quinta-feira, 28 de junho de 2012

A AMERICA LATINA PRECISA DERROTAR OS GOLPISTAS

Paraguai e Bolívia na escalada golpista dos EUA

Os Editores
28.Jun.12 ::



O golpe de estado no Paraguai não surpreendeu as forças progressistas da Região. Inseriu-se na actual estratégia da Administrado Obama para a América Latina.
Washington extraiu lições da derrota do golpe de 2001 na Venezuela. A «deposição» do presidente Manuel Zelaya das Honduras ficou a assinalar a substituição dos gorilazos tradicionais por um modelo de golpismo mais sofisticado.
No Paraguai o imperialismo - empenhado numa ambiciosa escalada agressiva que visa a liquidação de todos os regimes que no Hemisfério defendem a soberania nacional - optou novamente por um golpismo palaciano, sem tiros.
Um Senado totalmente controlado por saudosistas da ditadura Stroessner (36 anos no poder) decidiu substituir o presidente Fernando Lugo pelo vice Federico Franco, uma criatura da oligarquia.
Lugo, responsabilizado pelo massacre de Curuguaty, montado pela Policia à sua revelia, nem foi ouvido. O parlamento mandou-o para casa. Tudo se fez em menos de 24 horas.
Documentos do Wikileaks agora divulgados revelam que Franco conspirava há três anos com o embaixador dos EUA. Do diplomata esperava a indicação de uma data oportuna para desfechar o golpe.
A Venezuela, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua, a Argentina, Cuba apressaram-se a condenar a deposição de Lugo, declarando ilegítimo o governo fantoche de Federico Franco. Dilma Rousseff tomou também posição ao anunciar a suspensão do Paraguai como membro do Mercosul.
O embaixador do Vaticano dirigiu-se pelo contrário ao corpo diplomático, sugerindo o reconhecimento do governo golpista, atitude esclarecedora da rede de cumplicidades fabricada pelos EUA.
O movimento de solidariedade com Lugo assumiu rapidamente proporções mundiais. Mas a condenação do golpe não reflecte, sublinhe-se, apreço pela pessoa do presidente. Personalidade fraca, Lugo, acossado pela oligarquia, cedo arquivou compromissos assumidos com o povo e submeteu-se a múltiplas exigências de Washington. Permitiu inclusive a instalação da gigantesca base militar americana de Estigarribia, uma mais no anel bélico que ameaça toda a América do Sul. Somente na Colômbia os EUA contam com uma dezena de bases montadas pelo famoso Comando Sul.
Um dos alvos da nova estratégia imperial que visa a eliminar por implosão, sem recurso às armas, governos progressistas considerados «incómodos» é agora a Bolívia de Evo Morales.
Nos últimos dias a situação naquele país andino agravou-se muito. Uma parte da Policia Nacional amotinou-se e assaltou e destruiu as instalações do Servicio Nacional de Investigaciones. Iniciativas como essa, assim como as Marchas de Tipnis, promovidas para impedir a construção de uma estrada, são concebidas, estimuladas e financiadas pelas forças da extrema-direita e pela embaixada dos EUA.
Em poucos anos, a Administração norte-americana contribuiu decisivamente para a instalação de governos de direita na maioria dos países da América Latina.
O Peru e El Salvador já não figuram na lista dos «incómodos». No Paraguai o golpe palaciano será recordado como um êxito da nova estratégia de Obama. A Bolívia está na linha de mira do imperialismo, tal com o Equador. Mas o «inimigo a abater» é a Venezuela Bolivariana.
Nestes dias a solidariedade internacionalista com as forças democráticas do Paraguai é, por isso mesmo, uma exigência no combate á escalada imperialista no Sul do Continente Americano.

