As reportagens publicados nos jornais nacionais e noticiadas nas televisões e rádios são um reflexo de uma relação espúria, de um conluio entre estamentos da justiça, das policias - civis e militares-, de advogados de defesa e bandidagem. Enquanto não forem quebrados elos dessa união mafiosa, dificilmente nós eliminaremos o tráfico, os roubos, a lavagem de dinheiro, enfim a criminalidade de um modo geral. Recentemente foram presos 5 policiais de UPP da Roçinha no Rio de Janeiro. Será que são só 5 policiais que estão envolvidos com a contravenção, com a criminalidade? É óbvio que o exército de malacos oficiais é bem maior!
sábado, 5 de abril de 2014
DILMA, A REVISÃO DA LEI DA ANISTIA E OUTRAS COBRANÇAS
Reforma ou Revolução?, já questionava Rosa Luxemburgo, eis o dilema. Analisando o momento atual, as transfigurações das esquerdas e dos "esquerdistas", os ceticismos e desvanecimentos quanto a construção de um poder revolucionário, creio que cabe a pergunto Reforma ou Revolução? Sabemos, nós comunistas, que revolução se faz com os trabalhadores, com o povo nas ruas, não com dissertações e teses acadêmicas revolucionárias de palavras. É preciso interpretar e conhecer a realidade, as correlações de forças. A revisão da lei da anistia, a reforma agrária e outros avanços necessários não acontecerão se não botarmos o bloco do povão nas ruas. Cobrar da Dilma, sem dar respaldo nas ruas, sem mobilizações que respaldem um presidente, é, no mínimo, irresponsabilidade ou provocação barata, ou disputa de espaços não conquistados por incompetências e divisões grupelhescas que nada acrescem a movimento de transformação da sociedade brasileira.
AS CANALHICES E CRETINICES DE DELFIM NETO
QUEM QUEBROU O BRASIL FOI O GEISEL, AFIRMA DELFIM
A
resistência do ex-presidente Ernesto Geisel em abrir a exploração do petróleo à
iniciativa privada quando comandou a Petrobras, no governo Médici, levou a
economia brasileira à falência no fim da década de 70. A afirmação é do economista Antonio Delfim
Netto, ex-ministro de diversas pastas da área econômica durante o regime
militar. "Quem quebrou o Brasil foi o Geisel", diz Delfim.
Folha -
Na sua opinião, o que levou ao golpe de 1964?
Antonio
Delfim Neto - O Brasil estava uma balbúrdia tão grande que era claro que alguma
coisa ia acontecer. Havia uma desorganização total, passeatas na rua, mentiras
de toda a natureza, boatos. O Jango abandonou o governo. Essa é que é a
verdade. Não foi uma surpresa o que aconteceu. As instituições todas estavam
ameaçadas, sob enorme risco. Nem sei se o risco era verdadeiro ou não, é que o
governo era uma balbúrdia. .
A que o
senhor atribui o chamado milagre econômico?
Nunca houve milagre. Milagre é efeito sem
causa. O crescimento do Brasil naquele período foi consequência do trabalho dos
brasileiros, basicamente da grande arrumação que houve no setor econômico,
produzido no governo Castelo Branco. (...)
E o
aumento da concentração de renda incomodava?
A distribuição de renda incomoda porque, no
fundo, o homem tem alguns desejos, alguns valores que são fundamentais. Então, a desigualdade, ela incomoda. Todos
melhoraram só que uns melhoraram mais do que os outros e a distância entre nós
estava crescendo. O que não é uma coisa agradável.
Como o
senhor via a questão da repressão durante o governo militar?
No governo você não tinha a menor informação.
Você tinha uma separação completa entre o governo e as instituições, as forças
armadas. Nunca teve nenhuma interferência. Na verdade, nós víamos nos jornais
alguma coisa. Uma vez eu perguntei ao
presidente Médici e ele disse: não, não há. Ele me disse: "é uma guerra, Delfim. Mas
não há tortura". Tortura é uma coisa deplorável. Quando o sujeito está sob
a guarda do Estado é que ele tem de ser protegido.
