segunda-feira, 24 de setembro de 2012

AGRESSÃO À MAOMÉ É SÓ A PONTA DO ICEBERG DA INDIGNAÇÃO


Xenofobia, fascismo y poder
Barómetro Internacional


Una ola de indignación recorre el mundo musulmán y ya ha dejado como consecuencias la muerte de un embajador norteamericano y varias personas más. La presentación de un video de autor prácticamente desconocido titulado “La inocencia de los musulmanes”, burlándose ferozmente del profeta Mahoma y de sus ideas, ha despertado múltiples protestas en todo el Oriente Medio y demás áreas de presencia musulmana. Esto ha servido nuevamente para dar pie a la matriz de opinión de la intolerancia y el fanatismo islámico, reflejada por las cadenas corporativas de medios de comunicación. Lo cierto es que la progresiva derechización de los poderes en Occidente, producto sobre todo de la profundización de la grave crisis económica, de los reiterados fracasos militares, de los cada vez mayores problemas sociales en los países centrales, encuentra siempre un buen chivo expiatorio en el Islam, con el cual distraer a sus ciudadanos de los problemas cotidianos crecientes. Agregado a que esto justifica las constantes agresiones al área de estratégica importancia geopolítica y de recursos naturales energéticos del Medio Oriente y aledaños.
El auge progresivo de la ultraderecha, que va tomando cada vez mayor poder dentro de la crisis y que es siempre xenofóbica, fomenta este tipo de acciones. El video referido ha sido complementado en estos días con una serie de caricaturas burlescas editadas por la prensa francesa, que sólo contribuirán a agravar el proceso, tanto así que ya el gobierno francés previendo la reacción ha cerrado consulados y representaciones diplomáticas en países islámicos.
Se produce así una aceleración de la espiral del odio, las indignadas reacciones del Islam (que frente a estas provocaciones llega a olvidar sus profundas diferencias internas reaccionando homogéneamente) servirán otra vez como una “prueba” de la intolerancia de unos fanáticos que no entienden la “democracia” ni la “libertad de expresión” y avivarán nuevas respuestas de hostilidad por parte de la derecha de occidente.
Arnold Toynbee, el fallecido historiador inglés, dedicó la mayor parte de su obra a estudiar las civilizaciones en la historia humana. Dentro de esos estudios incluyó los ejemplos de enfrentamientos entre civilizaciones. Al respecto del conflicto de Occidente y el Islam, lo oímos decir en una conferencia allá a principios de los años sesenta del siglo anterior, que todavía era muy pronto para saber como se dilucidaría el enfrentamiento. Decía que en los últimos siglos Occidente había avasallado al Islam, y que cuando eso sucedía en la historia entre dos civilizaciones, existían varias alternativas posibles. Una de ellas era que el Islam desapareciera frente a la arremetida de Occidente. Otra era que se adaptara e influyera culturalmente en su agresor. Y otra finalmente era que tuviera una recuperación desde sus cenizas y elaborara una inusitada respuesta de fuerza.
Samuel Phillips Huntington, desde una perspectiva totalmente ideológica de derecha, se consideró como discípulo de Toynbee y elaboró el modelo que hoy se conoce como el “choque de civilizaciones”, colocando el enfrentamiento como inevitable y proporcionando un modelo teórico que justificara la necesidad de Occidente de acabar no solo con el Islam, sino con el resto de las otras civilizaciones que todavía existen (incluyendo nuestras culturas “periféricas”). Estaba desarrollando un justificativo teórico moderno para la expansión imperial (no es casualidad que haya trabajado siempre para el gobierno norteamericano, llegando a ser asesor presidencial de Lyndon Johnson y defender los bombardeos a las zonas rurales de Vietnam).
En definitiva, que estos sucesos son un producto que parece casi inevitable de la situación de crisis, poder y ascenso progresivo de la barbarie a nivel de los grandes poderosos, cuando ven trastabillarse su hegemonía.
El saldo no puede ser otro que negativo. Por un lado aumentará la violencia desde el lado del Islam, dando así el pie para que conduzcan la respuesta los sectores más radicales, amparados en la provocación y la falta de respeto a sus creencias. Por el otro lado, seguirá proporcionando a las derechas occidentales el justificativo para combatir y cercar cada vez más al Islam (utilizando la política de aquel viejo proverbio francés que dice “Este animal sí que es impertinente, uno lo ataca y él se defiende”).
Más leña a la hoguera de un panorama global convulsionado y caótico, en el que estamos viviendo momentos de grandes cambios. Solo queda esperar que finalmente terminen siendo para bien de todos, a pesar de su rostro feroz.
Fonte:www. rebelion.org    

EUA ACUSA BRASIL DE PROTECIONISMO


Que moral tem os EUA para acusar algum país de protecionista? Esses corsários do século XXI são os maiores protecionistas dos seus interesses no mundo. Além de protecionistas,  os governos dos EUA comportam-se com verdadeiros piratas, bandidos que saqueiam os povos do terceiro mundo, que lançam bombas, que incendeiam e destroem hospitais, pontes e matam crianças e idosos como o fizeram no Iraque e na Líbia e continuam fazendo do Afeganistão. Além disso não respeitam as tradições religiosas dos povos como o fizeram recentemente em relação a Maomé. A presidenta Dilma tem que aproveitar o seu discurso na abertura dos trabalhos da ONU e fazer uma grande reprimenda a esses Corsários do Século XXI: os EUA.

domingo, 23 de setembro de 2012

A FAO A SERVIÇO DA GRILAGEM


 FAO e BERD promovem uma agricultura que destrói a agricultura camponesa?


