terça-feira, 20 de novembro de 2012

20 DE NOVEMBRO: ZUMBI RECOMENDA AS COTAS


Hoje ainda não temos muito que comemorar. Por que?
Porque desde 1553, ano em que os primeiros negros pisaram nas Terras de Santa Cruz, os negros tem sido contemplados com o mérito de cotas: as cotas da chibata, do pelourinho, do garrote, do tronco, dos suplícios, dos porões fétidos dos navios negreiros, do vale do barracão, do cambão, do analfabetismo, da miséria, da prostituição, do estupro e outras cotas por conta da cor da sua pele. Querem mais cotas?
Zumbi quer e exige, hoje no seu dia, a sua COTA DE DIREITO, sua COTA NAS UNIVERSIDADES; cotas que muitos racistas e escravocratas empedernidos ainda insistem em lhe negar.
Zumbí, recomenda cotas! Zumbi, a cota é sua!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

HITLER APLAUDE O GOVERNO DE ISRAEL



SOLIDARIEDADE COM O POVO DE GAZA
ABAIXO  À AGRESSÃO NAZI-SIONISTA!




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A NATUREZA OPRESSORA DOS IMPERIALISTAS


Europa imperialista

Os crimes cometidos e a bárbara opressão sobre os povos colonizados são parte integrante da natureza das potências imperialistas que estão por detrás do «projecto europeu».Recentemente , o presidente Hollande fez um tímido reconhecimento oficial (42 palavras) do massacre policial de centenas de argelinos em Paris, em 1961. O massacre não foi coisa menor: cerca de 30 mil argelinos exigiam nas ruas a independência da então colônia francesa. A polícia de Paris, sob a chefia de Maurice Papon respondeu com ferocidade: «entre 300 e 400 mortos por balas, à coronhada ou por afogamento no rio Sena, 2400 feridos, e 400 desaparecidos» (Algérie Patriotique, 17.10.12). Foi preciso mais de meio século para que a França oficial admitisse sequer que o massacre existiu. Mas nem 51 anos chegaram para que reconhecesse o número de vítimas, abrisse os ficheiros policiais ou apontasse responsáveis.  
Papon foi colaboracionista dos nazis durante a II Guerra Mundial e viria a ser condenado em 1998 por «cumplicidade em crimes contra a humanidade, tendo colaborado na deportação de judeus sob o regime de Vichy» (FranceInter, 17.10.12). Mas como em muitos outros países, a restauração burguesa e imperialista na França após 1947 foi feita com a pior escória fascista. Durante décadas Papon teve numerosos cargos oficiais. Em 8 de Fevereiro de 1962 participou noutro massacre de Estado em Paris: durante uma manifestação sindical contra o terrorismo fascista da OAS, nove membros da CGT e do PCF foram assassinados pela polícia na estação de metro de Charonne. Papon foi ministro sob os presidentes gaullistas Barre e Giscard d’Estaing (1978-81). E o massacre de 1961 passou em silêncio durante a presidência do socialista Mitterrand, ele próprio implicado na brutal repressão colonial na Argélia. Mitterrand era ministro da Justiça de França no início de 1957, quando o General Massu e os seus paraquedistas (imortalizados no filme de Gillo Pontecorvo, A Batalha de Argel) receberam plenos poderes policiais na capital argelina, desencadeando uma feroz repressão, com tortura e assassinatos, que esmagou temporariamente o movimento de libertação nacional argelino. O sangue de centenas de milhares de argelinos manchou as mãos de toda a classe dirigente francesa, antes que – fez este ano meio século – a Argélia conquistasse a sua independência.
Também neste último mês, do outro lado do Canal da Mancha, se confessou bárbaros crimes. Um tribunal de Londres reconheceu a três quenianos vítimas da ferocidade colonial, ao fim de seis décadas, o direito a apresentar (!) pedidos de indenização. Um deles foi castrado pelas autoridades coloniais (BBC, 5.10.12). Como informa a notícia, «milhares de pessoas foram mortas durante a revolta Mau Mau contra a dominação britânica do Quénia nos anos 50 e 60». O governo inglês recorreu da sentença e com um cinismo inexcedível «alegou que a responsabilidade de compensações por torturas infligidas pelas autoridades coloniais foi transferida para a República do Quénia após a independência em 1963». Escreve o Guardian (18.4.12): «milhares de documentos relatando alguns dos mais vergonhosos atos e crimes cometidos nos anos finais do Império britânico foram sistematicamente destruídos para impedir que caíssem nas mãos de governos pós-independência» e «os documentos que escaparam à destruição foram discretamente transferidos para a Grã Bretanha, onde ficaram escondidos durante 50 anos, num ficheiro secreto. do». Alguns documentos «pormenorizam a forma como suspeitos insurrectos foram espancados até à morte, queimados vivos, castrados […] e agrilhoados durante anos», enquanto «ministros e altos funcionários públicos tinham total conhecimento dos abusos e do assassinato horrendo e sistemático de detidos […] mas declaravam repetidamente ao público britânico que tal não estava a acontecer».
Há quem esteja surpreendido com o comportamento dos dirigentes  da UE. Mas esta sempre foi a natureza das potências imperialistas que estão por detrás do projeto europeu. Mas a UE reflete a natureza de classe do sistema imperialista que a gerou: criminoso, explorador, agressivo. Procura hoje novas colônias e tratará com elas tal como agiu no passado, se os povos deixarem.
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2033, 16.11.2012
Fonte: odiario.info