O importante é: o governo nunca teve a menor interferência
militar.
O texto acima, em vermelho, é parte de uma entrevista de Delfim Neto na Folha de São Paulo - 05/04/2014-, onde Delfim, o todo poderoso ministro do regime militar, o famoso economista da Teoria do Crescimento do Bolo. bolo esse que os brasileiros até hoje não viram nem a cor da farofa! O homem é de uma cretinice, de uma canalhice, sem igual. Apesar de tentar dar uma de Pilatos ele tropeça na própria língua, nas entre linhas da sua entrevista defende o golpe militar; não é à toa que o serviu por muitos anos! Mas como todo serviçal é um pobre sabujo e hoje, a serviço do PMDB, atacar Geisel vira o cocho onde sempre comeu a ração e se locupletou por muitos anos.
Logo na primeira pergunta diz que " O Brasil estava uma balbúrdia tão grande que era claro que alguma coisa ia acontecer. Havia uma desorganização total, passeatas na rua, mentiras de toda a natureza, boatos. O Jango abandonou o governo. Essa é que é a verdade. Não foi uma surpresa o que aconteceu. As instituições todas estavam ameaçadas, sob enorme risco. Nem sei se o risco era verdadeiro ou não, é que o governo era uma balbúrdia. " Mentira! Não havia balburdia, sim liberdade de manifestação, inclusive para os golpistas a serviço da embaixada dos EUA. Jango não abandonou o governo; FOI APEADO, FOI GOLPEADO.
Quando foi perguntado pelo "milagre", respondeu: " Nunca houve milagre. Milagre é efeito sem causa. O crescimento do Brasil naquele período foi consequência do trabalho dos brasileiros, basicamente da grande arrumação que houve no setor econômico, produzido no governo Castelo Branco. (...)" De fato não houve milagre, sim um crescimento econômico conseguido nas costas dos trabalhadores, nos arrochos salariais, no abandono da educação e no medo imposto ao povo. Delfin admitiu que "todos melhoraram só que uns melhoraram mais do que os outros e a distância entre nós estava crescendo. O que não é uma coisa agradável. "
Delfim disfarça, tenta dar uma de ingênuo quando afirma que No governo você não tinha a menor informação. Você tinha uma separação completa entre o governo e as instituições, as forças armadas. Nunca teve nenhuma interferência. O importante é: o governo nunca teve a menor interferência militar. Ora, ele não sabia que o Governo era militar?
É por isso que tudo, na entrevista que pode ser lida na integra na Folha de São Paulo, não passa de canalhices e cretinices do Sr. Delfim Neto.
O BANCO DO BRASIL E OS PEQUENOS AGRICULTORES
Recentemente a Folha de São Paulo - 29 de março de 2014- publicou algo estarrecedor " justiça devolve sítio que agricultor havia perdido por não pagar dívida de R$1.387,00". Pasmem, tomaram, expropriaram, afanaram uma pequena propriedade por causa de uma merreca. Não podiam ter parcelado essa dívida. Como engenheiro agrônomo que trabalhou na linha de crédito e em planejamento sabemos que existem grandes agricultores inadimplentes e nuca se lhes tocou na propriedade da terra. Como o agricultor Marcos Winter, devem existir muitos casos desses pelo Brasil afora! Ainda bem que a justiça fez justiça contra a canalhice do BB que dizem ser um banco nosso. Nosso de quem? Está na hora do Ministério Público e da própria presidente Dilma mandar fazer um operação pente fino na Carteira de Crédito Rural do BB para acabar com esses achincalhes contra os pequenos agricultores.
10 FATOS CHOCANTES SOBRE OS EUA
1. Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos um está preso. A subir em flecha desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também donos dos escravos que trabalham em fábricas dentro da prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Uma mão-de-obra tão competitiva que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente das suas prisões carcerárias e graças a leis que vulgarizam sentenças até 15 anos de prisão por crimes como roubar pastilha elástica. Os alvos destas leis são invariavelmente os mais pobres, mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.
2. 22% das crianças americanas vivem abaixo do limiar da pobreza. Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem «segurança alimentar», ou seja, em famílias sem capacidade económica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não frequentam a universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.
