sexta-feira, 29 de agosto de 2014

TRANSGÊNICOS PARA QUEM? (3)


 

2 CIÊNCIA PRECAUCIONÁRIA COMO ALTERNATIVA AO REDUCIONISMO CIENTÍFICO APLICADO À BIOLOGIA MOLECULAR

Rubens Onofre Nodari

Introdução

O século 20 foi marcado por muitos fatos. Um deles foi o aumento da manipulação do mundo físico com o avanço científico  tecnológico. Particularmente na área da biologia, a influência de físicos da visão reducionista promoveu uma verdadeira corrida para transformar uma ciência complexa e plena de interações em poucas e fortes forças. Um dos resultados foi o avanço tecnológico.

Outro foi a grande contribuição que essas tecnologias promoveram para o desastre ambiental que estamos presenciando. O reducionismo como método científico consiste em decompor o todo em suas partes constituintes, até suas últimas e menores partes possíveis. Tradicionalmente, o reducionismo determinista vai mais longe, pois isola do ambiente exterior estas menores partes, que compõem um todo, além de lhes atribuir propriedades e poderes, tais como explicar fenômenos complexos ou ser solução para problemas globais centenários.

Há muitos exemplos de reducionismo científico, mas apenas dois deles serão objeto de análise deste artigo: o poder e as propriedades dados ao DNA1 e o uso da tecnologia do DNA recombinante (também chamada de engenharia genética) como ferramenta de soluções de muitos problemas.

O início da biologia molecular e a engenharia genética

As técnicas do DNA recombinante foram desenvolvidas no início dos anos 1970, decorrentes de visões, técnicas e descobertas da biologia molecular. Por sua vez, uma significativa parte dabiologia molecular, teve seu desenvolvimento muito antes, baseado na visão reducionista e determinística de Max Mason e Warren Weaver, da Rockefeller Foundation (REGAL, 1996). Hoje, consegue-se entender que esses pesquisadores usaram os recursos financeiros e políticos da Rockefeller Foundation para tornar moda e promover uma nova filosofia e novas práticas para a biologia.

Segundo Philip Regal, esta nova biologia deveria ser baseada em agendas filosoficamente reducionistas, já sugeridas anteriormente por Hermann Muller e Jacques Loeb. Para esta visão, a biologia deveria tornar-se “a química do gene”.

Para tanto, Max Mason e Warren Weaver refugiaram-se da física quântica. Eles transplantaram os sonhos reducionistas/ deterministas que consideravam ser “ciência verdadeira” para a nova biologia. Assim, eles não somente patrocinaram técnicas analíticas novas e poderosas para encontrar e caracterizar o material hereditário. Também encorajaram a comunidade científica a usar o reducionismo/determinismo e termos utópicos nos discursos quando da submissão de projetos (ABIR-AM, 1987; REGAL, 1989). Desde então, dois grupos principais de cientistas biologistas se formaram. O primeiro grupo, de cientistas biológicos tradicionais, caracteriza-se por ter uma visão holística e realiza investigações em estrutura, fisiologia, evolução, comportamento, adaptação e ecologia, entre outros, de diversas formas de vida. A concepção intelectual e filosófica baseia-se nos anatomistas, melhoristas, naturalistas e fisiologistas dos séculos 18 e 19, que estudavam os organismos em seus hábitats naturais e nos laboratórios (REGAL, 1996), ou seja, a pesquisa científica pode ser conduzida sob um pluralismo de estratégias, não apenas aquelas que se encaixam na abordagem descontextualizada, mas outras que permitem investigação empírica que levam completamente em conta as dimensões ecológicas, experimentais, sociais e culturais de fenômenos e práticas (como a agroecologia). Esta é a reivindicação do pluralismo metodológico (LACEY, 2005).

O segundo grupo, formado por biólogos moleculares, conduz pesquisas na natureza química da genética e síntese de proteínas, e prometem que um dia a biologia tradicional tornar-se- á obsoleta e a biologia será reconstruída por eles. As raízes da concepção intelectual remontam, em sua grande parte, na química e na física. Estes cientistas advogam que usam a “verdadeira estratégia para estudar a vida” (REGAL, 1996). Também advogam que o conhecimento reside nos argumentos reducionistas e que desenvolvem conhecimento relacionado à química da substância básica da vida. Neste caso, essas metodologias descontextualizam os fenômenos, ignorando os seus contextos ecológicos, sociais e humanos, e (no caso dos fenômenos biológicos e humanos) os reduzem às suas estruturas e aos seus mecanismos físico-químicos subjacentes (LACEY, 2005). O autor chama-as de metodologias descontextualizadas/reducionistas.

Pelo sonho da filosofia reducionista espera-se que um dia todo o conhecimento seja unificado e reduzido a conceitos das ciências físicas e limitado a simples modelos determinísticos preditivos que permitirão o controle da natureza física, orgânica e humana. Para tal, esta tentativa inclui a redução das ciências sociais à biologia e esta à química, que por sua vez será reduzida à física, que, sim, pode prever precisamente, com simples modelos determinísticos, todos os níveis da vida e sua organização.

