terça-feira, 21 de agosto de 2012

RACISMO EXPLÍCITO NA FOLHA DE SÃOI PAULO

                          COTAS: BASTA DE RACISMO

Artigo assinado por Luiz  Felipe Pondé “Basta! Na Folha de São Paulo (20 de agosto 2012) é um alerta à população negra para ficar atenta de que os racistas empedernidos continuam à solta insultando , menosprezando e perseguindo o nosso povo. O racista Luiz Felipe Pondé diz, textualmente, que é um “ tipo de praga” ....” cotas de 50% nas universidades federais para índios, negros e pobres” e que “ nós,  contribuintes não podemos nos defender dessa lei das cotas”. Negros e índios para esse nazi-fascista são pragas. E ele tem a desfaçatez, a cara-de-pau de dizer que a lei das cotas “ é uma das assinaturas do fascismo em nossa época”. Fascista é Luiz Felipe Pondé que se aproveita do privilégio de ter uma coluna numa mídia conservadora que não nos dá esse mesmo espaço para nos pronunciar.; para nos atacar. Espero que a tão decantada  liberdade de expressão apregoada pelos donos de jornais rádios e tvs, seja respeitada e publiquem essa nossa manifestação.
“ O fascismo não morreu...” diz Pondé em seu artigo; claro que não morreu, tanto é que permitem manifestações nazi-fascistas e racistas como o artigo Basta. Por que esse ódio contra os negros, os índios e os pobres! Negros e pobres trabalhadores também pagam impostos, já descontados na fonte e nada recebem em troca. A universidade pública há muito está privatizada, a serviço das elites cujos filhos estudam nos melhores colégios e frequentam caros cursinhos. Basta...Basta, sim de raivosos racistas e nazifascistas enrustidos!
Engº Agrº e Jornalista  Valdir Izidoro Silveira
Presidente do Instituto AfroBrasileiro do Paraná
RG: 4336469-3-SSP-PR


              

CÓDIGO FLORESTAL: RISCOS DE RETROCESSO

                CÓDIGO FLORESTAL: MEDIDA PROVISÓRIA 571 E O RISCO DE REROCESSO

Alguns ruralistas atrasados, encabeçados pela senadora Katia Abreu e apaniguados por uma bancada ruralista eleita com o apoio financeiro deste segmento querem promover o retrocesso ao nosso Código Ambiental. Querem acabar com a proteção às APPs nas margens dos rios não perenes. Esses carrascos do meio ambiente estão dando um tiro no pé porque também perdem com a ampliação dos desmatamentos. Alguns sectários ruralistas e seus lacioas no congresso nacional , antes atacavam as florestas. Agora, querem acabar com as águas; esse bem mais precioso da vida. Sem água, não há produção, não há vida.
É intolerável, inadmissível essa gana insana de acabar com a proteção a rios temporários, ampliando o desmatamento, comprometendo a produção.  O mundo está procurando outro modelo de produção e alguns irresponsáveis insistem em nos colocar na vanguarda do atraso.
Precisamo derrotar  os que têm os votos do atraso. Os ladrões, os assassinos da natureza querem rever o que já estava decidido.  Segundo o senador Jorge Viana “ A desproteção a rios temporários nunca foi tentada e o dispositivo que garantia as APPs estava no texto original aprovado na câmara, no Senado e consta da MP 571. A turma do correntão e da motosserra, anteriormente queriam legalizar áreas desmatadasa ilegalmente como consolidadas. Agora, querem ampliar os desmatamentos. A Presidenta Dilma, que já deu demonstração  de determinação, precisa ser firme.  Se as regras, mínimas e básicas, ambientais  continuarem a serem desrespeitadas, violentadas, enfim rasgadas, todos perderão, inclusive os produtores rurais os quais alguns farsantes dizem defender.   