3. Entre 1890 e 2014 os EUA invadiram ou bombardearam 151 países.
São mais os países do mundo em que os EUA já intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelas guerras imperiais dos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de estado e patrocínios a ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, laureado do Nobel da Paz, os EUA têm neste momento mais de 70 operações militares secretas a decorrer em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar de qualquer país do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.
São mais os países do mundo em que os EUA já intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelas guerras imperiais dos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de estado e patrocínios a ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, laureado do Nobel da Paz, os EUA têm neste momento mais de 70 operações militares secretas a decorrer em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar de qualquer país do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.
4. Os EUA são o único país da OCDE sem direito a qualquer tipo de subsídio de maternidade.
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes nem depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo contemplam entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com zero semanas.
5. 125 americanos morrem todos os dias por não poderem pagar o acesso à saúde.
Quem não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm) tem boas razões para recear mais a ambulância do que o inocente ataque cardíaco. Com viagens de ambulância a custarem em média 500 euros, a estadia num hospital público mais de 200 euros por noite e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhares, é bom que se possa pagar um seguro de saúde privado.
Quem não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm) tem boas razões para recear mais a ambulância do que o inocente ataque cardíaco. Com viagens de ambulância a custarem em média 500 euros, a estadia num hospital público mais de 200 euros por noite e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhares, é bom que se possa pagar um seguro de saúde privado.
6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo.
Esqueça a história do Dia de Acção de Graças, com índios e colonos a partilhar pacatamente um peru. A história dos EUA começa no programa de erradicação dos índios: durante dois séculos, os nativos foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA puseram em marcha um plano de esterilização forçada das mulheres nativas, pedindo-lhes para assinarem formulários escritos num língua que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios ou, simplesmente, cortando-lhes o acesso à saúde.
7. Todos os imigrantes são obrigados a jurar não serem comunistas para poderem viver nos EUA.
Para além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é ou alguma vez foi membro do «Partido Comunista», ou se defende intelectualmente alguma organização considerada «terrorista». Se responder que sim a qualquer destas perguntas, pode ser-lhe negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por «prova de fraco carácter moral».
Para além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é ou alguma vez foi membro do «Partido Comunista», ou se defende intelectualmente alguma organização considerada «terrorista». Se responder que sim a qualquer destas perguntas, pode ser-lhe negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por «prova de fraco carácter moral».
8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 000 dólares.
O Ensino Superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronómicas que, acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo amiúde forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos. Entre 1999 e 2014, a dívida total dos estudantes estado-unidenses ascendeu a 1.5 triliões de dólares, subindo uns assustadores 500%.
O Ensino Superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronómicas que, acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo amiúde forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos. Entre 1999 e 2014, a dívida total dos estudantes estado-unidenses ascendeu a 1.5 triliões de dólares, subindo uns assustadores 500%.
9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada 10 americanos, há nove armas de fogo.
Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior colecção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: no resto do planeta há uma arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de toda a humanidade e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões.
Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior colecção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: no resto do planeta há uma arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de toda a humanidade e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões.
10. São mais os americanos que acreditam no Diabo do que aqueles que acreditam em Darwin.
A maioria dos americanos é céptica, pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% da população acredita. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as «conversas diárias» do ex-presidente Bush com Deus e mesmo as inesgotáveis diatribes sobre a natureza teológica da fé de Obama.
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2105, 3.04.2014A maioria dos americanos é céptica, pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% da população acredita. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as «conversas diárias» do ex-presidente Bush com Deus e mesmo as inesgotáveis diatribes sobre a natureza teológica da fé de Obama.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
PRESIDENTE MADURO DENUNCIA
Os 1% de privilegiados, com o apoio dos EUA, querem derrubar o governo legal
por Nicolás Maduro [*]
Nós os venezuelanos nos sentimos orgulhosos da nossa democracia. Construímos um movimento democrático e participativo a partir da base que assegurou que tanto o poder como os recursos sejam distribuídos de maneira equitativa para o nosso povo.
Segundo as Nações Unidas e o Banco Mundial, a Venezuela reduziu consistentemente a desigualdade, transformando-se de um dos países mais desiguais da América Latina em 1998 para converter-se no país menos desigual da América Latina de hoje. Reduzimos a pobreza enormemente – de 29 por cento em 1998 para 19,6 por cento em 2013. A pobreza extrema diminuiu no mesmo período, passando de 21,5% para 6,5%.
Também criámos emblemáticos programas sociais de saúde e educação, gratuitos e acessíveis a todos os habitantes do nosso país. Conseguimos estas extraordinárias façanhas sociais em grande parte através da redistribuição e da utilização dos rendimentos procedentes do petróleo venezuelano.
Apesar de nossas políticas sociais terem melhorado a vida sobretudo dos cidadãos, o governo também enfrentou sérios problemas económicos nos últimos 16 meses, incluindo a inflação e a escassez de alguns produtos básicos. Continuamos a conseguir soluções através de um certo número de medidas, incluindo um novo sistema de câmbio de divisas que já reduziu a inflação durante as últimas semanas e também através da monitorização de empresas para assegurar que não estão a especular ou açambarcar produtos.
Adicionalmente, a Venezuela sofreu com uma alta taxa de crime que estamos a combater diretamente através da criação de um novo corpo de polícia nacional, fortalecendo a cooperação entre as comunidades e a polícia e pela reforma do nosso sistema penitenciário.
Desde 1998, o movimento fundado por Hugo Chávez ganhou 18 eleições presidenciais, parlamentares e locais através de um processo eleitoral que o ex-presidente estado-unidense Jimmy Carter chamou "o melhor do mundo". Mais recentemente, nosso partido, o Partido Socialista da Venezuela, conseguiu uma maioria esmagadora nas eleições para presidentes de municipalidades em Dezembro de 2013, ganhando em 255 de 335 municípios.
A participação popular na política na Venezuela aumentou dramaticamente na última década. Como ex-sindicalista, creio profundamente no direito de associação e no dever cívico de manifestar preocupações legítimas através do protesto pacífico a fim de garantir que a justiça prevaleça.
Estes factos desmentem afirmações feitas por alguns políticos nos EUA, e por grande parte dos meios de comunicação, alegando que a Venezuela tem um défice de democracia e que os protestos atuais representam o sentimento da maioria. Pelo contrário, a maior parte dos protestos contra o governo estão a ser levados a cabo pelos sectores mais ricos da sociedade que se opõem e tentam reverter os êxitos do processo revolucionário que beneficiaram a imensa maioria do povo venezuelano.
Manifestantes anti-governamentais atacaram fisicamente e fizeram danos a clínicas públicas de saúde, queimaram uma universidade pública no estado de Táchira e lançaram bombas molotov e pedras a autocarros do transporte público com passageiros a bordo. Também atacaram instituições públicas, atirando pedras e tochas nos gabinetes do Tribunal Supremo de Justiça, na empresa pública de telefonia CANTV e no gabinete da Procuradoria-Geral. Estas acções violentas causaram milhares de milhões de dólares em prejuízos. É por isto que os protestos não receberam nenhum apoio nos bairros pobres e da classe operária.
Os manifestantes têm um só objetivo: o derrube inconstitucional do governo eleito democraticamente. Os líderes anti-governamentais deixaram-no claro quando lançaram a campanha em Janeiro, comprometendo-se a "criar caos nas ruas". As pessoas que têm preocupações e críticas legítimas sobre a economia ou a insegurança que merecem ser discutidas, por desgraça estão a ser ultrapassadas por líderes da oposição com uma agenda anti-democrática e violenta.
Depois de dois meses, 36 pessoas foram assassinadas. Os manifestantes são diretamente responsáveis por mais da metade das vítimas mortais. Seis membros da Guarda Nacional foram assassinados; outros cidadãos foram assassinados ao tentar eliminar os obstáculos colocados pelos manifestantes para bloquear o trânsito.
Uma pequena minoria de funcionários das forças de segurança também participou nos actos violentos e em consequência morreram várias pessoas. Estes são acontecimentos ilegais e lamentáveis e o governo venezuelano respondeu prendendo-os.
Criámos um Conselho de Direitos Humanos para investigar todos os incidentes relacionados com estas promessas. Cada vítima merece justiça e cada autor – seja um defensor ou um opositor ao governo – terá que prestar contas por suas ações.
Nos EUA, estes acontecimentos foram representados de uma maneira diferente e os manifestantes são amplamente descritos como "pacíficos", enquanto dizem que o governo é violento e repressivo. Esta narrativa apresenta o governo dos EUA ao lado do povo da Venezuela, quando na realidade o governo dos EUA está ao lado dos 1% que quer arrastar nosso país novamente a uma época em os 99% eram excluídos da vida política e só a elite, incluindo as empresas dos EUA, se beneficiava com o petróleo da Venezuela.
Não esqueçamos que alguns dos que apoiaram o derrube ilegal do governo democraticamente eleito da Venezuela no ano de 2002 estão a liderar os protestos de hoje. Os envolvidos no golpe de 2002 dissolveram imediatamente o Tribunal Supremo de Justiça, a Assembleia Nacional e descartaram a Constituição. Hoje, aqueles que incitam à violência ou tentar executar ações inconstitucionais parecidas devem ser submetidos ao sistema judicial.
O governo estado-unidense apoiou o golpe de 2002 e de imediato reconheceu o governo golpista apesar do seu comportamento anti- democrático. Hoje em dia, o governo de Obama gasta mais de US$5 milhões por ano para apoiar os movimentos de oposição na Venezuela. Um projeto de lei para um adicional de US$15 milhões para estas organizações anti-governo encontra-se agora no Congresso.
Atualmente, o Congresso dos EUA está a decidir se imporá sanções para castigar a Venezuela; sanções acabariam por afetar os sectores mais pobres da nossa nação. Espero que o povo estado-unidense, conhecendo a verdade, exprima que a Venezuela e seu povo não merecem tal castigo e chamem seus líderes políticos para que se abstenham de tais sanções.
Agora é um momento para o diálogo e a diplomacia. Na Venezuela, estendemos a mão à oposição. Também aceitámos as recomendações da União de Nações da América do Sul para que participem como testemunhas do diálogo com a oposição.
Também fizemos uma apelo público ao presidente Barack Obama, exprimindo nosso desejo de intercambiar embaixadores novamente. Esperemos que a sua administração, tal como os elementos menos radicais da oposição interna na Venezuela, responde de maneira recíproca.
A Venezuela necessita paz. A Venezuela necessita o diálogo e a Venezuela tem que continuar em frente. Damos as boas vindas a qualquer pessoa que sinceramente queira ajudar a alcançar estes objectivos.
[*] Presidente da República Bolivariana da Venezuela. Artigo publicado no New York Times, edição de 02/Abril/2014.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
terça-feira, 1 de abril de 2014
DITADURA & CORRUPÇÃO
O texto de Vladimir Safatle " A ditadura venceu", publicado na Folha de São Paulo(1° de abril/2014) é muito sugestivo e esclarecedor. Sugestivo por que? Porque obriga as lideranças políticas atuais e os parlamentares - muitos deles do tempo da ditadura- a fazerem uma reflexão sob suas omissões a respeito daquele período violento. Esclarecedor porque alerta sobre as grande corrupções do período ditatorial; ele esqueceu de citar a ponte Rio Niterói, superfaturada, e o rodovia Belém-Brasilia, entre outras grandes sacanagens acobertadas. O "mensalão" corria à solta, só que a mídia estava calada, censurada. Parlamentar que não rezasse na cartilha dos ditadores tinha mandato cassado ou era preso. É claro que não justifica o que está acontecendo. mas foi muito pior, tinha muito mais corrupção que atualmente; mesmo porque a corrupção está no DNA do sistema e a impunidade os estimula. Na China e em Cuba corruptos e corruptores são enviados para o inferno! Enfim, não concordo que " a ditadura venceu", mas, sim que o sistema capitalista venceu, continua vivo, infelizmente!
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