Espanto e indignação nos causou o artigo com  assinatura de José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, e Chakrabarti Suma, presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, publicado em 06 de setembro pelo Wall Street Journal. Nesta publicação ambas as autoridades convocam os  governos  do mundo para abraçar o setor privado como motor e líder de poder global.
 Embora se referindo especificamente  a Europa Oriental e Norte da África, os diretores de ambas as instituições internacionais também fazem um chamado para que os investimento e a grilagem de terras se generalizem  para todo o mundo. Como justificativa, qualificam o setor privado  como eficiente, dinâmico e os convocam à  dobrar seus investimentos  em grilagem de terras, enquanto aponta para o setor camponês e as poucas políticas de proteção  que ainda regem a agricultura , como um fardo que não permite  avançar  o desenvolvimento da agrícola  e que deve ser eliminado. Para isso, apelam aos governos para facilitar a grandes empresas privadas na agricultura. Isso no contexto de uma chamada  do Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva que qualificou  o encontro como a maior e mais importante das reuniões de empresas e representantes do agronegócio com representanrtes de instituições públicas e  internacionais, incluída  a FAO e  que foi realizado na Turquia no dia   13       de       setembro.

Os Srs. Graziano da Silva e Chakrabarti fizeram, no artigo,  uma série de afirmações preconceituosas e que  escondem a real situação da agricultura e alimentação. Apresentando a  Rússia, a Ucrânia  eo Kasakhstan como exemplos de sucesso do agronegócio que permitiram a estes países a deixar de ser "as terras baldias dos 90" , a ser atualmente  " os grandes exportadores de grãos,"  não mencionam em nenhum momento que os números oficiais mostram que nos tres  países mencionados a produtividade  é muito maior em terras rurais nas mãos dos camponeses que aquelas nas  mãos do agronegócio.. 

Os pequenos agricultores da Russia  produzem  mais da metade do produto agrícola com apenas um quarto da área agrícola, na Ucrânia são a fonte de 55% da produção agrícola com  apenas 16% da terra, enquanto no Cazaquistão entregam  73% da produção agrícola com apenas metade da


terra. Na verdade,  são os pequenos produtores e especialmente as mulheres, que alimentam a população desses países. Tampouco  mencionam que - quando há dados oficiais a respeito, como na UE, Colômbia e Brasil -  é mostrado mais uma vez que a agricultura camponesa é mais eficiente e mais

produtiva do que a empresarial, o que também foi confirmado por diversos estudos na Ásia, África e América Latina.

 

Isso mostra que ao contrário do que é indicado pelo Diretor-Geral da FAO, quem tem a real capacidade de alimentar o mundo são mulheres agricultoras e agricultores em todo o mundo. O avanço do agronegócio apenas exacerbou a pobreza, destruiu a capacidade da agricultura para fornecer trabalho, aumentou a poluição e a destruição do meio ambiente, trouxe de volta o flagelo do trabalho escravo etem provocado as crises alimentares e climáticas das últimas décadas. .

Para os movimentos sociais e as camponesas e camponeses do mundo é inaceitável e até inexplicável que o Director-Geral da Organização para a Alimentação e Agricultura promova a destruição da agricultura camponesa e avanço da grilagem de terras. É particularmente grave que isto ocorra  depois de três anos de arduo trabalho no qual as organizações  colocaram  todas as suas habilidades e vontades para a construção de diretrizes voluntárias para os proteger contra a grilagem de  terras  e depois que  o Sr. Graziano da Silva, durante sua campanha a Diretor Gerral,  expressou  várias vezes ante as organiozações camponesas  seu compromisso de promover e validar a importância da agricultura camponesa e sua necessária participação na produção      de       alimentos.

Nos  espanta a  linguagem ofensiva dos Srs. Graziano da Silva e Chakravarti, c quando se referem  a "fertilizar as terras  com dinheiro" ou "tornar a vida mais fácil para os famintos do mundo." Isso nos leva a questionar a capacidade da FAO para fazer o seu trabalho com o rigor necessário e independência frente as grandes empresas do agronegócio e assim cumprir o mandato da ONU para erradicar a fome e melhorar as condições de vida dos povos do campo.


Perguntamos qual  é realmente a validade do "Ano Internacional da Agricultura Familiar", se o diretor-geral da FAO estima que o que coloca um freio na produção agrícola são os  "níveis relativamente elevados de protecção, a falta de irrigação, pequenas propriedades e anti-econômicas”. Esta visão e a  subordinação da FAO aos mecanismos econômicos e aos  interesses de investidores gananciosos certamente coloca um fim ao trabalho de reconciliação entre as organizações de agricultores e a FAO que temos  feito nos últimos anos. E isso nos faz perguntar por que a FAO não desenvolveu uma proposta de ação real e eficaz para proteger a produção camponesa e familiar, como uma ferramenta fundamental contra crise alimentar que -  hoje de novo -  está enriquecendo os grandes bancos e  corporações multinacionais. Também nos  perguntamos  onde irão as famílias camponesas se este programa de conversão para a agricultura industrial centrada em mega-fazendas é realizado?
 


As ameaças não surgem só do abandono da FAO  de sua missão. Também é grave que o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento promova e invista na grilagem de terras e a entrega da agricultura ao agronegócio, especialmente quando hoje expandiu sua área de trabalho ao norte de África.