OS EDITORES DE ODIÁRIO.INFO

domingo, 24 de junho de 2012

PCB REPUDIA GOLPE NO PARAGUAY

 CONTRA O MOVIMENTO GOLPISTA DA DIREITA PARAGUAIA E DO IMPERIALISMO

 (Nota Política do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público denunciar a tentativa de golpe branco que se desenvolve nos últimos dias no Paraguai e que tem, como próximo passo, a reunião do Senado daquele país que se realizará a toque de caixa nesta sexta-feira para, segundo fontes do próprio movimento golpista, "impedir que apoiadores do presidente cheguem a Assunção".
O que ocorre no país vizinho é mais uma tentativa de derrubar o governo do presidente Lugo, eleito em processo legítimo e democrático, como produto da esperança das massas populares por mudanças sociais.
A proposta de impedimento encaminhada ao Senado do Paraguai, após votação na Câmara, responsabiliza o presidente pelo recente conflito armado entre camponeses sem terra e as forças de repressão estatal.
Essa "acusação" é escandalosa e cínica, pois na verdade são esses próprios parlamentares e suas bases de sustentação os verdadeiros responsáveis por tal situação, após décadas de ditadura e roubo de terras públicas para favorecer a oligarquia. Manipulam o golpe, tentando passar a impressão de que se trata de uma medida dentro da lei.

O PCB - apesar de considerar que o presidente está sendo vítima de sua própria conciliação e vacilação em impulsionar o processo de mudanças com o respaldo do movimento de massas - vem a público se juntar aos trabalhadores paraguaios e ao povo em geral neste importante momento de sua história.
A tentativa de golpe - levada a efeito pelos setores mais reacionários e pró-imperialistas da burguesia paraguaia - conta certamente com o apoio da embaixada norteamericana, a maior de toda a América do Sul.
Não temos dúvida de que o golpe, além de interessar à oligarquia paraguaia, se insere na ofensiva do imperialismo norteamericano para aumentar sua presença militar na América Latina, criando condições para viabilizar sua aspiração de criar uma base militar na tríplice fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai).

Partido Comunista Brasileiro - PCB
Secretariado Nacional



RIO+20: A FARSA TERMINOU EM 60 T. DE LIXO



Río+20 deja 60 toneladas de basura, junto a débiles promesas


Es la mejor metáfora: la Cumbre del Desarrollo Sostenible dejó 60 toneladas de basura, contantes y sonantes, además de una débil serie de promesas que auguran nuevas movilizaciones de quienes se han sentido frustrados tras una cita que se prometía histórica. Greenpeace ha visto «un intento de lavado de imagen de los Gobiernos mientras ignoran los problemas sociales y medioambientales del planeta».
La Conferencia de las Naciones Unidas sobre Desarrollo Sostenible Río+20, que reunió hasta el viernes en Río de Janeiro a cerca de un centenar de jefes de Estado y de Gobierno, dejó como legado poco ecológico unas 60 toneladas de basura.
Según informó ayer la Compañía Municipal de Limpieza Urbana, la cifra incluye la basura recogida en la última semana en el centro de convenciones Riocentro, en donde se realizó la reunión oficial. También incluye los locales que acogieron los principales eventos paralelos, incluyendo la Cumbre de los Pueblos, que agrupó a centenas de organizaciones no gubernamentales de todo el mundo. Los esfuerzos de la ONU y de las ONG para que sus citas en pro del desarrollo sostenible no dejen muchos desechos no impidieron que quedase tan elevado volumen de basura.
El total de basuras de la Río+20 es casi la sexta parte de las 370 toneladas dejadas en la playa de Copabacana por los dos millones de personas que participaron en la última fiesta de fin de año en Río de Janeiro.
Según el coordinador de sostenibilidad de la conferencia Río+20, el biólogo Francisco Nilson, los organizadores realizaron campañas para concienciar a los participantes sobre la gestión correcta de la basura.
Otra estrategia fue preferir materiales biodegradables, como los vasos para el agua, que fueron fabricados con residuosvegetales de la caña de azúcar y del maíz, y materiales sostenibles, como las botellas portátiles y reutilizables.
La Cumbre sirvió para lanzar una negociación destinada a establecer Objetivos de Desarrollo Sostenible en asuntos vitales, entre los cuales se habló del tratamiento de la basura. Terminó con una declaración que algunos negociadores y las ONG consideran como poco ambiciosa y sin compromisos. Eliminó, por ejemplo la decisión de crear instrumentos financieros para apoyar la transición a una economía respetuosa con el medio ambiente, debido a la oposición de los países industrializados que, esgrimiendo la crisis, dan prioridad al crecimiento económico. Por eso mismo, cuatro ecologistas se encadenaron ayer a la verja de hierro que rodea el palacio de Buckingham, en Londres. Llevaban camisetas con mensajes sobre la necesidad de reducir las emisiones de gases contaminantes.
Además, «la economía verde» encontró el rechazo de la Cumbre de los Pueblos, que denunció que tras ese concepto se esconde «el viejo capitalismo» que quiere hacer negocio con los recursos naturales. El secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, está obligado a ver la botella medio llena. Pidió a los líderes mundiales que actúen en consonancia con los compromisos adquiridos. «Terminaron los discursos. Ahora empieza el trabajo», manifestó durante la ceremonia de clausura. «Río+20 ha afirmado los principios fundamentales y nos ha dado una nueva dirección. Desde los gobiernos a las mayores compañías del mundo, desde las organizaciones filantrópicas a los jóvenes voluntarios, todos son parte de un movimiento global creciente por el cambio», manifestó.
Gobiernos y grandes compañías prometen 400.000 euros
Los líderes políticos, empresas privadas y organizaciones reunidos en la Cumbre sobre Desarrollo Sostenible (Río+20) han firmado unos 700 compromisos mediante los cuales han acordado dedicar a programas de desarrollo sostenible un total de 513.000 millones de dólares (unos 408.000 millones de euros). De estos fondos, 323.000 millones de dólares irán destinados a la iniciativa Energía Sostenible para Todos que encabeza el secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, y que plantea como objetivo universalizar antes de 2030 el acceso a fuentes sostenibles. Como acciones concretas, los líderes reunidos han planteado algunos objetivos numéricos que aspiran a lograr cada año, como plantar cien millones de árboles, alentar la iniciativa empresarial de 5.000 mujeres africanas en negocios de energía verde y reciclar 800.000 toneladas de PVC. La cumbre, destinada a reducir la pobreza, avanzar en la equidad social y promover la protección del medio ambiente, se ha cerrado con el documento titulado «El futuro que queremos».
 