domingo, 18 de novembro de 2012

O DOMINIO DO TRÁFICO E DA BANDIDAGEM

É inadimissível o que está acontecendo em São Paulo, Rio de Janeiro e, agora, em Santa Catarina. Esses fatos nos remetem a concluir sobre o comprometimento, a conivência, das policias militares e civis com os marginais, com os meliantes, com os criminosos. São estrategistas empegar ladrão de galinha, matá-los indefesos; quando é para enfrentar bandidos da pesada ficam encagaçados! Engagaçados, omissos ou a serviço?! Onde está o Ministério da Defesa e a Policia Federal  que não agem com mão de ferro. Por que permitem que os bandidos tenham mais poder de fogo que o Exército Nacional, que ajam na mais absoluta tranquilidade e impunidade. E o nosso(?) Congresso Nacional, que está cheio de corruptos, por que não se manifesta? Será que os parlamentares tem rabo preso com a marginalia? Presidenta Dilma o Brasil pede e exigem uma intervenção já!

OS SILENCIOS DA MÍDIA "DEMOCRÁTICA"


Neste país, na mídia falada, impressa e televisada, só são prestigiados, só são reconhecidos os sabijos, os que dizem amém ao sistema; exemplo: o jornalista Arnaldo Jabor, ex-esquerdista(?), hoje ventriloquo da direitona, por isso é prestigiado na Rede Bôbo, também conhecida como Globo.

sábado, 17 de novembro de 2012

OS COMUNISTAS ASSASSINADOS PELA DITADURA


A ditadura militar no Brasil (1964-1985) e o massacre contra o PCB

por Milton Pinheiro [*]

Para Neide Alves Santos, comunista morta pela ditadura

 
Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais!
Não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus.
Juntai com paciência as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por vós.
Um belo dia, hoje será o passado, e falarão numa grande época e nos heróis anônimos que criaram a história.
Gostaria que todo mundo soubesse que não há heróis anônimos.
Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperanças,
e a dor do último entre os últimos não era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar.
Queria que todos esses vos fossem tão próximos como pessoas que tivésseis
Conhecido como membros da sua família, como vós mesmos.
Julius Fuchik
No dia quatro de novembro, a militância revolucionária brasileira compareceu à Alameda Casa Branca, em São Paulo, ao local onde foi assassinado o líder comunista Carlos Marighella, para prestar-lhe mais uma homenagem. É um ato coberto por um grande simbolismo, com a presença de históricos militantes da causa revolucionária no Brasil, mas também, com a presença daqueles que representam, nos dias atuais, a luta e o desejo da nossa classe em prosseguir fazendo história e perseverando na luta pela revolução socialista.

Marighella, heróico combatente contra a ditadura burgo-militar, tombou nesta data pela cilada covarde da repressão, em 1969. No entanto, não tombaram seus sonhos e ideias. Homens e mulheres, juventude aguerrida e trabalhadores, continuam em marcha para confeccionar no palmilhar do dia-a-dia, a esperança do mundo emancipado da exploração do homem pelo homem.

Mas, ao voltar-me para Carlos Marighella, nesta justa homenagem, desperto para a luta sem trégua dos seus camaradas do Partido Comunista Brasileiro (PCB), operador político no qual Marighella foi militante, parlamentar e dirigente durante 33 anos da sua vida, saindo dele, por divergência na forma de enfrentar a ditadura burgo-militar, dois anos antes de ser assassinado.