MILHO TRANSGENICO NÃO RESISTE A SECA

A QUEBRA DA SAFRA DE MILHO NOS EUA, A AVICULTURA E A SUINOCULTURA  BRASILEIRA

Toda a cadeia produtiva está sendo fragilizada pela quebra da produção do milho nos EUA. Primeiramente vamos fazer uma pequena digressão sobre as perdas do milho causada pela “seca”. É preciso que todos saibam que essa quebra do milho não resistente  a quaisquer variações de altas temperaturas é uma característica do milho transgênico que tras na sua bagagem genética um princípio ativo semelhante aos dessecantes muito usados na década de setenta na cultura da batata. A resistência ao glifosato, veneno poderoso que circula na seiva do milho transgênico, faz com que a planta fique menos resistente a seca; coisa que não acontece com as espécies convencionais. A Basf, a Syngenta e a Monsanto não falam sobre isso; escondem do produtor. Por que¿ Porque essas multinacionais sempre ganham, sejam quais forem as situações. Vendem seu “pacote tecnológico”(¿) veneno e semente; controlam toda a cadeia de comercialização de grãos através dos seus parceiros de negócios Bunge, Cargill, Dreifus e outras treidinguis que, por incompetência e ou outras razões inconfessas, lhes entregam a preços módicos toda a produção de milho e soja. Não conseguimos entender, ainda,  porquê o sistema cooperativista do sul do país age assim! Tem a força da produção nas mãos e estão reféns dos grandes “ gigantes” e comerciantes dos grãos. Quando ocorrem fenômenos climáticos adversos, como agora acontece com o milho, eles jogam como querem, dão as cartas a seu bel prazer porque tem nas mãos a grande maioria dos estoques. Ai o preço vai às nuvens e a cadeira produtiva da avicultura e suinocultura sofre amargamente. Isso lhes beneficia porque o milho e a soja são exportados para a matriz – EUA-, que terá a sua disposição as matérias primas necessárias para os setores avícolas, bovinos e suínos, a preços compatíveis com seus custos, Aos aliados beócios do agronegócio multinacional ficam as perdas, o fechamento de abatedouros, o desemprego e o desespero dos agricultores integrados. As lideranças da agropecuária estão na linha do dito popular: “ cego é aquele que não quer ver”! Ou será que estão sendo pagos para não ver!

REINO UNIDO E EUA: OS PIRATAS DO SÉCULO XXI

O Reino Unido como "estado canalha"

REINO por Atilio A. Boron [*]
A partir de fins do século passado, ganhou crescente aceitação na opinião pública internacional a expressão "estado canalha". Incentivado pela máquina propagandística norte-americana, o conceito tinha como objetivo satanizar os países hostilizados por Washington, com a evidente intenção de justificar as agressões do império. Nesta lista estavam inclusos Afeganistão, Coreia do Norte, Cuba, Iraque, Irã, Líbia, Sérvia-Montenegro, Sudão e Síria. Atualmente, a listagem se reduziu a cinco países, porque graças às políticas de promoção de "mudanças de regime" (eufemismo para evitar dizer "intervenção aberta dos EUA"), Afeganistão, Iraque, Líbia e Sérvia-Montenegro foram incorporados à categoria de nações democráticas. O Sudão, por sua vez, foi dividido em dois e a região rica em petróleo se converteu em Sudão do Sul. O resto continua sendo um "estado canalha".

Porém, as reviravoltas da história ou a "astúcia da razão" hegeliana fizeram com que hoje esse termo se volte contra seu criador. Os estigmatizados o eram por sua pretensa violação aos direitos humanos, seu apoio ao terrorismo e suas armas de destruição maciça constituíam ameaças letais à comunidade de nações. Cuba, a maior exportadora mundial de professores e médicos permanece nessa lista da infâmia até os dias de hoje! Em síntese, eram governos que violavam a legalidade internacional e, por isso mesmo, a obrigação dos Estados Unidos e seus aliados era acabar com esse flagelo. No entanto, fora dois eminentes intelectuais norte-americanos, Noam Chomsky e William Blum, e um cineasta, Oliver Stone, que desconstruíram o argumento da Casa Branca ao fundamentar as razões pelas quais o principal "estado canalha" do planeta e a maior ameaça terrorista à paz mundial não era outro senão os Estados Unidos.

O Reino Unido não fica atrás como "estado canalha". Nos últimos tempos fez mais que o suficiente para dividir o pódio com seu descendente do outro lado do Atlântico. A evidência é espantosa e se algo faltava às suas reiteradas manifestações de desprezo perante a legalidade internacional, representada pelas resoluções da Assembleia Geral e o Comitê de Descolonização das Nações Unidas, no caso das Ilhas Malvinas (bem como em mais outros 9 casos, totalizando 16), a atitude de Londres em relação à Julian Assange acaba com qualquer dúvida sobre o assunto. Seria possível afirmar que, com a gestão de David Cameron, o Reino Unido se converteu em um autêntico "violador em série" de leis e tratados internacionais.