O QUE A MIDIA AMIGA DE STROESSNER NÃO PUBLICA

 
Paraguay: Un golpe largamente planeado



Un Parlamento en manos de los viejos partidos oligárquicos, un Poder Judicial funcional al capitalismo mafioso y un Presidente débil pero que acabó con seis décadas de reinado colorado' el plan de un golpe de Estado soft, al estilo del que en Honduras sacó del poder a Manuel Zelaya en 2009, estaba desde hace años a la espera del momento justo.

Justamente a fines de 2009 -a un año de la asunción de Fernando Lugo- se comenzó a hablar de un juicio político por parte del Congreso, en el que el Presidente casi no tiene representación, en complicidad con el vicepresidente Federico Franco, del Partido Liberal Radical Auténtico. En ese entonces escribimos un artículo - Paraguay, ¿una nueva Honduras? (www.rebelion.org/noticia.php?id=94901)- en el que dijimos: “Posiblemente, la derecha paraguaya haya aprendido de los gorilas hondureños que no es bueno sacar a Lugo en pijama, de madrugada, y enviarlo a algún país vecino en un ‘avión pirata’, pero eso no conduciría necesariamente a dejar de lado sus ambiciones desestabilizadoras sino, simplemente, a ser más cuidadosos”.

La política luguista del “Mbytetépe poncho jurúicha” (ubicarse en el centro, como la boca del poncho) no ahuyentó a los fantasmas que la burguesía paraguaya se hace sobre un tránsito de Paraguay hacia el “comunismo” de Chávez, Evo y Correa. En ese entonces, la razón en la que la derecha fundamentó el pedido de juicio político era tragicómica: que Lugo había afirmado que los ricos se oponen al proceso de cambio.

Lugo dijo exactamente: “Los que genuinamente quieren cambiar el país son los que no tienen cuentas bancarias, son los que no salen cada día en las páginas sociales de la prensa... Los que quieren seguir mirando el pasado en sus privilegios' en defensa de sus cajas de ahorros en bancos internacionales, ellos no quieren cambiar”.

¿Discurso inofensivo? Puede ser, pero no en Paraguay. Las reacciones fueron insólitas: el ex candidato presidencial Pedro Fadul, del partido Patria Querida, tildó de “criminal” el contenido del mensaje de Lugo debido a su carácter “confrontacional”, que “daña el alma y el espíritu”. Curiosa, en cualquier caso, la capacidad de indignación del “espíritu” de una élite que convivió sin la menor indignación con las peores desigualdades del continente.

Por su parte, el analista Carlos Redil comentaba: “Lugo hizo un discurso incendiario incentivando la lucha de clases y la oposición no podía quedarse callada”. Redil creía, “por ahora”, que no estaban dadas las condiciones para un juicio político. “Por ahora'”.