O que a agricultura e o  planeta necessitam  atualmente é exatamente o oposto do que os propostos pelos  Srs.  Graziano da Silva e Chakrabarti. O que a humanidade e os que padecem  de fome no mundo necessitam é de apoio às c agro-culturas do campo, que são formas de vida da metade da humanidade e tornam possível a agricultura camponesa. Porque é mais eficiente e produtiva, porque ainda  produz  pelo menos metade da oferta global de alimentos  e grande parte do trabalho no campo, porque ajuda a resfriar o planeta, a agricultura        camponesa   deve   ser      fortalecida     e          protegida.
 
La producción de alimentos y las formas de vida campesinas e indígenas no pueden ser destruidas para crear una nueva fuente de mega negocios en manos de un grupo ínfimo de personas. Las tierras y territorios deben dejar de ser una mercancía y volver a las manos de los pueblos del campo; necesitamos reformas agrarias profundas, integrales y efectivas, sin acaparamientos de la tierra por inversionistas que solo buscan el lucro. Necesitamos más comunidades y familias campesinas e indígenas desarrollando su agricultura con dignidad y respeto y no agronegocios.

A produção de alimentos e os meios de vida dos camponeses e indígenas não podem ser destruídos para criar uma nova fonte de megas  negócios em  mãos  de um pequeno grupo de pessoas. As terras e territórios deve deixar de ser uma mercadoria e voltar  às mãos dos povos  do campo; precisamos de uma reforma agrária profunda, abrangente e eficaz, sem grilagem de terras por investidores que buscam apenas o lucro. Precisamos de mais comunidades  e famílias camponesas e indígenas  desenvolvendo sua agricultura com dignidade  e          respeito         e          não     agronegócios.

OS CAMPONESES E CAMPONESAS  ALIMENTAM O MUNDO   O AGRONEGÓCIO ABOMINA

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O CHORO DA AVICULTURA BRASILEIRA


Deu na imprensa:

"Secretaria de agricultura detalha ações adotadas para apoiar avicultura do Paraná

Atendendo a pedido dos deputados estaduais, o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, esteve na Assembleia Legislativa para falar sobre a crise que afeta a avicultura paranaense e as medidas adotadas pelo governo para apoiar os produtores. O segmento é responsável por cerca de 660 mil empregos no estado, entre diretos e indiretos.
  
Segundo o  secretário  "O governador Beto Richa está preocupado com a manutenção do modelo de integração entre empresas e avicultores, que deu tão certo no Paraná, e quer evitar a ameaça de quebra que paira sobre o setor".
   
Ortigara lembrou que o Paraná se tornou o maior produtor nacional de carne de frango, com uma produção anual de 2,8 milhões de toneladas. Anualmente são abatidas no Estado 1,4 bilhão de aves, o que corresponde a um abate de quatro milhões de aves por dia.
   
  
Origem da Crise
De acordo com Ortigara, o setor avícola no Estado vinha crescendo num "ritmo chinês" até que em agosto deste ano o preço da soja e do milho, grãos que compõem a ração animal, registrou alta além da normalidade, em decorrência do anúncio da quebra da safra de milho norte-americana. A tonelada de farelo de soja, que era vendida a R$ 611,82 em agosto de 2011, hoje está em R$ 1.400,00 - ou seja, o preço mais do que dobrou.
Afirmou ainda o secretário Ortigara, que  mesmo assim o setor continua crescendo no Estado por conta de novas plantas industriais que entram em operação até o final deste ano. Hoje no Paraná são 42 indústrias entre abatedouros e incubatórios e cerca de 19 mil avicultores que dependem do setor para gerar receita.

Propostas
De acordo com Ortigara, a recuperação da avicultura passa pela recuperação da perda de capital de giro das indústrias. O documento enviado ao governo federal pede a liberação de uma linha de crédito nos moldes do Procap Agro (Programa de Capitalização das Cooperativas Agropecuárias) para viabilizar a continuidade das atividades dos abatedouros nesse período de crise.
Conforme o documento enviado ao governo federal, para solucionar o problema a taxa de juros para essa linha de crédito deve ser de no máximo de 5,5% ao ano ou Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1% ao ano e com prazo mínimo decinco a seis anos para pagamento.
Outra reivindicação apresentada pelo Paraná foi a agilização da remoção dos estoques do milho da região Centro Oeste para o Paraná, via Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), que promove vendas de milho em balcão para os pequenos avicultores a preços subsidiados. Não há falta de milho no Estado, disse o superintendente da Conab no Paraná, Luiz Vissoci, que também compareceu à audiência na Alep para explicar como estão as negociações para o transporte do grão.
A remoção dos estoques de milho da região Centro Oeste para venda subsidiada em balcão iria baratear o preço do milho na região Sul do País, sem afetar o preço ao produtor, explicou o secretário.

Vejam as contradições: o superintendente da Conab diz que " não há falta de milho no Estado" e os avicultores pedem " remoção dos estoques de milho da região Centro Oeste". Por que? Porque  a especulação toma conta do sul do país; porque os estoques de milho e soja já estão nas mãos das multinacionais, das grandes " treidingues". De nada adiantaos Procap Agro e linhas de crédito especiais que não resolverão o problema. O Governo tem de intervir nessa Mercado Persa do Milho e da Soja, assim como as grandes cooperativas de produtores que ficham réfens dos grandes comerciantes de grãos em prejuizo a grande cadeia produtiva de aves e suinos. Querem estancar a febre quebrando o termômetro! Coisa de doido!
Ou enfretam as multi ou continuarão  se ferrando. Mas ... como sempre quem entra pelo cano são os integrados.