Esta filosofia reducionista foi difundida em muitas partes do mundo. Os laboratórios apoiados pela Rockefeller Foundation não estavam só nos Estados Unidos. Para citar apenas um país fora os Estados Unidos, três casos foram detalhadamente estudados na Inglaterra: fisiologia celular, no Molteno Institute em Cambridge; estrutura de proteínas, no Cavendish Laboratory, também em Cambridge; e biofísica, no King’s College, Londres. Todos estes estiveram ligados ao surgimento da biologia molecular e ilustram os impactos e os limites da filantropia na inovação científica (ABIR-AM, 2002).

Sistematicamente, desde há muito tempo, os promotores e praticantes do reducionismo/determinismo prometeram determinar a estrutura do gene e usar esta informação para corrigir problemas sociais e morais, incluindo crime, pobreza, fome e instabilidade política. Nesse contexto da teoria reducionista, seria lógico que problemas sociais poderiam simplesmente ser reduzidos a problemas biológicos e, assim, corrigidos por meio de manipulações de DNA, órgãos e solo, por exemplo.

Dentre os muitos, dois exemplos são emblemáticos de que o reducionismo/determinismo não resolve os problemas da humanidade. O primeiro refere-se às promessas sequenciais de resolver problemas de saúde humana com o uso de técnicas de biologia molecular. O segundo é o não cumprimento da promessa de diminuir a fome do mundo com a produção de plantas transgênicas, uma das aplicações da engenharia genética.

FORA COM OS ABUTRES DA EXPLORAÇÃO

                                                     
                                           Iván Lira

O TERRORISMO DOS EUA NA ÁFRICA


EUA vão financiar força militar africana

Carlos Lopes Pereira



A promessa de milhões de dólares de investimentos em África e a certeza do reforço da ingerência militar norte-americana no continente africano. Estes foram os principais resultados da primeira cimeira Estados Unidos-África, este mês, em Washington.


A promessa de milhões de dólares de investimentos em África e a certeza do reforço da ingerência militar norte-americana no continente africano. Estes foram os principais resultados da primeira cimeira Estados Unidos-África, este mês, em Washington.
Participaram quase 50 dirigentes africanos. Só não foram convidados os presidentes Robert Mugabe, do Zimbabwé, Omar el-Béchir, do Sudão, e Issayas Afewerki, da Eritreia, que os anfitriões consideram não serem suficientemente democratas… E também a presidente Catherine Samba-Panza, da República Centro-Africana, «suspensa» pela União Africana devido à guerra civil que devasta o país após a intervenção militar francesa. Faltaram os presidentes Ellen Sirleaf, da Libéria, e Ernest Koroma, da Serra Leoa, retidos pelo avanço da epidemia de ébola. Não marcaram igualmente presença José Eduardo dos Santos, de Angola, Mohamed VI, de Marrocos, Abdelaziz Bouteflika, da Argélia, e Abdel al-Sissi, do Egipto. Mas todos enviaram representantes. Para além de um faustoso banquete na Casa Branca, de vistosos cortejos automóveis, das sessões de fotos do casal Obama com os sorridentes chefes de estado e esposas, a cimeira abordou questões de governação, segurança e negócios.Como refere a revista Jeune Afrique, Barack Obama não se esqueceu de evocar as suas origens africanas mas deixou para o vice-presidente Joe Biden e o secretário de Estado John Kerry as «lições» sobre democracia e direitos humanos, sobre «boa governança, transparência e luta contra a corrupção».
Os negócios, naturalmente, também fizeram parte da agenda da cimeira de Washington. Os responsáveis africanos insistiram na necessidade de prolongar o African Growth and Opportunity Act, que facilita as exportações de produtos manufacturados de África para os EUA. Nessa e em outras matérias, Obama precisa do aval do Congresso, que não controla. O que não o impediu de anunciar acordos comerciais e investimentos (sobretudo no sector energético) no valor de 37 mil milhões de dólares, até 2020. Só uma parte dessas verbas sairá do orçamento federal, já que o essencial será financiado por instituições multilaterais e por grupos privados. Os EUA pretendem deste modo recuperar o atraso nas relações económicas com «uma das regiões mais dinâmicas do mundo», a África, onde a China se tem afirmado como parceiro privilegiado que não impõe condições aos governos e não explora os povos. Reflexo desta competição, na última década as trocas EUA-África duplicaram e em 2013 atingiram 63 mil milhões de dólares. Mas, no mesmo período, o comércio China-África cresceu 20 vezes, chegando aos 210 mil milhões de dólares. E há outros países, como a Índia e o Brasil – além da França neocolonialista –, com interesses económicos em África, cujo PIB cresce 5% ao ano e representa um mercado de mais de mil milhões de habitantes…
Garantir os interesses dos EUA
Quanto a «segurança», Obama anunciou, a pretexto da luta contra o «terrorismo», um programa de «auxílio» a seis países (Gana, Quénia, Mali, Níger, Nigéria e Tunísia) para «formar e reforçar a eficácia das suas forças de segurança».
Mais: os EUA vão dar uma ajuda financeira anual de 110 milhões de dólares, durante três a cinco anos, aos estados que têm contribuído para operações de manutenção da paz (Gana, Senegal, Ruanda, Tanzânia, Etiópia e Uganda). O objectivo é criar uma «força africana de reacção rápida» para intervir em situações de crise – força, assim, constituída por tropas africanas treinadas, armadas e pagas pelos Estados Unidos…Por ocasião da cimeira, o Washington Post explicava que as autoridades norte-americanas defendem a necessidade de uma «interacção» mais estreita entre as instituições militares estado-unidenses e africanas. Em sete anos, lembra o Post, o comando africano (Africom) do Pentágono ampliou as actividades militares no continente.
Com sede em Stuttgart (Alemanha), o Africom conta com dois mil efectivos permanentes e mais cinco mil soldados que cumprem «missões itinerantes» – da Líbia, Mali e Níger à República Centro-Africana, Somália e Sudão do Sul.Na mesma altura, o diário Granma, de Havana, recordava que a maior base militar norte-americana em África é Camp Lemonnier, no Djibuti, antes um bastião da Legião Estrangeira francesa. Com capacidade para quatro mil soldados, Lemonnier tem o maior aeródromo da África Oriental, que os yankees utilizam «como ponto de partida das suas operações com drones contra supostos terroristas no Iémen e no Corno de África». Nessa base aero-naval «recebem instrução soldados do Níger, Chade, Nigéria e de outros países». Para garantir os «negócios» dos EUA em África…