En ese entonces se conoció un mail del ganadero chileno Eduardo Avilés, residente en Paraguay hace más de 30 años, en el que pedía una contribución entre su pares empresariales para comprar armamento, formar escuadrones e identificar y liquidar comunistas . “Ya es la hora de ponernos los pantalones largos. Hasta cuándo tenemos que esperar para combatir a estos comunistas hijos de puta, que están queriendo destruir nuestro querido Paraguay, como lo hicieron los allendistas en Chile”, decía.

El anticomunismo es moneda corriente en Paraguay. El dictador Stroessner dijo que su país era “el más anticomunista del mundo” junto a Taiwán, uno de sus principales aliados. Los negocios -políticos y monetarios- entre ambas naciones están bien documentados en el apasionante libro El Paraguay de Stroessner, de Rogelio García Lupo, que contiene un largo detalle del anecdotario sangriento de las décadas de reinado del dictador.

Cualquier reforma social, por mínima que sea, activa el anticomunismo latente de una de las más rancias oligarquías de la región. Hacer un simple catastro de las propiedades agrícolas -para no hablar de una reforma agraria- ya es una medida revolucionaria en Paraguay, donde entre terratenientes nativos y brasiguayos (hijos de brasileños nacidos en Paraguay) controlan sus haciendas a punta de escopeta.

El momento de hacer el golpe de Estado llegó tras la masacre de 17 campesinos y policías el pasado 15 de junio. “La constante confrontación y lucha de clases sociales, que como resultado final trajo la masacre entre compatriotas, es un hecho inédito en los anales de la historia desde nuestra independencia hasta la fecha, en tiempo de paz”, decía una parte de los cargos para el juicio político exprés que busca, tras sacar al Presidente, restaurar el viejo orden apenas erosionado por la gestión de Lugo.




 

EUA ENVOLVIDO NO GOLPE CONTRA LUGO

Paraguai: outro golpe engendrado pelo Império

Carlos Aznárez*
24.Jun.12
Carlos AznárezO golpe de palácio que derrubou o presidente Lugo não é apenas produto de uma manobra dos sectores mais retrógrados da política local, firmemente ancorados nas ideias da ditadura stroessnista, que governou o país durante 35 anos e prolongou a sua presença nos governos que lhe sucederam. Surge também como resultado de uma estratégia ofensiva que o imperialismo norte-americano vem desenvolvendo em todo o continente.


A direita oligárquica paraguaia atingiu finalmente o seu objetivo: o presidente Lugo foi derrubado sem pena nem gloria. Sobretudo sem a última.
Este golpe de palácio, executado em tempo record, não é apenas produto de uma manobra dos sectores mais retrógrados da política local, firmemente ancorados nas ideias da ditadura stroessnista, que governou o país durante 35 anos e prolongou a sua presença nos governos que lhe sucederam, mas surge também como resultado de uma estratégia ofensiva que o imperialismo norte-americano vem desenvolvendo em todo o continente.
¿Porque fazemos esta afirmação? Se nos detivermos um instante a observar o mapa latino-americano, e virmos as últimas iniciativas empreendidas pelo Comando Sul, no sentido de ir instalando bases em cada um dos países que consideram chave para desenvolver as suas tarefas de ingerência, dar-nos-emos conta de que o sucedido no Paraguai é a consequência lógica de um novo dispositivo de ocupação territorial. Aos antigos enclaves militares em que ondula a bandeira norte-americana e onde se confundem instrutores gringos com tropas do país que os acolhe, têm vindo a acrescentar-se agora as bases de “ajuda humanitária” que abrem caminho - com claras cumplicidades locais- à presença explícita ou encoberta dos invasores.
A isto vêm juntar-se os diversos reveses eleitorais às mãos da direita que se vêm verificando nos últimos dois anos em vários países, como consequência da reacção imperial face à saudável experiência dos povos

sexta-feira, 22 de junho de 2012

UMA REFLEXÃO IMPORTANTE(III)

Para que não se percam os frutos da civilização (Final)
 Manuel Raposo [*]
VII Último argumento.

Arrisco afirmar que a ideia axial que percorre a obra de Karl Marx é a de que o capitalismo é perecível, não é eterno – que é uma formação social com um papel histórico limitado e portanto também com um tempo de vida determinado. O papel histórico é socializar o trabalho, libertar os produtores da propriedade – enfim, "fazer crescer sem freio e em progressão geométrica a produtividade do trabalho humano".