O ódio de classe exercitado pela burguesia durante todo o século XX contra o PCB foi levado às últimas consequências pela ditadura militar: eles prenderam, torturaram e mataram os militantes mais destacados de um operador político que teve seus erros no pré-1964, mas que resolveu articular uma ampla luta de massas contra a ditadura burgo-militar, e por isso pagou um gigantesco preço, que foi regado com sofrimento e sangue de seus militantes.

Logo no primeiro momento, quando se estabeleceram as trevas golpistas que cortaram as luzes da democracia em construção, no último dia de março de 1964, a burguesia e seu aparato militar/policial repressivo partiu para cima dos comunistas. Era a bota de chumbo pisando o sol da liberdade, começaram a ceifar as vidas da vanguarda comunista. E a primeira vítima foi o estivador e sindicalista, Antogildo Pascoal Viana (AM) , assassinado no dia 08 de abril de 1964, seguiram-se a ele, ainda em 1964, os seguintes camaradas: o operário eletricista e sindicalista Carlos Schirmer (MG) , no dia 1º de maio; Pedro Domiense de Oliveira (BA) , sindicalista e líder dos posseiros urbanos, assassinado no dia 07 de maio; Manuel Alves de Oliveira (SE) , militar assassinado no dia 08 de maio; o gráfico e sindicalista Newton Eduardo de Oliveira (PE) foi morto em 1º de setembro; o líder camponês João Alfredo Dias (PB) , conhecido como "nego fubá", sapateiro e ex-vereador, foi sacrificado pela repressão em 07 de setembro; ainda no dia da pátria, também foi assassinado o líder camponês e presidente das ligas camponesas de Sapé, Pedro Inácio de Araújo (PB) ; no dia 15 de novembro a ditadura matou o gráfico, Israel Tavares Roque (BA) e no final do ano de 1964 e/ou começo de 1965, o marítimo catarinense Divo Fernandes D'oliveira.

Ao todo, em 1964, a ditadura matou 29 militantes que lutavam contra o arbítrio, sendo nove do PCB. Esses dados podem não conter desaparecimentos e algumas mortes estranhas, não computadas diretamente à repressão. Mas, com certeza, em virtude da ação criminosa do estado ditatorial naquele momento.

Em 1965, a sanha assassina da ditadura matou o ex-militar, que havia participado das lutas dos tenentes com Luiz Carlos Prestes, Severino Elias de Melo (PB) . E em 10 de outubro de 1969, matou João Roberto Borges de Souza (PB) , que era líder estudantil e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes da Paraíba.

O recrudescimento da ditadura avançou após o AI-5 em 1968, uma parte importante da esquerda brasileira, rompida com o PCB, enfrentava as trevas de armas na mão, sofrendo o massacre da ditadura. O PCB, consciente da necessidade de colocar as massas no processo de resistência, desenvolvia seu trabalho.

No decorrer de 1971, o terror da ditadura matou muitos revolucionários. Novamente voltou a eliminar comunistas do PCB. Já no dia 02 de fevereiro era assassinado o sindicalista José Dalmo Guimarães Lins (AL) ; o ex-militar, ex-bancário e funcionário da Embratel Francisco da Chagas Pereira (PB) está desaparecido desde 05 de agosto; e o sapateiro comunista, organizador de trabalhadores do garimpo em Jacundá (PA), Epaminondas Gomes de Oliveira (MA) foi assassinado em 20 de agosto.

Em 1972 foram mortos pela repressão, o militante secundarista Ismael Silva de Jesus (GO) no dia 09 de agosto (torturado até a morte) e Célio Augusto Guedes (BA) , dentista de histórica família de comunistas baianos (irmão de Armênio Guedes), que trabalhou diretamente com Prestes e exerceu várias funções dentro do partido. Foi morto em 15 de agosto, sob tortura, após ser preso na fronteira do Brasil com o Uruguai.

O herói da segunda guerra José Mendes de Sá Roriz (CE) , líder dos combatentes, e que salvou da morte no campo de Batalha o marechal Cordeiro de Farias, teve seu filho e neta seqüestrados pelo Exército, que exigiam, sob tortura do filho, a prisão dele para liberar os reféns. O comunista se entregou ao marechal Cosme de Farias. No entanto, foi assassinado na mais cruel tortura no dia 17 de fevereiro de 1973.