Bravatas, como o envio do destróier Dauntless às Malvinas, empalidecem diante da denúncia do chanceler equatoriano Ricardo Patiño afirmando que o governo britânico transmitiu a Quito uma "ameaça expressa e por escrito de que poderiam assaltar nossa Embaixada do Equador em Londres caso não entregassem Julian Assange". O Secretário de Assuntos Estrangeiros do RU ratificou, posteriormente, essa ameaça que viola a Convenção de Viena, onde se estabelece a inviolabilidade das sedes diplomáticas (extensiva à residência dos embaixadores, automóveis das embaixadas e às bagagens diplomáticas), coisa que nem os sanguinários ditadores como Jorge R. Videla e Augusto Pinochet atreveram a desrespeitar. Basta lembrar que o ex-presidente Héctor Cámpora ficou refugiado na embaixada do México em Buenos Aires durante cinco anos e, quando obteve asilo político, saiu do país sem ser molestado. No entanto, Londres assegurou, ainda que o Equador já tenha concedido o asilo a Assange, não o deixará sair da embaixada.

Assim, transgride o que explicitamente estabelece a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados que o próprio RU assinou, descumprindo na prática com sua desobediência. É que o delito cometido por Assange tornou-se imperdoável ao tornar pública a corrupção e os crimes cometidos e mantidos em segredo pelo império. Em consequência, os Estados Unidos vem mobilizando suas forças a nível mundial para acossá-lo, ainda que seja violando todas as leis e tratados internacionais e atropelando todas as liberdades e direitos humanos, para dar a ele o castigo que merece.

A imprensa hegemônica de todo o mundo aplaude a "coragem de Londres". É que o RU é um dócil peão da estratégia imperial, como também o é o atual governo sueco e, pior ainda, o da Austrália, país do qual é oriundo Assange e que, de maneira escandalosa, ignorou o caso. Claro, em novembro de 2011, Barack Obama anunciou que enviaria uma tripulação de 2.500 marines a uma nova base a ser inaugurada em Camberra, na Austrália, como primeiro passo de uma estratégia muito mais ambiciosa para conter o "expansionismo chinês" nesse país. Diante disso, como poderia o governo australiano preocupar-se com a sorte do atualmente mais famoso de seus cidadãos?
17/Agosto/2012

[*] Sociólogo, professor universitário, argentino.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

LATIFUNDIÁRIOS BRASILEIROS APOIARAM O GOLPE NO PARAGUAI



As mentiras paraguaias das elites brasileiras

20.Ago.12
O destacado dirigente do MST brasileiro põe os pontos nos ii acerca das razões do entusiástico alinhamento da grande burguesia brasileira com o golpe de Estado que depôs o Presidente Lugo: “O maior conflito do Paraguai é reaver a terra usurpada por fazendeiros brasileiros. O país vizinho “cedeu” a estrangeiros 25% do seu território cultivável.”
Mal havia terminado o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo e flamantes porta-vozes da burguesia brasileira saíram em coro a defender os golpistas.
Seus argumentos eram os mesmos da corrupta oligarquia paraguaia, repetidos também de forma articulada por outros direitistas em todo continente. O impeachment, apesar de tão rápido, teria sido legal. Não importa se os motivos alegados eram verdadeiros ou justos.
Foram repetidos surrados argumentos paranoicos da Guerra Fria: “O Paraguai foi salvo de uma guerra civil” ou “o Paraguai foi salvo do terrorismo dos sem-terra”.
Se a sociedade paraguaia estivesse dividida e armada, certamente os defensores do presidente Lugo não aceitariam pacificamente o golpe.
Curuguaty, que resultou em sete policiais e 11 sem-terra assassinados, não foi um conflito de terra tradicional. Sem que ninguém dos dois lados estivesse disposto, houve uma matança indiscriminada, claramente planejada para criar uma comoção nacional. Há indícios de que foi uma emboscada armada pela direita paraguaia para culpar o governo.
Foi o conflito o principal argumento utilizado para depor o presidente. Se esse critério fosse utilizado em todos os países latino-americanos, FHC seria deposto pelo massacre de Carajás. Ou o governador Alckmin pelo caso Pinheirinho.
O Paraguai é o país do mundo de maior concentração da terra. De seus 40 milhões de hectares, 31.086.893 ha são de propriedade privada. Os outros 9 milhões são ainda terras públicas no Chaco, região de baixa fertilidade e incidência de água.
Apenas 2% dos proprietários são donos de 85% de todas as terras. Entre os grandes proprietários de terras no Paraguai, os fazendeiros estrangeiros são donos de 7.889.128 hectares, 25% das fazendas.
Não há paralelo no mundo: um país que tenha “cedido” pacificamente para estrangeiros 25% de seu território cultivável. Dessa área total dos estrangeiros, 4,8 milhões de hectares pertencem a brasileiros.
Na base da estrutura fundiária, há 350 mil famílias, em sua maioria pequenos camponeses e médios proprietários. Cerca de cem mil famílias são sem-terra.
O governo reconhece que desde a ditadura Stroessner (1954-1989) foram entregues a fazendeiros locais e estrangeiros ao redor de 10 milhões de hectares de terras públicas, de forma ilegal e corrupta. E é sobre essas terras que os movimentos camponeses do Paraguai exigem a revisão.
Segundo o censo paraguaio, em 2002 existiam 120 mil brasileiros no país sem cidadania. Desses, 2.000 grandes fazendeiros controlam áreas superiores a mil ha e se dedicam a produzir soja e algodão para empresas transnacionais como Monsanto, Syngenta, Dupont, Cargill, Bungue…
Há ainda um setor importante de médios proprietários, e um grande número de sem-terra brasileiros vivem como trabalhadores por lá. São esses brasileiros pobres que a imprensa e a sociologia rural apelidaram de “brasiguaios”.
O conflito maior é da sociedade paraguaia e dos camponeses paraguaios: reaver os 4,8 milhões de hectares usurpados pelos fazendeiros brasileiros. Daí a solidariedade de classe que os demais ruralistas brasileiros manifestaram imediatamente contra o governo Lugo e a favor de seus colegas usurpadores.
O mais engraçado é que as elites brasileiras nunca reclamaram de, em função de o Senado paraguaio sempre barrar todas as indicações de nomes durante os quatro anos do governo Lugo, a embaixada no Brasil ter ficado sem mandatário durante todo esse período.
JOÃO PEDRO STEDILE, 58, economista, é integrante da coordenação nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e da Via Campesina Brasil