É fácil ver na evolução do último século a larguíssima socialização do trabalho, a extensíssima abolição da propriedade individual em todo o globo e o aumento colossal da produtividade do trabalho. Isso, sem dúvida, aproximou a humanidade do socialismo, colocando-nos hoje muito adiante daquilo que era o mundo, por exemplo, em 1917.

O que já não é tão fácil é prever o tempo de vida do capitalismo, porque isso não depende apenas do descalabro do sistema; depende decisivamente, das forças sociais que se decidam a pôr-lhe termo.

Mas o desenrolar da crise tem o condão de ajudar a rasgar os véus com que a sociedade burguesa se recobre e de pôr à vista a natureza da sua dominação classista.

O que é que a crise põe à vista?

Põe à vista o Estado, não como árbitro dos conflitos sociais, ou como expressão de um suposto interesse colectivo, nacional – mas como instrumento de uma classe;

Mostra a democracia, na realidade, como uma plutocracia de que as massas populares estão inteiramente arredadas; como uma ditadura da burguesia que assume feições cada vez mais totalitárias;

Mostra a classe capitalista, toda ela, com um único plano para aliviar a crise – que consiste em explorar mais eficazmente as classes trabalhadoras;

Mostra que a condição de uma eventual recuperação económica é a destruição de meios de produção, seja pela gradual desvalorização do capital, seja pela violência da guerra;

Mostra em plena acção a lei geral da acumulação capitalista, visível na criação de uma massa crescente de desempregados e de marginalizados e no aumento da pobreza;

Mostra que o tempo ganho pela sociedade graças ao aumento da produtividade não se traduz em menos tempo de trabalho obrigatório, mas sim na irracionalidade de mais desemprego e maior grau de extorsão dos trabalhadores em actividade;

Mostra ainda a acção concertada das burguesias por cima dos limites nacionais, mostra a semelhança dos problemas sofridos pelas massas trabalhadoras dos diferentes países – e mostra portanto a falta que faz, da banda dos proletários, um internacionalismo que vá para lá da mera solidariedade moral e se traduza numa efectiva coordenação prática das acções de resistência.

O esclarecimento e a mobilização das massas proletárias não podem passar ao lado destes factos. Eles são os elementos educativos por excelência que a realidade prática nos fornece para mostrar o limite a que chegou este sistema social e o absurdo que é prolongar o seu tempo de vida.

De resto, se bem percebo o sentimento que os trabalhadores têm a respeito do mundo em que vivem, não é a confiança no capitalismo que os leva a aceitá-lo – é antes a noção resignada de que não há alternativa viável que o substitua, e sobretudo de que não há força que o possa deitar abaixo.

Ora, na linha do marxismo revolucionário, a tarefa não é reabilitar ou remendar o capitalismo, mas desacreditá-lo aos olhos do proletariado.

Atacar as bases do mundo capitalista não é, sobretudo nas circunstâncias actuais, uma ideia desgarrada da realidade quotidiana. Ao contrário, é a condição de estimular e reunir as forças de classe dos trabalhadores e de os levar a encarar a necessidade de construir um mundo conduzido por regras opostas às do mundo capitalista.

Que o burguês não veja a crise para além do défice, da dívida, da quebra do lucro, da falta de crédito e dos remédios correspondentes para esse tipo de males – está certo. Mas que os proletários vejam as coisas pelo mesmo prisma – está errado.

O proletariado já teve de fazer muitos sacrifícios por causas alheias. Chegou a altura de afirmar a sua própria causa.