Mas o pior ainda estava por vir. A ditadura fascista iria caçar os comunistas brasileiros, aprofundava-se em 1974 uma longa perseguição, planejada para liquidar o PCB, cuja política de resistência democrática se consolidava na frente ampla contra o regime. No começo do ano, em 19 de março, foram assassinados Davi Capistrano da Costa (CE) e José Roman (SP) . O primeiro era um importante dirigente comunista, militar, havia participado do levante de 1935, quando foi preso por sua participação. Fugiu de Ilha Grande e foi lutar, em 1936, na Espanha ao lado dos republicanos como brigadista internacionalista. Participou de forma heróica na batalha de Ebro, que ocorreu entre julho e outubro de 1938. Ainda em 1938, foi para a França onde lutou na resistência a ocupação do nazismo. Foi preso pelos nazistas e por ser estrangeiro, não foi executado no primeiro momento, mas foi levado para o campo de Gurs, na Alemanha hitlerista. Quando foi libertado pesava 35 quilos. Voltou ao Brasil, foi preso novamente em Ilha Grande, e com a democratização se elegeu deputado estadual por Pernambuco, em 1947. David Capistrano foi eleito para o CC no IV congresso em 1954. Com a instalação da ditadura saiu do Brasil e ao voltar, foi preso e assassinado.

O metalúrgico José Roman era um destacado militante operário, foi preso ao ir buscar David Capistrano em Uruguaiana.

O massacre continuava em 1974. O dia 03 de abril seria marcado por uma grande tragédia, foram mortos três heróis do povo brasileiro. O operário metalúrgico João Massena Melo (PE) foi preso em São Paulo e assassinado pela repressão. O dirigente metalúrgico foi vereador pelo Distrito Federal, em 1947, e deputado estadual pelo estado da Guanabara, em 1962. Era membro do CC do PCB e seu corpo continua desaparecido.

Nas mesmas condições também foi preso e morto Luiz Ignácio Maranhão Filho (RN) . Jornalista, deputado estadual eleito em 1958 pelo Rio Grande do Norte, visitou Cuba a convite de Fidel Castro, era membro do CC do PCB. O jornalista e dirigente comunista esteve preso em vários momentos da história republicana. E o oficial do Exército Walter de Souza Ribeiro (MG) , ativo militante das lutas pela paz, era membro do CC do PCB e atuava na estrutura interna do partido.

O professor de História, Afonso Henrique Martins Saldanha (PE) , foi morto em 08 de dezembro em virtude das torturas que sofreu na cadeia. Foi presidente do sindicato dos professores da cidade do Rio de Janeiro por dois mandatos, sendo cassado no segundo mandato, antes mesmo de tomar posse. Era um militante destacado das bandeiras comunistas no movimento docente.

No ano de 1975, a repressão seria mais violenta ainda com o PCB. Logo no dia 15 de janeiro, dois lutadores da causa dos trabalhadores são eliminados em São Paulo. Elson Costa (MG) , membro do CC do PCB e líder da greve dos caminhoneiros em Minas Gerais foi preso e assassinado, até hoje seu corpo continua desaparecido. E Hiran de Lima Pereira (RN) , preso e assassinado nas mesmas circunstâncias. Membro do CC do PCB foi importante quadro da vida pública, sendo secretário de Administração de Miguel Arraes na prefeitura de Recife. Em seguida, no dia 04 de fevereiro, era preso e assassinado no Rio de Janeiro, o jornalista e advogado Jayme Amorim de Miranda (AL) . Grande organizador das lutas operárias e de massas pelo Brasil, foi preso várias vezes e sofreu tentativa de homicídio. Esteve na URSS e exerceu intensa atividade na imprensa comunista, seu corpo até hoje não foi encontrado.

Em abril, foi preso e assassinado o líder camponês Nestor Veras (SP) . Organizador das lutas camponesas que teve intensa presença entre os trabalhadores sem terra, foi fundador e responsável pelo jornal Terra Livre e dirigente da ULTAB. Era membro do CC do PCB e seu corpo está desaparecido até hoje. No mês de maio, no dia 25, era preso e assassinado o operário da construção civil, Itair José Veloso (MG) . Líder operário foi primeiro sapateiro e depois passou a atuar na construção civil, sendo eleito dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, e foi eleito secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil. Itair Veloso esteve através de delegações sindicais na URSS e China. Membro do CC do PCB, seu corpo continua desaparecido.