A POLITICA DA PIRATARIA CONTRA O EQUADOR


TODA A AMÉRICA LATINA APOIA O EQUADOR
O Conselho de Ministros e Ministras de Relações Exteriores da UNASUL, reunido em Guayaquil, manifestou a sua solidariedade e apoio à soberania do Equador na sua declaração de 19 de Agosto. Por sua vez, o IX Conselho Político Extraordinário da Aliança Bolivariana emitiu dia 18 uma declaração sobre "a inviolabilidade da missão diplomática do Equador em Londres e de apoio ao direito soberano de conceder asilo diplomático ao cidadão Julian Assange" . Reforça-se assim a rede de solidariedade perante a prepotência do Foreign Office britânico, que ameaça invadir a Embaixada do Equador com tropas de assalto. A arrogância do governo britânico para com o Equador está na mesma proporção do seu servilismo para com o amo de Washington.

A Declaração do Governo da República do Equador sobre a solicitação de asilo de Julian Assange é uma peça de rigor jurídico, lucidez e dignidade. Finalmente foi concedido asilo a um dos maiores expoentes do jornalismo de todos os tempos e isso é motivo de alegria para todos os que consideram que a liberdade de informação é mais do que as notícias pasteurizadas servidas pelos media empresariais. As perseguições monstruosas contra Assange, orquestradas pelo imperialismo com base em pretextos ridículos, receberam assim a resposta merecida e digna. Agora é preciso que o governo britânico dê o salvo-conduto necessário para a saída de Assange rumo ao Equador.
O governo Cameron poderá ser renitente, tal como o foi governo salazarista com o General Humberto Delgado. Este, durante longos meses teve de permanecer na Embaixada do Brasil em Portugal, impedido de ir para o Brasil. Foi graças à firmeza do Embaixador Álvaro Lins e à correcção do governo brasileiro da altura que a sua saída foi possível.
A primeira batalha, a concessão do asilo, está ganha. Agora falta a segunda.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MERCOSUL, VENEZUELA E LUTA DE CLASSES

Mercosul, Venezuela e luta de classes
(Nota Política do PCB)
A recente entrada da Venezuela no Mercosul – pedida, oficialmente, ainda em 2006, por aquele país – além de alterar profundamente a estrutura, o funcionamento e o potencial econômico do bloco, pode representar uma virada nas relações políticas e econômicas entre os países da América Latina e tem repercussões diretas na luta de classes.
                                                                  
O Mercosul foi criado, em 1991, com a assinatura do “Tratado de Assunção”. O Tratado foi assinado sob a influência da herança de governos ditatoriais recém findos nos países signatários e seu “entulho” autoritário, que incluía acordos assinados e não assinados que favoreceram a repressão e beneficiaram segmentos das respectivas burguesias, como no caso das terras de brasileiros no Paraguai. A criação do Mercosul se deu no início de uma década de fortíssima hegemonia neoliberal, refletindo, assim, as políticas de governo então predominantes.