Propor ao proletariado a saída do círculo de giz do capitalismo – é esse, a meu ver, o papel do comunismo marxista.
Notas
(1) Carta de Karl Marx a Pavel V. Annenkov, Marx-Engels Obras Escolhidas, Tomo I, p. 546. Edições "Avante!", Lisboa – Edições Progresso, Moscovo, 1982.
(2) Idem, p. 553.
(3) Karl Marx, Miséria da Filosofia . Prefácio de F. Engels à 1.ª edição alemã, p. 20. Edições "Avante!". Lisboa, 1991.
(4) Karl Marx, O Capital, Livro III, p. 1772. Éditions Gallimard, 1963 e 1968.
(5) Claude Bitot, Inquérito ao capitalismo dito triunfante . Edições Dinossauro, Lisboa, 1996.
(6) Tom Thomas, A crise crónica ou o estádio senil do capitalismo. Edições Dinossauro, Lisboa, 2007.
Marx admite uma situação de sobreprodução absoluta de capital nestes termos: "uma sobreprodução que afectaria não este ou aquele domínio ou alguns domínios importantes da produção, mas seria absoluta pela sua própria amplitude e englobaria portanto todos os domínios da produção". Karl Marx, O Capital, Livro III, p. 1595. Éditions Gallimard, 1963 e 1968.
(7) Andrew Kliman, The failure of capitalist production, Pluto Press, London, 2012.
(8) Karl Marx, O Capital , Livro III, tomo I, p. 274. Éditions Sociales, Paris, 1969. (Passagem redigida por Engels sobre notas de Marx).
(9) Em 1970, na média dos seis maiores da OCDE (França, Itália, Grã-Bretanha, RFA, EUA e Japão), representava quase 40% da população activa total. C. Bitot, o. c.
(10) No conjunto dos 25 países da OCDE o desemprego foi de uns 11 milhões entre 1950 e 1974, e de 1974 até final do século saltou para 35 milhões, acompanhando o enorme incremento do capital fixo. C. Bitot, o. c.
(11) O valor do capital fixo investido por posto de trabalho, em França, era em 1950 inferior a 100 mil francos; em 1990, era superior a 1 milhão de francos, isto é, 10,4 vezes mais. Em comparação, de 1890 a 1950 a diferença não passou de 3,7 vezes mais. C. Bitot, o.c.
(12) O emprego no terciário em França, Itália, Grã-Bretanha, RFA, EUA e Japão representava, na média dos seis países, as seguintes percentagens da população activa: em 1960, 43,9%; em 1970, 49,2%; em 1990, 65,5%. C. Bitot, o.c. Em Portugal, o terciário representava 27,5% em 1960 e 51,3% em 1991. Elísio Estanque, A classe média: ascensão e declínio. FFMS, Lisboa, 2012.


[*] Intervenção no
Congresso Marx em Maio – Perspectivas para o século XXI, 3-5/Maio/2012, Faculdade de Letras, Lisboa.

Este artigo encontra-se em
http://resistir.info/

OS AMIGOS DO FASCINORA E DITADOR STROESSNER QUEREM VOLTAR




 CONTRA O MOVIMENTO GOLPISTA DA DIREITA PARAGUAIA E DO IMPERIALISMO

 (Nota Política do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público denunciar a tentativa de golpe branco que se desenvolve nos últimos dias no Paraguai e que tem, como próximo passo, a reunião do Senado daquele país que se realizará a toque de caixa nesta sexta-feira para, segundo fontes do próprio movimento golpista, "impedir que apoiadores do presidente cheguem a Assunção".
O que ocorre no país vizinho é mais uma tentativa de derrubar o governo do presidente Lugo, eleito em processo legítimo e democrático, como produto da esperança das massas populares por mudanças sociais.
A proposta de impedimento encaminhada ao Senado do Paraguai, após votação na Câmara, responsabiliza o presidente pelo recente conflito armado entre camponeses sem terra e as forças de repressão estatal.
Essa "acusação" é escandalosa e cínica, pois na verdade são esses próprios parlamentares e suas bases de sustentação os verdadeiros responsáveis por tal situação, após décadas de ditadura e roubo de terras públicas para favorecer a oligarquia. Manipulam o golpe, tentando passar a impressão de que se trata de uma medida dentro da lei.

O PCB - apesar de considerar que o presidente está sendo vítima de sua própria conciliação e vacilação em impulsionar o processo de mudanças com o respaldo do movimento de massas - vem a público se juntar aos trabalhadores paraguaios e ao povo em geral neste importante momento de sua história.
A tentativa de golpe - levada a efeito pelos setores mais reacionários e pró-imperialistas da burguesia paraguaia - conta certamente com o apoio da embaixada norteamericana, a maior de toda a América do Sul.
Não temos dúvida de que o golpe, além de interessar à oligarquia paraguaia, se insere na ofensiva do imperialismo norteamericano para aumentar sua presença militar na América Latina, criando condições para viabilizar sua aspiração de criar uma base militar na tríplice fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai).

Partido Comunista Brasileiro - PCB
Secretariado Nacional