* Jornalista
Este texto foi originalmente publicado no Avante nº 2.125 de 21 de Agosto de 2014.

OBAMA: O PRÊMIO NOBEL DA GUERRA

A fúria do Imperador: o caos tomará o mundo!

James Petras

29.Ago.14

James PetrasNo centro do caos, o Presidente Obama, de olhar ameaçador, ataca cegamente, alheio às consequências, disposto a arriscar um descalabro financeiro ou uma guerra nuclear. Reforça sanções contra o Irão; impõe sanções à Rússia; constrói bases de mísseis que podem atingir Moscovo em cinco minutos; envia drones assassinos contra o Paquistão, Iémen e Afeganistão; fornece armas aos mercenários na Síria; treina e equipa curdos no Iraque e financia a selvajaria de Israel contra Gaza.


Introdução: O caos está instalado e vai-se espalhando à medida que chefes de estado enfurecidos nos EUA, na Europa e seus clientes e aliados prosseguem guerras genocidas. Guerras mercenárias na Síria; o bombardeio terrorista de Israel em Gaza; guerras por procuração na Ucrânia, Paquistão, Iraque, Afeganistão, Líbia e Somália.
Dezenas de milhões de refugiados fogem de cenários de destruição total. Já nada é sagrado. Não há santuários a salvo. Casas, escolas, hospitais e famílias inteiras constituem alvo de destruição.
Caos por encomenda
No centro do caos, o Presidente Obama, de olhar ameaçador, ataca cegamente, alheio às consequências, disposto a arriscar um descalabro financeiro ou uma guerra nuclear. Reforça sanções contra o Irão; impõe sanções à Rússia; constrói bases de mísseis que podem atingir Moscovo em cinco minutos; envia drones assassinos contra o Paquistão, Iémen e Afeganistão; fornece armas aos mercenários na Síria; treina e equipa curdos no Iraque e financia a selvajaria de Israel contra Gaza.
Nada funciona
O presidente responsável pelo caos ignora o facto de que impor a fome aos adversários não assegura a sua submissão: promove a unidade na resistência. A mudança de regime, impondo intermediários pela força e usando subterfúgios, pode destruir o tecido social destas complexas sociedades: milhões de camponeses e trabalhadores tornam-se refugiados desenraizados. Movimentos sociais populares são substituídos por grupos criminosos organizados e exércitos de bandidos.
A América Central, produto de décadas de intervenções militares diretas e por intermediários, que impediram as mudanças estruturais mais básicas, tornou-se um inferno caótico, insuportável para milhões. Dezenas de milhares de crianças fogem da pobreza em massa induzida pelo “mercado livre”, estado militarizado e violência gangster. Crianças refugiadas na fronteira com os EUA são detidas em massa e presas em campos de detenção improvisados, sujeitos a abuso psicológico, físico e sexual por funcionários e guardas lá dentro. Cá fora, estas crianças miseráveis são expostas ao ódio racista de um público norte-americano assustado, não ciente dos perigos a que estas crianças escapam e do papel do governo os EUA na criação deste inferno.
As autoridades de aviação de Kiev, apoiadas pelos EUA, redirecionaram companhias aéreas internacionais de passageiros para voar sobre zonas de guerra repletas de mísseis antiaéreos, enquanto aviões de Kiev bombardearam as cidades rebeldes. Um voo foi abatido e cerca de 300 civis morreram. Imediatamente se seguiu uma explosão de denúncias de Kiev culpando o presidente russo Putin, inundado meios de comunicação ocidentais, sem factos reais para explicar a tragédia / crime. O beligerante Obama e os primeiros-ministros lacaios da UE dispararam ultimatos, ameaçando converter a Rússia num estado excluído. “Sanções, sanções por toda a parte… mas primeiro… A França deve dar por terminada a sua venda de 1,5 mil milhões à marinha russa.” E Londres protege os oligarcas russos, livres das sanções, envolvidos como estão na lavagem de dinheiro feita nesta cidade, na economia parasita do estilo FIRE (Fire, Insurance and Real Estate). A Guerra-fria regressou e deu uma destas voltas… À excepção dos negócios.
A confrontação ente os poderes nucleares está eminente: e os maníacos estados do Báltico e a Polónia reclamam mais alto pela guerra com a Rússia, esquecendo a posição em que estão, na linha da frente de fogo.
A cada dia, a máquina de guerra israelita dizima mais crianças em Gaza, enquanto continua a deitar mentiras cá para fora. Judeus israelitas assistem, entusiásticos, das suas colinas fortificadas, e celebram cada míssil que atinge os prédios e as escolas do bairro Shejaiya, densamente povoado, numa Faixa de Gaza cercada. Um grupo de empresários ortodoxos e seculares em Brooklyn organizou excursões para visitar as cidades sagradas durante o dia e desfrutar a pirotecnia em Gaza durante a noite… óculos para visão nocturna estão disponíveis por pouco mais, para ver as mães em fuga e as crianças queimadas.
Mais uma vez, o Senado dos EUA vota unanimemente em apoio à última campanha de genocídio israelita; parece que não há crime suficientemente deplorável para abanar os escrúpulos dos líderes dos EUA. Ficam próximo de um texto assinado pelos 52 presidentes das maiores organizações judaicas dos EUA. Todos juntos abraçam a besta do Apocalipse, agarrados à carne e aos ossos da Palestina.
Mas, helas! os sionistas franceses dominam o “presidente socialista” Hollande. Paris bane qualquer manifestação contra Israel apesar dos relatórios inequívocos de genocídio. Os manifestantes que apoiam a resistência em Gaza são gaseados e batidos pelas forças especiais antimotim. O “socialista” Hollande serve as exigências das poderosas organizações sionistas, desprezando as tradições republicanas do seu país e os seus sagrados “Direitos do Homem”.
Os jovens manifestantes de Paris responderam com barricadas e pedras da calçada nas melhores tradições da Comuna de Paris, agitando as bandeiras de uma Palestina Livre. Nem uma “bandeira vermelha” em vista: a esquerda “francesa” escondeu-se debaixo da cama ou então foi de férias.
Há sinais preocupantes longe dos campos de batalha. As bolsas de valores agitam-se enquanto a economia estagna. Os especuladores selvagens regressaram no seu esplendor, aumentando a distância entre a economia fictícia e real que havia antes do “dilúvio”, o caos que anuncia outro crash inevitável.
Em Detroit, outrora grande centro da América industrial, a água potável é fechada a dezenas de milhares de pobres que não podem pagar serviços básicos. Em pleno Verão, famílias urbanas têm de fazer as necessidades em ruelas, azinhagas e descampados. Sem água, os sanitários entopem, as crianças não se lavam. Roscoe, o canalizador, diz que o trabalho está para além das suas possibilidades.
De acordo com os nossos economistas famosos, a economia de Detroit está “a recuperar … os lucros subiram, apenas as pessoas sofrem”. A produtividade duplicou, os especuladores estão satisfeitos; as pensões são cortadas e os salários descem; mas os Detroit Tigers estão em primeiro lugar.
Os hospitais públicos fecham por todo o lado. Em Bronx e em Brooklyn, serviços de urgência estão à pinha. É o caos. Os internos fazem turnos de 36 horas… e os doentes e feridos arriscam a sorte perante um médico com privação de sono. Entretanto, em Manhattan, os clínicos privados e a cirurgia estética para as elites prosperam.
Os escandinavos apoiam o poder instalado por via de um golpe de estado em Kiev. O Ministro dos Estrangeiros sueco Bildt grita por uma nova guerra fria com a Rússia. O emissário dinamarquês e líder da NATO, Rasmussen, saliva obscenidades ante a perspetiva de bombardear e destruir a Síria, repetindo a “vitória” da NATO sobre a Líbia.
Os líderes alemães patrocinam o genocídio israelita em Gaza; estão confortavelmente protegidos de qualquer consciência moral pela sua nostálgica “culpa” pelos crimes nazis de há 70 anos.
Terroristas da Jihad no Iraque financiados pela Arábia Saudita mostraram a sua “misericórdia infinita” simplesmente retirando milhares de cristãos da antiga Mossul. Quase 2 000 anos de contínua presença cristã foi o bastante. Pelo menos muitos escaparam ainda com a cabeça entre as orelhas.
Caos por toda a parte
Mais de cem mil agentes da Agência de Segurança Nacional dos EUA são pagos para espiar dois milhões de cidadãos e residentes muçulmanos nos EUA. Mas, por todas as dezenas de milhares de milhões de dólares gastos e dezenas de milhões de conversas gravadas, a caridade islâmica é alvo de processos e há filantropos que são apanhados em emboscadas.
Onde caem as bombas ninguém sabe, mas as pessoas estão a fugir. Milhões fogem do caos.
Mas não têm para onde ir! Os franceses invadem meia dúzia de países africanos mas os refugiados veem recusado asilo em França. Milhares morrem no deserto, ou afogados a atravessar o Mediterrâneo. Aqueles que conseguem são chamados criminosos ou relegados para guetos e campos.
Reina o caos em África, no Médio Oriente, na América Central e em Detroit. Toda a fronteira dos EUA com o México se tornou um centro militar de detenção, um campo prisional multinacional. A fronteira está irreconhecível para a nossa geração.
Reina o caos nos mercados, mascarado de sanções de natureza comercial: ontem o Irão, hoje a Rússia, amanhã a China. Washington deverá tomar cuidado! Os seus adversários estão a encontrar terreno comum, a estabelecer comércio, a forjar acordos, a construir defesas; os seus laços estão mais fortes.
Reina o caos em Israel. Obcecados pela guerra, os israelitas descobrem agora que o povo eleito de Deus também sangra e também morre, os seus corpos também perdem membros e olhos nas ruas de Gaza, onde homens e rapazes pobres defendem a sua terra. Quando as celebrações derem lugar a lamentações, irão reeleger Bibi, o seu açougueiro de serviço? Os seus irmãos do outro lado do oceano, que financiam Israel, os homens dos lobbies e os comentadores beligerantes, irão automaticamente adoptar uma nova face, sem questões, arrependimentos, ou (Deus não permita!) autocrítica; se é “bom para Israel e para os Judeus”, tem de ser justo.
O caos reina em Nova Iorque. Julgamentos favorecem os piratas e os seus fundos depredatórios, que exigem um retorno de mil por cento em fundos argentinos. Se a Argentina rejeitar esta chantagem financeira, as ondas de choque irão sentir-se nos mercados financeiros globais. Os credores irão tremer de incerteza: irá crescer o medo de um novo crash financeiro. Conseguirão sacar mais um resgate de triliões de dólares?
Mas onde está o dinheiro? As máquinas trabalham dia e noite para o imprimir. Há poucos botes salva-vidas… o suficiente para os banqueiros e Wall Street, os outros 99% terão de nadar ou servir de comida para os tubarões.
A imprensa financeira corrupta agora aconselha os senhores da guerra sobre que país bombardear, e os políticos sobre como impor sanções económicas; já não fornecem informação escorreita sobre economia, nem aconselham os investidores sobre os mercados. Os seus editoriais irão incitar um investidor a correr para comprar este mundo e o outro enquanto os bancos vão à falência.
O presidente dos EUA está quase a ter um esgotamento: é um mentiroso de proporções dantescas e com um caso grave de paranoia política, histeria bélica e megalomania. Está fora de controlo, aos berros: “eu mando no mundo: são os EUA ou o caos”. Mas, cada vez mais, o mundo tem outra mensagem: “São os EUA e o caos”.
Wall Street abandona-o. Os russos traíram-no. Os mercadores chineses fazem agora negócios em todos os lugares onde estávamos e deveríamos estar. Jogam com dados viciados. Os teimosos somalis recusam submeter-se a um presidente negro: rejeitam este “Martin Luther King dos drones”… Os alemães mordem os dedos, furiosos, à medida que os americanos monitorizam e gravam cada uma das suas conversas… para sua própria segurança! “As nossas corporações são ingratas, depois de tudo o que fizemos por elas”, rosna o primeiro presidente negro. “Fogem dos nossos impostos enquanto subsidiamos as suas operações!”
Soluções finais: o fim do caos
A única solução é continuar: o caos gera o caos. O Presidente esforça-se por proteger a sua “liderança”. Faz aos seus conselheiros mais próximos perguntas muito difíceis: “Por que razão não podemos bombardear a Rússia, como Israel bombardeia Gaza? Porque não construímos uma ‘cúpula de ferro’ sobre a Europa e anulamos os misseis nucleares russos, enquanto abrimos fogo sobre Moscovo das nossas novas bases na Ucrânia? Que países deverá a nossa ‘cúpula’ proteger? Tenho a certeza que os povos da Europa de Leste e dos estados bálticos farão de bom grado o sacrifício supremo. No fim de contas, os seus líderes espumavam por uma guerra com a Rússia. A sua recompensa, uma devastação nuclear, será um preço pequeno para assegurar o nosso sucesso!”
O lobby sionista insistirá que a nossa ‘cúpula de ferro’ deverá proteger Israel. Mas os sauditas poderão tentar subornar os russos a poupar os campos do petróleo enquanto Moscovo aponta às bases de mísseis dos EUA perto de Meca. Os nossos aliados nucleares no Médio Oriente terão mesmo que mudar para uma nova terra sagrada.
Obama e os seus conselheiros pensarão em reduzir a população asiática em um ou dois milhões? Estarão a planear várias centenas de Hiroshimas pelo facto de os chineses terem pisado as “linhas vermelhas” do Presidente? A economia e o comércio chineses cresceram demasiado depressa, expandiram-se demasiado depressa, tornou-se demasiado competitiva, demasiado competente, demasiado bem-sucedida em obter quotas de mercado, e os chineses ignoraram os nossos avisos e o nosso poderio militar sem paralelo.
A maior parte da Ásia irá respirar poeira nuclear, milhões de indianos e indonésios morrerão como danos colaterais. Os que sobreviverem irão banquetear-se com peixe radioactivo pescado num mar contaminado.
Para além do caos: um novo american way
Porque a nossa ‘cúpula de ferro’ irá falhar, teremos de reemergir das cinzas toxicas e sair dos nossos abrigos, sonhando com uma América livre de guerras e da pobreza. O reino do caos terá chegado ao fim. A “paz e a ordem” irão reinar no cemitério.
Os imperadores serão esquecidos.
E nunca chegaremos a saber quem disparou o míssil que atingiu o malogrado voo malaio com os seus 300 passageiros e tripulação. Teremos perdido a conta aos milhares de palestinos, entre pais e filhos, esmagados em Gaza pelo povo eleito de Israel. Não saberemos no que deram as sanções contra a Rússia.
Não importará, numa era pós-nuclear, depois do caos.
Fonte: odiario.info

A NOVA GUERRA FRIA



Le Monde diplomatique


En 1980, para resumir su visión de las relaciones entre Estados Unidos y la Unión Soviética, Ronald Reagan utilizó esta expresión: «Nosotros ganamos, ellos pierden». Diez años después, su sucesor inmediato en la Casa Blanca, George Bush, podía felicitarse de la misión cumplida: «Un mundo antes dividido entre dos campos armados reconoce que ya solo existe una superpotencia preeminente: Los Estados Unidos de América». Era el final oficial de la Guerra Fría.
Ese período, a su vez, ha pasado. Hoy suena la campana en Rusia, que ya ha «perdido» bastante y se ha dado cuenta de que su bajada programada nunca llegará al fondo mientras todos sus vecinos se vayan, uno tras otro, atraídos –o sobornados- a una alianza económica y militar dirigida contra ella. «Los aviones de la OTAN patrullan los cielos sobre el Báltico, hemos reforzado nuestra presencia en Polonia y estamos dispuestos a seguir adelante», señalaba por otra parte Barack Obama el pasado mes de marzo en Bruselas (1). Ante el Parlamento ruso, Vladimir Putin ha comparado esa disposición con la «política infame de la contención» que, según él, las potencias occidentales oponen a su país desde… el siglo XVIII (2).
La nueva guerra fría, sin embargo, será diferente de la antigua. Como declaró el presidente de Estados Unidos, «al contrario que la Unión Soviética, Rusia no dirige ningún bloque de naciones ni inspira ninguna ideología global». El enfrentamiento que se está estableciendo tampoco opone a una superpotencia estadounidense, con su fe religiosa y su seguridad imperial en un «destino manifiesto», a un «imperio del mal» al que Reagan maldijo, también, debido a su ateísmo. Al contrario, Putin corteja, no sin éxito, a los cruzados del fundamentalismo cristiano. Y cuando anexionó Crimea, recordó de entrada que es el lugar «donde fue bautizado san Vladimir (…), un bautismo ortodoxo que determina las nociones básicas de la cultura, los valores y la civilización de los pueblos ruso, ucraniano y bielorruso».
Lo que quiere decir que Moscú no admitirá que Ucrania se convierta en la retaguardia de sus adversarios. Abrasado por una propaganda nacionalista que incluso excede –que ya es decir…- la comedura de coco occidental, el pueblo ruso lo rechazará. Sin embargo, en Estados Unidos y en Europa, los partidarios del gran rearme pujarán: proclamas marciales, avalancha de sanciones dispares que solo conseguirán macerar la determinación del otro campo. «La nueva guerra fría será probablemente más peligrosa que la anterior, ya ha advertido uno de los mejores expertos estadounidenses sobre Rusia, Stephen F. Cohen, porque, al contrario de su predecesora, no tendrá ninguna oposición, ni en el Gobierno, ni en el Congreso ni en los medios, las universidades o los think tanks» (3). La receta comprobada de todos los patinazos…
NOTAS
(1) Discurso de Barack Obama en Bruselas, 26 de marzo de 2014.
(2) Discurso de Vladimir Putin en el Parlamento de Rusia, 18 de marzo de 2014.
(3) Discurso en la Conferencia Anual de Rusia y EE.UU., Washington, 16 de junio 2014, reproducido en The Nation, Nueva York, 12 de Agosto de 2014.
Fuente: http://www.monde-diplomatique.fr/2014/09/HALIMI/50753

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

OS EUA E O ORIENTE MÉDIO (IV)




 

" A expansão do império americano através do norte de África e Médio Oriente foi montada com o armamento e financiamento de estados-vassalos para servirem de postos avançados. O arco de bases militares imperiais americanas que se estende do Egito, através de Israel, da Turquia, da Jordânia, do Iémen, do Iraque, do Bahrain e da Arábia Saudita, está protegido por uma série de campos prisionais contendo dezenas de milhares de prisioneiros políticos." (James Petras)

Bahrain: pequeno país  com muitas prisões

De acordo com o respeitado Centro de Direitos Humanos local, o Bahrain possui a duvidosa distinção de ser o primeiro país globalmente em número de presos políticos per capita. Segundo o Economist (4/2/14), o Bahrain tem 4.000 presos políticos para uma população de 750.000. De acordo com o Pentágono, a ditadura absolutista do Bahrain desempenha um papel vital no proporcionar aos EUA bases aéreas e marítimas para o ataque ao Iraque, ao Irão e ao Afeganistão. A maioria dos dissidentes, pró-democracia, estão presos por procurarem acabar com a vassalagem, a autocracia e o servilismo perante os interesses imperiais dos EUA e da ditadura saudita.

 Bahrain serve de base naval da 5ª Frota dos EUA e é uma base operacional para atacar o Irão. Tem estado ao serviço da ocupação do Afeganistão e do controle americano das rotas de transporte marítimo do petróleo. A ditadura de Al-Khalifa está extremamente isolada, é altamente impopular e enfrenta constante pressão da maioria pró-democracia. Para amparar os governantes seus vassalos, Washington aumentou as vendas militares ao pequeno estado de 400 milhões entre 1993-2000 para 1,4 bilhões de dólares na década seguinte. Washington aumentou as vendas e o programa de treino militar na proporção direta do aumento do descontentamento democrático, resultando no aumento geométrico do número de presos políticos.
Fonte: James Petras

A RUSSIA COMBATE A AVALANCHE HEGEMÔNICA DOS EUA

DAVID URRA / Al Pan Pan y al Vodka Vodka

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DAVID URRA / CONTRAINGERENCIA-  La posición geopolítica de Rusia es determinante en el mundo actual para contrarrestar la avalancha hegemónica de EE.UU. La visita realizada recientemente por el Presidente ruso Vladimir Putin a la América Latina adquiere en estos momentos una relevancia extraordinaria que no todos han sabido aquilatar. Esta no es solo relevante para la subregión sino que también es trascendental para el futuro del gigante ruso.
La existencia del mundo unipolar, aunque esto no es absolutamente cierto, ha traído no pocos sinsabores a las naciones que representan a los “60 o más rincones oscuros en el mundo”. Las guerras se han sucedido de forma cuasi diarias, la mentira y la fabricación de pretextos se ha convertido en algo tan cotidiano que los representantes del Eje de la Guerra, encabezados por EE.UU, ni siquiera se sonrojan en decirlas, ya es parte intrínseca de su personalidad.
No es un secreto para nadie que los habitantes de los países pequeños claman a gritos por una multipolaridad que no llega y que de seguir demorando, llegará tarde para muchos de ellos.
Recientemente hicimos un análisis de como se ha comportado EE.UU y sus aliados después de la caída del campo socialista y el comienzo del llamado mundo unipolar, donde un gobierno totalitario como el estadounidense ejerce sus dictad a golpe de hierro con uranio empobrecido.
Desde 1990 hasta el 2011 los militares estadounidenses han participado en más de 100 operaciones militares de diferentes envergaduras pero con un invariable fin – imponer sus reglas en el mundo unipolar.
Son de todos conocidas la Invasión a Afganistán, Iraq y Sudan, la intervención en Panamá el asesoramiento y apoyo de los golpes de estado en Honduras y otras naciones cuyos gobiernos no han sido de su agrado. Incluso en catástrofes naturales como el terremoto de Pakistán y Haití, en que enviaron equipos médicos, no para socorrer a los decenas de miles de víctimas, sino para entrenar a sus servicios militares en el manejo de crisis de grandes magnitudes.
Las agresiones a Afganistán, Iraq, Libia, Sudán, Panamá, Siria y Serbia, demuestran que lejos de traer la democracia, la bota norteamericana lo único que ha traído consigo es a las transnacionales que ahora campean indiscriminadamente por estos países.
Es en este contexto, donde se encuentran en desarrollo varias operaciones de “cambio de regímenes” en el mundo, que se produce la visita de Vladimir Putin a América Latina.
No hay dudas que es Rusia la Gran Nación llamada a jugar el papel de contrapeso a la hegemonía norteamericana en el mundo actual. Esto no es un capricho ni un deseo no realizado, sino que responde a un conjunto de premisas y condiciones que sería muy extenso analizar aquí. Solo mencionaremos algo – Rusia posee todo lo necesario para ser una gran potencia; capacidad independiente de la economía, espacio vital, potencial económico y militar y mentalidad de centro de poder. Que le falta – Los aliados, que perdió por la política suicida y estúpida de los años 90 encabezadas por los pusilánimes Gorbachov y Yeltsin, nombres estos que deberían ser maldecidos por el pueblo ruso.
Pero, ¿Por qué es trascendental la visita de Putin a la subregión?
Ante todo, debemos considerar que es precisamente en AL donde se está desarrollando el proceso de independencia política y económica más auténtico e interesante en el mundo actual, que representa uno de los ejes de resistencia a la implantación del proyecto hegemónico norteamericano.
Por otro lado la dinámica de desarrollo económico, sustentada por los recursos naturales que posee la región, hace más atractivo el proyecto latinoamericano.
Si analizamos con detenimiento los movimientos del ajedrez político que tuvo Putin durante la visita, podremos darnos cuenta de que indiscutiblemente el gigante ruso parece despertar de su letargo geoestratégico y se encamina a jugar su ineludible papel  en la coyuntura  actual, convertirse en la contraparte del proyecto “Made in USA”.
La visita la comenzó Putin por su antiguo socio – Cuba – que dicho sea de paso ha demostrado ser más firme en su condición de socio que el gigante euroasiático. A pesar de la debacle propiciada por los innombrables a los que hicimos referencia en los años 90 y la situación en que estos acontecimientos  pusieron a la pequeña isla, estos resistieron lo que nadie  espero que pudieran resistir y ahora sin resquemores restablecen sus relaciones con el antiguo y necesario socio.
Muchos piensan que para Cuba la relación con Rusia es solo un problema de encontrar un paraguas para sostener su economía y aunque este argumento no está descartado, es por mucho insuficiente para comprender como los cubanos manejan sus relaciones estratégicas.
Nadie duda que el paso ruso de prácticamente condonar la “deuda” que tenían los cubanos con la antigua URSS y heredada de forma arbitraria por la Rusia de Yeltsin, sea trascendental para la economía y la estabilidad de la isla caribeña. Pero este paso hay que interpretarlo de otra forma, ya que se había convertido en un obstáculo para mejorar las relaciones entre ambos países y tanto Rusia como Cuba necesitaban fortalecer sus lazos estratégicos.
Para Rusia la relación con Cuba, a pesar de su tamaño, significa un paso estratégico indispensable en el mapa geopolítico actual, habida cuenta del peso político y moral que tiene la isla entre las naciones que no están dispuestas a subordinarse al dictad de Washington. Para muchos el ejemplo de resistencia y habilidad con que los dirigentes cubanos han puesto a la pequeña isla en el mapa geopolítico mundial, es un “aval” que les sirve de referencia y utilizar este “aval” es crucial para la visión estratégica de los rusos.
Cuando Putin firmo el acuerdo de “condonación” de la deuda cubana, no estaba regalando nada a los cubanos, en realidad esa “deuda” había sido justificada plenamente por la Isla de la Libertad que no solo apoyo a sus antiguos socios con los movimientos de liberación nacional que en esa época tanto necesitaban de este apoyo, sino y que ayudo a la economía rusa comprando artículos que no tenían mercados en ningún lugar y abasteciendo  a la URSS de alimentos que favorecían ampliamente los precios de producción por sus propios medios.
Para comprender esta afirmación emplearemos un solo ejemplo. La azúcar cubana, que a raíz de los convenios firmados por ambas naciones, se adquiriría por la URSS a precios superiores que en el mercado de remates mundial, representaba para los soviéticos un ahorro sustancial, pues el costo de producción en su país empleando la remolacha como materia prima era evidentemente superior al pactado con los cubanos, por lo que representaba un ahorro para los soviéticos, amén de que les permitiría liberar grandes extensiones de tierras para en lugar de la remolacha producir otros renglones agrícolas indispensables para abastecer al enorme país.
Por otro lado se habla mucho de la ayuda militar de los soviéticos a Cuba, lo que no deja de ser cierto, pero esto tenía una compensación extraordinaria, pues en el balance estratégico tener la posibilidad de poseer un ejército aliado en las mismas narices de su enemigo jurado era para la URSS estratégicamente indispensable.
Es por ello que la Rusia de Putin logró comprender la importancia de quitar del cuello de los cubanos esa soga que los asfixiaba y que de cierta forma no tenía basamento legal ni moral y que por demás estaba impidiendo el desarrollo de las necesarias relaciones entre los dos antiguos aliados.
La sorpresiva visita a Nicaragua demostró que Putin estaba dispuesto a aprovechar todas las perspectivas que le ofrecía AL y de paso ampliar su campo de acción, pues en Centroamérica este país juega un papel muy importante.
Claro que los gigantes latinoamericanos fueron parte de esta nueva proyección rusa en la región, pues Argentina y Brasil son sin dudas las más poderosas economías subregionales y su incorporación a la estrategia rusa tiene un peso fundamental para garantizar el éxito de esta relación. Las actuales negociaciones que tiene Rusia con estos países para que sustituyan las ventas de alimentos que fueron “sancionadas” por EE.UU y Europa, demuestran lo acertado y oportuno del movimiento hacia AL.
Claro que los acuerdos alcanzados en el marco de los BRICS con la participación latinoamericana posee un peso importante en el reordenamiento de las relaciones rusas con el exterior y en la aceptación latinoamericana de Rusia y China como socios estratégicos, amén del papel que pueden jugar India y Sudáfrica en esta constelación.
Pero no solo miran los rusos a estos países, sino que han logrado fortalecer igualmente las relaciones con otros países latinoamericanos más cercanos a EE.UU, como es el caso de Chile y Perú, lo que da una perspectiva más amplia a su proyección estratégica.
También son importantes las relaciones que puedan establecer con otros actores más pequeños pero no menos importantes, como Uruguay y Panamá.
Al final la visita de Putin a AL es interpretada por algunos como una acción de Marketing económico que tiene como único objetivo capturar mercados que tradicionalmente pertenecen a EE.UU.
A mi modesto entender esto va más allá de esa simplificada interpretación y parece que estamos viviendo el renacer del gigante ruso y el aumento de su influencia en la arena internacional que indiscutiblemente servirá de contrapeso a la tempestad hegemónica que EE.UU ha desatado en el mundo.
Es obvio que los estadounidenses tratarán por todos los medios de contrarrestar esta tendencia y para ello utilizara todos los recursos y mañas que han perfeccionado durante estos años.
Pero la pregunta a contestar en esta situación es: ¿Mantendrán los rusos el rumbo? ¿No cederán ante la presión norteamericana? ¿Será para ellos la posición “constructiva” con los norteamericanos la guía que determinará hasta donde pueden llegar y a donde no?
Esperamos que esta vez los rusos, cuyas tradiciones marineras nadie discute, recuerden el viejo refrán que versa: Cuando no hay viento, …Rema.