Foi criado um mercado comum, para bens e serviços e, naquele ano, o comércio do Brasil com os demais membros do bloco alcançou a cifra de 4,5 bilhões de dólares, tendo atingido, em 2010, a casa de 39,2 bilhões (com superávit de 6 bilhões para o Brasil). O bloco mantém, ainda, como Estados Associados, desde 2004 – com direito a algumas regalias – o Chile, o Peru, a Bolívia, a Colômbia, o Equador e a Venezuela, esta agora como membro pleno.

Com a exceção de Brasil e Argentina, que apresentam alguma complementariedade nas estruturas produtivas e são de porte relativamente próximo – o PIB da Argentina equivale a pouco mais de 1/3 do PIB brasileiro –, as desproporções econômicas e sociais entre estes dois países, Uruguai e Paraguai são imensas. Some-se a este fator a falta de tradição em planejamento – interno e internacional –, nos planos econômico e social, as grandes diferenças nas leis, outras dificuldades e a história recente de grande instabilidade política no Paraguai.

Ganharam, com o Mercosul, as grandes empresas, que puderam especializar suas linhas de produção e ampliaram seus mercados e que puderam, no caso dos grupos brasileiros e argentinos, pagar salários aviltados com a entrada de muitos imigrantes uruguaios e paraguaios (e dos demais países vizinhos), obtendo, assim, maior exploração da força de trabalho. Ganhou a burguesia, cujos interesses estavam representados nos respectivos governos.

Por outro lado, com o tempo, houve um certo amadurecimento nas relações entre os membros do bloco, consolidou-se o Conselho do Mercado Comum, seu órgão superior, e outras instâncias administrativas. Muitas dificuldades foram superadas. Pode-se afirmar que a existência do Mercosul fortaleceu os países membros no campo da política internacional e, de certa forma, reduziu a vulnerabilidade das economias da região à crise e às oscilações das economias mais fortes do sistema, como a européia e a norteamericana.

A entrada da Venezuela, como declarou, recentemente, o presidente Mujica, do Uruguai, não se deu por motivações de governantes, mas sim por razões de Estado, em que pesem as diferenças significativas nas visões políticas presentes nos atuais governos. O Mercosul forma agora um bloco de quase 270 milhões de habitantes, com um PIB conjunto de cerca de 2,8 trilhões de dólares, capaz de enfrentar, em melhores condições, como um pólo econômico e político mais forte, as disputas políticas no plano internacional e as dificuldades do mercado mundial.

É certo que o Mercosul segue existindo como uma forma de organização da exploração capitalista e que, na condução do bloco, predominam os interesses dos grandes grupos econômicos capitalistas, em especial os interesses das grandes empresas brasileiras, de diversos setores, incluindo desde as grandes construtoras, a indústria de bens de consumo duráveis e muitos outros. É certo que esta tenha sido a principal motivação do Brasil e seu governo social-liberal para apoiar a entrada da Venezuela, além  do reforço das pretensões hegemonistas brasileiras na região.

Mas, ao mesmo tempo, abre-se o espaço para o combate aos golpes de Estado, amplia-se o leque de possibilidades para que governos progressistas, como os da Venezuela, Bolívia e do Equador, possam também se fortalecer para enfrentar as ameaças de boicotes econômicos, intervenções e agressões armadas que caracterizam a política dos EUA para a América Latina. Estando no Mercosul, a Venezuela não mais dependerá comercialmente da Colômbia, um estado terrorista, o maior aliado do imperialismo norte-americano na América do Sul.

A hora é de propor a entrada do Brasil na ALBA, para, fortalecendo-se esta iniciativa, sejam reforçados seus aspectos antiimperialistas e sejam criadas as condições para uma integração soberana de todos os países latinoamericanos, rompendo de vez com o isolamento imposto a Cuba pelos Estados Unidos e apontando para a sua transformação num grande bloco comum latinoamericano. O momento exige a proposição de   bandeiras de luta comuns aos trabalhadores de todos os países da região, exige o acirramento da disputa pela hegemonia ideológica e política no plano continental, apontando para a superação do capitalismo.
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional