vietname e membro de pleno direito do Politburo do Partido Comunista do Vietname, cargo que manteve até 1982.
Depois de abandonara estes cargos dirigiu a Comissão de Ciência e Tecnologia e, em Julho de 1992, foi-lhe concedida a mais alta condecoração do novo Vietname socialista, a ordem da estrela de ouro.
O general Giap não foi apenas um mestre na arte de dirigir a guerra revolucionária, escreveu também sobre ela, publicando em 1961 a sua famosa obra “Guerra popular, exército popular”, manual da guerra de guerrilha baseado na sua própria experiência. Nela estabelece os três fundamentos básicos de que necessita um exército popular para alcançar a vitória na luta contra o imperialismo: direcção, organização e estratégia. A direcção do Partido Comunista, uma férrea disciplina militar e uma linha política adequada às condições económicas, sociais e políticas do país.
Definiu a guerra popular como “uma guerra de combate para o povo e pelo povo, enquanto a guerra de guerrilha é apenas um método de combate. A guerra popular corresponde a uma concepção mais geral. É uma concepção de síntese. É uma guerra simultaneamente militar, económica e política”. A guerra popular não é realizada apenas pelo exército, por mais popular que este seja, mas sim por todo o povo, que deve participar e ajudar na luta, que necessariamente será prolongada.
Como bom guerrilheiro, Giap sabia que o sucesso, quando existe uma desproporção de forças muito grande, se baseia na iniciativa, na audácia e na surpresa, o que exige que o exército revolucionário esteja continuamente em movimento. Destacou-se com um génio da logística, capaz de movimentar continuamente importantes contingentes militares, segundo os princípios da guerra de deslocações. Fê-lo contra os colonialistas franceses em 1951, infiltrando um exército inteiro através das linhas inimigas no delta do rio Mekong, e repetiu-o antecipando a ofensiva de Tet em 1968 contra os estado-unidenses, quando posicionou milhares de homens e toneladas de aprovisionamentos para um ataque simultâneo contra 35 centros estratégicos do sul.
A batalha de la Drang (19 de Outubro – 27 de Novembro de 1965) foi uma das mais importantes para ambas as forças no decurso da guerra de libertação do Vietname. No seu decurso o general imperialista Westmoreland estava convicto de que a mobilidade aérea e a potência de fogo em grande escala seriam a resposta adequada à estratégia de Giap. Mas este colocou os seus efectivos tão próximo das linhas norte-americanas que os B-52 largavam as bombas em cima das suas próprias fileiras.
As tácticas de guerrilha de Giap constituem ainda hoje uma das mais importantes fontes de informação do exército norte-americano para esmagar as forças revolucionárias. Os imperialistas dispõem de toda a informação, mas falta-lhes o mais importante: as massas que provocam com as suas macabras acções de saque e destruição. Estão conscientes de que se as massas se integram na guerra revolucionária estão perdidos. Por isso procuram evitá-lo e se esforçam por isolar do povo os destacamentos guerrilheiros, tanto através da repressão como da falsidade. Mas também sabem que não poderão manter indefinidamente nem uma coisa nem a outra…

*Publicado em Nicaragua_Socialista@yahoogroups.com, 25 de Agosto de 2011

O QUE A MIDIA MAFIOSA ESCONDE SOBRE A LIBIA

Sete pontos acerca da Líbia

Domenico Losurdo
01.Set.11 :: Colaboradores
Doménico LosurdoMussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”.


Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:
1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela OTAN. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de “informação” burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra “inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da OTAN”; foi “o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi”. Uma peça doInternational Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos “rebeldes” que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da OTAN.
2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que “três semanas” antes da resolução da ONU já estavam em ação na Líbia “centenas” de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas noInternational Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de “pequenos grupos da CIA” e de uma “ampla força ocidental a actuar na sombra”, sempre “antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março”.
3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: “A OTAN que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra”. Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das “nações não ocidentais” e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa,em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: “Nova Líbia, desafio Itália-França”. Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético ativismo de Sarkozy, “compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente”.
4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: “Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço”.
5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: “Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa”. Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.
6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a OTAN martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a “livre” imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a “notícia” segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta “notícia” caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra “nova” segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.
7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efectivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.
27/Agosto/2011
O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ; a versão em francês em
http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CÓDIGO FLORESTAL: O RELATÓRIO MOTOSSERRA DO SENADOR LUIZ HENRIQUE