DESMISTIFICANDO O GRANDE STALIN


Para entender Stalin e o “stalinismo”
Por Marcos Aurélio da Silva
A publicística brasileira, e não só aquela à direita do espectro político, acostumou-se a se referir a Stalin como um dos grandes assassinos da história. A julgar pelo livro de Domenico Losurdo agora publicado entre nós, Stalin: história crítica de uma lenda negra, tradução de Jaime Clasen, Rio de Janeiro: Revan, 2010, 378 págs. (com um ensaio de Luciano Canfora), este ponto de vista está a demandar uma profunda revisão. Isso se se quiser não apenas refletir sobre o uso político a que a figura de Stalin serviu no Ocidente capitalista, mas igualmente atentar para o que de mais atual há na historiografia que se acercou do tema do “stalinismo”.
De fato, se o que se esperava da abertura dos arquivos da ex-União Soviética era um mar de fatos que tornariam ainda mais abomináveis a história do líder comunista, bem como do regime que ajudou a construir, o livro de Losurdo, apoiado nas mais recentes pesquisas, vem pôr por terra tais expectativas. Veja-se, por exemplo, o caso das “execuções” de Stalin ao cabo dos anos 30, já bem avançada a fase da coletivização forçada da agricultura. Demonstram as citadas pesquisas que elas não alcançavam mais de 1/10 do que se dizia: é que os ideólogos do anticomunismo, acrescenta o ensaio de Canfora, a elas aduziram os milhões de mortos da II Guerra Mundial.
Vê-se como, a partir de um tal embuste, se logra associar, para consumo de incautos, Stalin a Hitler, operação a que se entregou mesmo uma autora como Hannah Arendt, que tendo elogiado a União Soviética de Stalin no imediato pós II Guerra, termina por abraçar a idéia da associação entre comunismo e nazifascismo − ambos totalitários, sustentou. Na verdade, uma tese cara não só à ideologia da Guerra Fria, mas do próprio ponto de vista fascista, insiste Losurdo, remetendo a uma citação de Thomas Mann: “Colocar no mesmo plano moral o comunismo e o nazifascismo, como sendo ambos totalitários, no melhor dos casos é superficialidade, no pior dos casos é fascismo. Quem insiste nesta equiparação pode bem considerar-se democrático, mas na verdade e no fundo do coração já é… fascista…”.
Ora, a título de uma comparação apenas empírica, não é questão de somenos opor as condições das prisões soviéticas àquelas dos campos de concentração nazistas. Abundantes relatos demonstram que no país comunista grassavam boas condições de vida – aliás, de algum modo confirmando observação da própria Arendt, que notou não haver campos de extermínio na URSS. É exemplo o presídio moscovita de Butirka, que em 1921 permitia que “os prisioneiros saíssem livremente da prisão”, organizassem “sessões de ginástica matutina”, formassem “uma orquestra e um coro,… um círculo com revistas estrangeiras e uma boa biblioteca”. Ou ainda, no início dos anos 30, em plena virada staliniana, o exemplo das colônias penais do extremo norte, que contavam com investimentos na construção de hospitais, treinamento “a alguns detidos para a profissão de farmacêutico e enfermeiro”, edificação de “empresas agrícolas coletivas” para “suprir as necessidades alimentares”, e até escolas de formação técnica, para ex-Kulaks “analfabetos ou semi-analfabetos”.
Por certo, em cada um dos casos, não é sem sentido falar de um espírito de reabilitação, donde as tantas iniciativas inspiradas nas idéias de Gorki, como a abertura “de salas cinematográficas e círculos de discussão” e mesmo o pagamento “de um salário regular aos prisioneiros”. E, se há tragédias conhecidas, como a dos exilados da ilha de Nazino (Sibéria ocidental) em 1933, marcados pela fome, o que os fez se alimentarem de cadáveres, não decorrem elas de uma vontade homicida como quer fazer crer a militância anticomunista, mas antes “da falta de programação”.
Insistindo ainda nas comparações, Losurdo lembra como um autor caro a Hitler, o angloalemão Houston S. Chamberlein, sabia muito bem diferir socialismo e nazismo, o primeiro filho “das idéias de confraternização universal do século XVIII”, de “origem comum e da unidade do gênero humano”, o segundo do século XIX, o “século das colônias” e das “raças”, cujo “mérito” teria sido o de refutar a mitologia da origem comum e da unidade do gênero humano a qual se apegavam os socialistas. Com efeito, e até para não cair-se no engano de pôr na conta da psicopatologia de Hitler as infâmias do nazismo (tendência observada em Roosevelt, nota o autor), é preciso entender que o Füher tomou do mundo preexistente a ele, o mundo dos impérios coloniais do século XIX, dois elementos centrais, agora levados à radicalização: a) a missão colonizadora da raça branca do Ocidente; b) a leitura da Revolução de Outubro como um complô judeu-bolchevique que estimulava a revolta dos povos coloniais e minava a hierarquia natural das raças. (Aliás, aqui se compreende bem o porquê da implacável perseguição aos comunistas – “arrancaremos de todo livro a palavra marxismo”, diz Hermann W. Göring, ministro do interior e segundo homem do regime -: são os últimos a pôr em questão o projeto imperial e racial do III Reich)
Quanta diferença, pois, entre o Hitler que chama o povo russo de “animais ferozes” – Stalin seria um ser proveniente dos “infernos”, confirmando o caráter “satânico” do bolchevismo − e diz ser destino do povo ucraniano, como todos os povos subjugados, ficar à devida distância da cultura e da instrução, inclusive sem saber “ler e escrever”, e o Stalin que, posto diante da miséria extrema legada ao povo pelo czarismo, se põe à tarefa da elevação do nível de vida e da emancipação geral de todos os soviéticos. São exemplos, já em meados dos anos 30, o desenvolvimento de nações até então marginalizadas, por meio de ações afirmativas, a equiparação dos direitos jurídicos entre homem e mulher, o surgimento de sólido sistema de proteção social com pensões, assistência médica, proteção das grávidas, abonos familiares, o desenvolvimento da educação e da esfera intelectual em seu conjunto, com a extensão de uma rede de bibliotecas e salas de leitura e a difusão do gosto pelas artes e poesia. Além de importante expansão e modernização da vida urbana, com a construção de novas cidades e a reconstrução das velhas.