É triste admitir que alguém que foi preso pela ditadura, que quando jovem lutava contra as injustiças, hoje se dobra aos interesses do capital explorador que destrói o meio ambiente e com isso as condições de vida dos trabalhadores do campo e da cidade. É o que está acontecendo com os trabalhos do pseudocomunista Aldo Rebelo e com o ex-preso político da ditadura senador Luiz henrique. Referendam, em seus relatórios e pareceres as práticas assassinas das elites exploradoras, gananciosas que passam por cima de tudo em busca do lucro fácil. O novo Código Florestal é um exemplo de escárnio, de desrespeito ao povo brasileiro; é um documento a favor da exploração causada pelos vagabundos desmatadores e queimadores.
Abaixo extrato parcial da  posição de alguns técnicos comprometidos com a vida sobre o " relatório" do senador Luiz Henrique:
 Relatório para o Código Florestal na CCJ1 consolida problemas do projeto aprovado na Câmara – aumenta instabilidade jurídica e estimulará mais desmatamentos2
1 Ver íntegra em: http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/95212.pdf
2 Análise preliminar do Relatório e Substitutivo apresentado em 31/08/2011 pelo Senador Luiz Henrique (PMDB/SC) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado elaborada para o “Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável” e para a “Campanha SOS Florestas”. Subscrevem essa análise André Lima, advogado, OAB-DF 17.878, Mestre em Política e Gestão Ambiental pela Universidade de Brasília, Membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente pelo Instituto O Direito por um Planeta Verde e Consultor em Direito e Políticas Públicas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e da Fundação SOS Mata Atlântica (alima1271@gmail.com), Raul do Valle, advogado, OAB-SP 164.490, mestre em Direito Econômico pela Universidade de São Paulo, Coordenador Adjunto do Programa de Política e Direito do Instituto Socioambiental (raul@socioambiental.org)e Kenzo Juca, Sociólogo e Consultor Legislativo do WWF-Brasil (codigoflorestal@wwf.org.br).
O substitutivo é inconstitucional por tratar desigualmente os cidadãos, beneficiando quem descumpriu a lei
O substitutivo beneficia aqueles que praticaram o desmatamento ilegal, dispensando a recuperação de áreas e o pagamento de multas, sem trazer qualquer benefício concreto para quem cumpriu a lei. Quem desmatou até 2008, mesmo ilegalmente, pode continuar usando a área, enquanto que os que cumpriram a lei e mantiveram (ou restauraram) suas áreas de vegetação nativa continuarão proibidos de usa-las.
No caso de dois proprietários com imóveis do mesmo tamanho, vizinhos, situados na beira do mesmo rio, o que desmatou antes de 2008 – data definida sem qualquer fundamentação técnica ou jurídica – poderá usar mais área para fins produtivos (recuperar apenas 15 metros de mata ciliar – art.35; manter pastagens em topos de morro e encostas – art.10 e 12; ser dispensado de recuperar a reserva legal se tiver até 4 módulos fiscais – art. 13, §7º) do que aquele que conservou (tem que manter preservados 30 metros de mata ciliar, encostas e a reserva legal). Este, em troca, não ganhará qualquer benefício concreto. É um prêmio à ilegalidade, e uma penalidade a quem cumpriu a lei. Fere frontalmente os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e motivação dos atos legais e administrativos.

O substitutivo incentiva novos desmatamentos afrouxando as regras vigentes para regularização de novos desmatamentos
O texto traz inúmeros dispositivos que, em lugar de restringir novos desmatamentos, criam facilidades para quem descumprir a “nova” lei, desmontando o sistema de controle e afrouxando as regras atualmente existentes. É uma contradição em si: uma lei que incentiva o descumprimento de suas próprias regras.
Além de permitir uma vasta gama de hipóteses de consolidação de desmatamentos ilegais, a proposta permite que um desmatamento irregular feito hoje (ou no futuro) em área de reserva legal possa ser compensado em outra região (fora do Estado) ou recuperado em 20 anos com o uso de espécies exóticas em até 50% da área. Hoje a lei permite compensação apenas para desmatamentos irregulares ocorridos até 1998. Ao não restringir essas hipóteses de regularização apenas a desmatamentos passados, a lei incentivará que proprietários desmatem irregularmente áreas onde o valor da terra é mais alto e as compensem em outros lugares (a proposta permite que possa ser em outros Estados) onde o preço da terra é muito inferior. Além disso, essa reserva legal (desmatada) poderá ser recuperada apenas pela metade (art.38, §3o), pois a outra metade poderá ser 4
composta por espécies exóticas (eucalipto, por exemplo), que hoje têm alto valor econômico, mas praticamente nenhum valor ambiental. É, em resumo, um prêmio à ilegalidade.
O texto mantém a brecha, no artigo 27, para que municípios possam autorizar desmatamento, o que levaria a uma total falta de controle da política florestal brasileira. Basta que o município crie uma Área de Preservação Ambiental – APA, que não demanda desapropriação e não implica necessariamente em restrições objetivas aos proprietários, para que todos os desmatamentos autorizados em seu interior sejam de competência municipal. Ao se aplicar essa regra no arco do desmatamento, onde a pressão dos proprietários de terras sobre as prefeituras é maior, teremos seguramente uma reversão na tendência de queda do desmatamento no país, com o agravante de que boa parte das derrubadas contará com uma autorização supostamente legal.
Por fim, ao dizer que o fiscal ambiental poderá – e não deverá – embargar atividades realizadas em novas áreas de desmatamento ilegal (art.58), transformando o que hoje é uma obrigação do poder público em ato discricionário do técnico de campo. O substitutivo contraria decreto hoje vigente, e permite que essas áreas possam ser regularmente usadas por até 20 anos. O proprietário voltará a lucrar sobre área ilegalmente ocupada.
Diante do que foi até aqui exposto, exame ainda preliminar dado o pouco tempo que tivemos para esta análise, conclui-se que o relatório apresentado pelo Senador Luiz Henrique na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em lugar de corrigir os equívocos e reduzir a insegurança jurídica trazida pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados consolida e busca legitimar os problemas contidos no texto do Deputado Aldo Rebelo.

NÓS x BRASILIA x PARLAMENTARES ("políticos")

NIEMEYER GENIAL!

“Projetar Brasilia para os políticos que vocês colocam lá, foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como penico."
"Brasilia nunca deveria ser projetada em forma de avião e sim de camburão"
(Oscar Niemeyer)