Responde por essa grande transformação operada pelo país saído da revolução, certamente, a grande popularidade de que desfrutou Stalin, continuada mesmo após o biênio do Grande Terror (1937-1938), o que não se explica simplesmente pela censura e repressão de Estado, acentua Losurdo, mas pelas chances de promoção social existentes. Basta lembrar a ascensão dos stakanovistas, tornados diretores de fábricas, bem como a ampla mobilidade vertical observada no exército. Aliás, conhecendo o progresso social da Rússia soviética, vem a tempo notar que Stalin assinala ser o regime de Hitler, com seu pisoteio sobre o direito dos intelectuais, dos operários, dos povos, com o desencadeamento dos pogroms medievais contra judeus – os ataques populares de violência −, uma cópia do reacionário regime czarista.
Sabemos que a retórica que associa o movimento vitorioso em Outubro de 1917 e o nazismo aparece também nas referências ao “pacto” de não agressão firmado com a Alemanha hitlerista em agosto de 1939 – o “pacto” Molotv-Ribbentrop. Ora, não sendo puro ardil anticomunista, sustentar este ponto de vista é não conhecer minimamente a geopolítica que precedeu a II Grande Guerra, ou mesmo todo o contexto geopolítico que se abre com a Revolução de 1917.
 De fato, assinala Canfora, de algum modo o “pacto” está em linha com a política de relações internacionais da URSS aberta por Lenin – e ao lado do qual se colocou Stalin − através da paz de Brest-Litovsk, assinada com a Alemanha em 1918, qual seja, a de que “os imperialistas se massacram entre eles, nós ficamos de fora e nos fortalecemos”. Por outro lado, terminada a I Guerra, a política de frentes – ou grandes alianças democráticas − a qual se entregou o país comunista, aprovada no III (1921) e IV (1922) Congresso do Komintern, viu-se constantemente sabotada por França e Inglaterra (mas também – e com alguma razão − pela oposição trotskista nas colônias). Já em 1925 o primeiro país se aproxima da Alemanha através do tratado de Locarno (Suíça), isolando a URSS, ao passo que em 1926 é a vez da Grã-Bretanha romper relações comerciais e diplomáticas com o país comunista, convidando a França a fazer o mesmo.  E, às vésperas da Guerra, os dois países, já tendo abandonado a República espanhola − ajudada militarmente apenas pelos soviéticos e pelas brigadas internacionais –, que caía ante o fascismo, se desinteressam por um acordo com a URSS contra a Alemanha. Além disso, desde o golpe de Estado do fascista Pilsudki em1926, aPolônia apresentava-se como um inimigo declarado da URSS − notadamente empenhada em retirar-lhe a Ucrânia −, sendo que desde 1934 está abertamente subordinada à política alemã. Enquanto a leste o Japão era uma ameaça real, aliás contida na medida em que o “pacto” permitiu aos soviéticos enviar armas e munições para que a China se protegesse do país nipônico – até Pearl Harbor abastecido em petróleo e gasolina pelos EUA, vale notar −, como observou Mao Zedond.
Posto o quadro acima, difícil dizer, como sustenta o artigo de Canfora, que o “pacto” não fosse, e a despeito de continuar o pragmatismo iniciado em Brest, uma forma de ganhar tempo para “preparar-se” melhor. A tese, aliás, é cara a Trotski e Kruchiov, a quem Canfora parece seguir também quanto ao despreparo das linhas soviéticas. Mas como aceitá-la sabendo que Stalin tinha bem presente a análise que fez o general Foch pouco depois da assinatura do Tratado de Versalhes, o Tratado que “pôs” fim a I Guerra Mundial? Qual seja, a de que não se tratava da paz, mas “apenas de um armistício por vinte anos”. Quanto às linhas soviéticas, é preciso ater-se à geografia. De fato, a despeito das enormes dimensões do Exército Vermelho, o sucesso inicial das unidades alemãs se beneficiou da ampla extensão do front (1800 milhas) e da escassez dos obstáculos naturais – além das cidades muito distanciadas entre si, e para as quais convergiam estradas e ferrovias, o que deixava ao inimigo inúmeras alternativas de infiltração.
Mas tratar da luta contra o nazifascismo é, também, para Losurdo, extrair uma periodização que explique a era Stalin − ou mesmo toda a história russa. Com efeito, seria ela a da conclusão de um segundo grande período de desordem da história russa. O primeiro deles, que compreende o século XVII, encerrara-se com a subida de Pedro O Grande ao trono (1689). Já o segundo tem início com a I Guerra Mundial, seguindo até o reforço do poder de Stalin e a aceleração da industrialização pesada do final dos anos 20 que ele levou a efeito, bem como a “ocidentalização” que lhe corresponde.
Ora, para Losurdo, a marca desse segundo período não é a de um regime totalitário, mas, antes, a de um estado de exceção, ou uma ditadura desenvolvimentista. Esta responde a uma guerra civil prolongada, cujo início foi a luta contra o czarismo e as potências aliadas entre 1914 e fevereiro de 1917, mas que segue na vitória sobre os mencheviques em outubro de 1917 e com as divergências dentro do grupo dirigente bolchevique após a morte de Lenin. Tudo no contexto de uma crescente hostilidade internacional, ou do perigo iminente, para lembrar uma noção do filosofo estadunidense Michael Walzer, que Losurdo utiliza − não sem uma certa restrição, deve-se notar − para dar conta do universo concentracionário da era Stalin. Daí poder-se compreender, pois, as seguidas ações insurrecionais – como a tentativa de golpe feita por Trotski durante o desfile pelo décimo aniversário da revolução – as tramas em ambientes militares – como as que parecem ter atraído o general Tukatchevski – ou ainda os muitos assassinatos – como o que vitimou Kirov, aliás hoje já não atribuível a Stalin. A propósito, se se trata de falar dos processos de Moscou, o novo material que a abertura dos arquivos russos tornou disponível tem permitido concluir que eles “não foram um crime sem motivo e a sangue frio, mas a reação de Stalin durante uma aguda luta política”.
Antes que se diga que o livro é pura apologia do socialismo à moda soviética, ou uma hagiografia de Stalin, bom notar a crítica teórica a que ele submete alguns dos fundamentos do marxismo-leninismo ou, para dizer mais corretamente, do marxismo em todo o seu conjunto.  No fundamental, Losurdo debruça-se aqui sobre a dificuldade deste quanto a desapegar-se do universalismo abstrato. É a partir daqui, anota, que emergem os tantos problemas com que se deparou a construção da nova sociedade em esferas como o mercado e o dinheiro, o Estado, a nação, a norma jurídica, a família. No fundo, tratou-se da dificuldade, tão comum no âmbito das esquerdas, em passar do universal ao particular. Ora, o curioso é que aqui, a necessidade de dar soluções a questões muito concretas, fez de Stalin o que logrou esboçar importantes avanços − e isso, vale notar, se aproximando de teóricos que, no mais das vezes, são chamados para criticá-lo (Gramsci, Hegel, o próprio Marx) −, conquanto mesmo ele tenha ficado a meio caminho.
Veja-se a questão do mercado e do dinheiro. Enquanto o campeão do reformismo, Karl Kautsky, já em 1918, se entrega à crítica da permanência da produção de mercadorias e da propriedade privada da terra – a cargo dos intelectuais e do proletariado, segundo ele −, num tom que nada o distingue, por exemplo, da crítica extremista de Trotski à NEP − que fala de restauração do capitalismo sob o comando de uma burocracia para apelar à supressão do dinheiro e de qualquer forma de mercado –, Stalin, em relatório de 1934 ao XVII Congresso do PCUS, insiste na necessidade de se prevenir contra “as fofocas esquerdistas…, segundo as quais o comércio soviético seria um estágio ultrapassado e o dinheiro deveria ser logo abolido”. Ora, no lugar de um mercado ou uma economia monetária em geral, trata-se aqui da “construção de um sistema determinado de produção e distribuição da riqueza social”.
Aliás, do anterior decorre outra questão não menos importante, e nem sempre bem compreendida, qual seja, a das diferenças de rendimento no socialismo. Stalin tem bem presente, adverte Losurdo, a referência de Marx no Manifesto quanto à ilusão de que o socialismo seria o reino de um “ascetismo universal” e do “igualitarismo grosseiro”: “O nivelamento no campo das necessidades e da vida pessoal é um absurdo pequeno-burguês digno de qualquer seita primitiva de asceta, não de uma sociedade socialista organizada no espírito marxista, porque não se pode exigir que todos os homens tenham necessidades e gostos iguais… Por nivelamento, o marxismo entende não já o nivelamento no campo das necessidades pessoais e condições de vida, mas a destruição das classes”, afirma. De fato, estamos diante da aporia posta por Hegel na Fenomenologia do Espírito, segundo a qual “uma satisfação igual das necessidades diferentes dos indivíduos” leva a “uma desigualdade em relação… à distribuição dos bens’” (à quota de participação), ao passo que “uma ´distribuição igual` dos bens… torna desigual… a ´satisfação das necessidades`”. Aporia a qual  Marx fez corresponder, respectivamente, as etapas socialista e comunista da divisão do trabalho, sendo que na última delas, o estágio alcançado pelas forças produtivas torna sem importância a desigualdade – que está sempre presente, pois.
Questão semelhante se põe quanto ao Estado e a nação. Enquanto Trotski, radicalizando o universalismo abstrato, acusa a construção do socialismo na Rússia de nacional-reformista, Stalin irá sublinhar a necessidade de ligar “um nacionalismo sadio, corretamente entendido, com o internacionalismo proletário”, uma advertência que em tudo lembra a distinção de Gramsci entre cosmopolitismo e internacionalismo, o último devendo saber “ser ao mesmo tempo ´profundamente nacional’”. Ora, Stalin tem presente que a luta de classe se configura agora como o compromisso de desenvolver economicamente e tecnologicamente o socialismo na URSS, que assim daria sua contribuição à causa internacionalista da emancipação. Fato ainda mais relevante quando se tratou de resistir aos “planos de escravização do imperialismo nazista”, o que significa dizer que “a marcha da universalidade passava através das lutas concretas e particulares dos povos decididos a não se deixar reduzir à condição de escravos ao serviço do povo hitleriano dos senhores”.
Mas não se trata apenas de uma determinada conjuntura. A questão parece atravessar mesmo todo o problema das transições, como o demonstram as referências às reflexões do idealismo alemão acerca da Revolução Francesa. Kant alertou, destaca Losurdo, quanto a uma “universalidade excessivamente extensa”, afirmando que “o apego ao próprio país” deve conciliar-se com “a inclinação a promover o bem do mundo inteiro”. E Hegel, desenvolvendo a mesma linha de pensamento, celebra “como uma grande conquista histórica a elaboração do conceito universal de homem (titular de direitos ‘enquanto homem e não enquanto judeu, católico, protestante, alemão, italiano, etc.’)” sem, todavia, deixar de acrescentar que esta celebração “não deve desembocar no ‘cosmopolitismo’ e na indiferença ou oposição com respeito à ‘vida estatal concreta’ do país do qual se é cidadão”.
Ora, mas a questão do Estado e da nação é também a questão das relações entre democracia e socialismo. Uma questão a qual não descuidou Lenin, lembra o autor remetendo-nos a uma passagem do líder bolchevique:  “quem quiser caminhar para o socialismo por um caminho que não seja a democracia política, chegará inevitavelmente a conclusões absurdas e reacionárias, tanto do ponto de vista econômico como político”. Mas de que modo o universalismo abstrato de que acima se falou teve aqui também seus efeitos?
O apego à tese da extinção do Estado, eis o ponto problemático, acusa Losurdo. Com efeito, fortemente influenciados pelo anarquismo, diferentes revolucionários se entregaram à crítica acerba de toda a forma de poder − incluindo o desprezo ao “parlamento, aos sindicatos, aos partidos, às vezes até ao partido comunista, ele mesmo afetado pelo princípio da representação e, portanto, pelo flagelo da burocracia”. Trotski é o expoente máximo dessa crítica, sabemos, mas ela afeta a todos – sendo mesmo ele, por exemplo, ao lado de Lenin, objeto de rejeição por Alexandra Kollontai nos primeiros anos da Rússia soviética. Aliás, lembra o autor, antes de insistir, em Melhor menos, mas melhor, na tarefa de “edificação do Estado”, do “trabalho administrativo”, para o qual dever-se-ia contar com “os melhores modelos da Europa ocidental”, mesmo Lenin, em O Estado e a revolução, defende necessitar a fase pós revolucionária “unicamente de um Estado em vias de extinção”.
É a Constituição de 1936 que inicia um rompimento com este messianismo − segundo o qual “´o direito é ópio para o povo` e ´a idéia de constituição é uma idéia burguesa`” −, assinala Losurdo. E é Stalin que sublinha não se contentar esta Constituição apenas “em fixar os direitos formais dos cidadãos”, antes logrando deslocar “o centro de gravidade para a garantia desses direitos, para os meios de exercício desses direitos”, entre eles a “aplicação do sufrágio universal, direto e igual, como escrutínio secreto” (o que para Trotski não passava da reaparição de uma instituição burguesa). E, ainda em 1938, convocando a que não se transformasse a lição de Marx e Engels “num dogma e numa escolástica vazia”, elabora que, entre as funções do Estado socialista, “além daquelas tradicionais de defesa do inimigo de classe no plano interno e internacional”, está a função do “trabalho de organização econômica e o trabalho cultural e educativo dos órgãos” do Estado. Isto com a “finalidade de desenvolver os germes da economia nova, socialista, e de reeducar os homens no espírito do socialismo”, devendo mesmo a “função de repressão” ser “substituída pela função de salvaguarda da propriedade socialista contra os ladrões e os dissipadores do patrimônio do povo”.
Certamente, estas declarações estão em contradição com o Grande Terror e a dilatação do Gulag do final dos anos 30. Não obstante, se a ditadura do proletariado, como fixou Lenin em O Estado e a Revolução, é o poder que não se vincula a nenhuma lei, Stalin, no imediato pós II Guerra, declara que Bulgária e Polônia podem “realizar o socialismo de modo novo, sem a ditadura do proletariado”, e que mesmo na URSS, se “não tivéssemos tido a guerra, a ditadura do proletariado teria tomado um caráter diferente.” Algo esboçado após a vitória sobre os Kulaks, como se pode ver na rejeição das emendas à Constituição que queriam “privar dos direitos eleitorais os ministros do culto, os ex-guardas brancos, todos os ´ex` e as pessoas que não desempenham um trabalho de utilidade pública”, bem como a rejeição da proposta de “proibir as cerimônias religiosas.”
Sem dúvida, insiste Losurdo, toda a teorização em torno das funções do Estado, “em si uma novidade essencial”, ficou a meio caminho. Se Stalin fala da conservação do Estado na fase comunista, o faz ainda condicionada ao “cerco capitalista”, ao “perigo de agressões armadas do exterior” (mesmo a questão da língua nacional, onde deu enorme contribuição, insistindo diferir ela “de maneira radical de uma superestrutura”, já que não criada “por uma classe qualquer, mas pela sociedade inteira”, é ainda pensada como sujeita a extinção nesta fase). Ora, é aqui que, para Losurdo, se impõe uma valorização de Hegel. Mais precisamente do Hegel que falou de aprendizagem de governo ao se debruçar sobre a Revolução Francesa e sua congênere inglesa do século XVII – no fundamental, do Hegel que falou da necessidade dialética de dar “conteúdo concreto e particular à universalidade, pondo fim à perseguição louca da universalidade nas suas imediatez e pureza”.
Eis aqui também a raíz da tragédia que foi o Grande Terror de 1937-38, ou da coletivização forçada da agricultura ao cabo dos anos 20 − e para a qual contou mesmo o messianismo de parcela não desprezível da população, saudosa do igualitarismo da fase do comunismo de guerra −, raiz, enfim, da dificuldade de avançar em direção à democracia socialista. Lições, aliás, inescapáveis se se quiser entender a evolução dos países socialistas que aí estão (China, Vietnã), empenhados na construção tanto de uma neo-NEP, com o objetivo maior de desenvolver as forças produtivas nacionais, quanto de todo um conjunto de regramento jurídico que só muito forçosamente pode ser interpretado como simples democratização formal. Uma evolução, diga-se, que em nada lembra a apostasia gorbachoviana − bem demonstrada no ensaio de Canfora −, como gostam de fazer crer não só os mais messiânicos no interior da esquerda, mas a própria direita, sempre pronta a decretar a morte do socialismo.
Marcos Aurélio da Silva é Prof. dos cursos de graduação e pós-graduação em Geografia
Concordo ipsis litteris com as idéias defendidas pelo Marcos.

UM RECADO DE DOMENICO LOSURDO AOS "COMUNISTAS"



" Uma última observação [aos neoleninistas]. Com a guerra contra a Líbia, perfilou-se numa nova divisão do trabalho no âmbito do imperialismo. As grandes potências coloniais tradicionais, como a Inglaterra e a França, valendo-se do decisivo apoio político e militar de Washington, centram-se no Oriente Médio e na África, ao passo que os Estados Unidos deslocam cada vez mais seu dispositivo militar para a Ásia. E assim voltamos à China. Depois de haver deixado para trás o século de humilhações que começou com as guerras do ópio, os dirigentes comunistas sabem que seria insensato e criminoso faltar pela segunda vez ao encontro com a revolução tecnológica e militar: enquanto liberta centenas de milhões de chineses da miséria e da fome a que os havia condenado o colonialismo, o poderoso desenvolvimento econômico do grande país asiático é também uma medida de defesa contra a agressividade permanente do imperialismo. Aqueles que, inclusive na "esquerda", se põem a reboque de Washington e Bruxelas na tarefa de difamação sistemática dos dirigentes chineses. demonstram que não se preocupam nem com a melhoria das condições de vida das massas populares nem com a causa da paz e da democracia nas relações internacionais. "

SOLIDARIEDADE A HUGO CHAVEZ

Brasileiros com Chávez, pela Venezuela e América Latina!
As eleições presidenciais na Venezuela em 7 de outubro serão decisivas para os rumos dos processos de mudanças na América Latina e balizarão a correlação de forças na região, com impacto em âmbito mundial.
Uma eventual derrota de Chávez significaria um grande retrocesso, a começar pelo próprio povo venezuelano, que poderia perder as conquistas políticas e sociais já asseguradas até aqui pelo processo bolivariano.
Para avaliarmos estas mudanças, basta constatar alguns fatos objetivos. A Venezuela é um dos raros países do mundo em que os trabalhadores conquistaram novos direitos, ao invés de perdê-los. No lugar de privatização, promovem-se grandes investimentos estatais na saúde, educação, habitação popular e serviços públicos. Foi o segundo país da América da América Latina a erradicar o analfabetismo, com a valiosa contribuição da pioneira Cuba.
Para confirmar os avanços sociais do governo Chávez, recente relatório da ONU aponta a Venezuela como o país da América Latina com menos desigualdade, obviamente depois de Cuba, que não entrou no relatório certamente para não revelar as virtudes do socialismo.
A Venezuela tem sido também o maior obstáculo aos objetivos hegemonistas dos Estados Unidos na América Latina e se tem colocado na defesa de todos os povos agredidos pelo imperialismo.
A derrota de Chávez traria prejuízos para outros povos, a começar pelo cubano, com quem a Venezuela hoje mantém estreitos laços de intercâmbio baseado na complementaridade e na solidariedade. Seria ainda uma ameaça para os processos de mudanças no Equador e na Bolívia e um fortalecimento da direita em todo o nosso continente, com reflexos até no Brasil.
Uma situação dramática vivem as forças populares colombianas, que lutam por uma solução política para o conflito interno, que têm origem em profundas injustiças sociais. E exatamente no momento em que emerge com força a Marcha Patriótica, o maior movimento de massas das últimas décadas na América Latina.
Nesse contexto, cabe a todas as forças progressistas e antiimperialistas expressar inequívoco apoio político militante à reeleição de Hugo Chávez, para que possam avançar as mudanças sociais na Venezuela e na América Latina, rumo ao socialismo.
Brasil, 4 de setembro de 2012
Nota do PCB