No segundo semestre, em 07 agosto morria Alberto Aleixo (MG) em virtude da tortura. Estava preso desde janeiro e não resistiu aos maus tratos, foi um militante gráfico, sendo responsável pela gráfica do partido e exerceu uma longa jornada de trabalho na imprensa comunista. Era irmão do vice-presidente de Costa e Silva, Pedro Aleixo. No dia seguinte, 08 de agosto, era assassinado sob tortura o tenente da PM de São Paulo, José Ferreira de Almeida (SP) . Policial militar da reserva exercia uma intensa atividade na PM paulista e integrava o grupo interno de militares do PCB. No dia 18, ainda no mês de agosto, morria em virtude das torturas o coronel reformado da PM/SP, José Maximino de Andrade Netto (MG) , que havia sido cassado em 1964. O militante comunista foi preso em 11 de agosto de 1975 e sofreu intensa tortura, até morrer em um hospital de Campinas. Também fazia parte do coletivo de militares do partido.

A repressão continuava caçando o PCB. No dia 17 de setembro, o dirigente do partido no estado do Ceará, Pedro Jerônimo de Souza (CE) , comerciário que se encontrava preso desde 1975, foi morto sob tortura. Pouco tempo depois, no dia 29 de setembro era preso e assassinado o dirigente da juventude comunista, José Montenegro de Lima (CE) . Ativo dirigente estudantil, foi diretor da UNETI, contribuiu para formular as posições do PCB na área juvenil. Teve grande participação na articulação de organismos da juventude internacional no Brasil (FMJD). Seu corpo não foi localizado até hoje.

Quando chegou o mês de outubro a ditadura fez outra vítima, agora, o destacado dirigente comunista Orlando da Silva Rosa Bomfim Júnior (ES) . Foi preso e assassinado sob tortura no dia 08, seu corpo ainda não foi encontrado. Orlando Bomfim foi jornalista e advogado, tendo sido vereador do PCB por Belo Horizonte, em 1947. Era membro do CC e exerceu intensa atividade jornalística. Para fechar o ano de 1975, a repressão assassinou, sob tortura, Vladimir Herzog (Croácia) , no dia 25 de outubro. Herzog era professor da USP e jornalista, militante da base cultural do PCB em São Paulo, foi assassinado após se apresentar no DOI-CODI para prestar depoimento.

A ditadura dava sinais de exaustão, as eleições municipais de 1976 corriam risco de ser canceladas e a política do PCB começava a ser vitoriosa na ampla frente democrática. Mas a repressão ainda ceifaria as vidas de comunistas naquele ano. No dia 07 de janeiro era morta a militante comunista Neide Alves Santos (RJ) . Essa mulher de convicção profunda foi a única comunista, do PCB, morta pela ditadura. Era militante do setor de propaganda e atuava juntamente com Hiran de Lima Pereira. Ela havia sido presa em 06 de fevereiro de 1975 e encaminhada para DOI-CODI/SP e depois para o DOPS/RJ, foi encontrada morta em via pública com sevícias por todo o corpo. Dez dias depois da morte de Neide, era assassinado sob tortura, no dia 17, o operário metalúrgico Manoel Fiel Filho (AL) , que era responsável pela distribuição da Voz Operária nas fábricas da Mooca. Foi preso no dia 16, levado para o DOI-CODI/SP e assassinado em seguida.

No dia 29 de setembro, ainda em 1976, era assassinado sob tortura o operário Feliciano Eugênio Neto (MG) . Histórico militante comunista realizou tarefas com Maurício Grabois e Carlos Danielli, foi operário da CSN e vereador em Volta Redonda. Após ser cassado foi ser operário no ABC paulista. Era responsável pela distribuição da Voz Operária no estado de São Paulo, até ser preso em 02 de outubro de 1975.

Em 1977, o PCB teve seu último militante assassinado pela ditadura. No dia 30 de setembro era morto sob tortura, nas dependências da 1ª CIA da PE do Exército no Rio de Janeiro, o professor Lourenço Camelo de Mesquita (CE) . Ativista muito conhecido, exercia sua militância no comitê do partido na Estação Ferroviária da Leopoldina.

O PCB foi massacrado de 1973 a 1976 por uma operação realizada pelo Exército, tratava-se da "Operação Radar", que tinha como objetivo liquidar o histórico operador político dos comunistas brasileiros. Essa era uma das medidas impostas pela geopolítica arquitetada por Golbery do Couto e Silva, para flexibilizar a ordem política brasileira.

Foram 39 militantes assassinados, nas mais diversas modalidades, desde o primeiro momento do golpe até o começo da chamada "distensão" do regime militar. Para além dessas mortes, o PCB teve centenas de presos que passaram pela mais atroz tortura, sem falar nas dezenas de exilados que foram viver o desterro em várias partes do mundo.

Porque tanto ódio da burguesia a este partido? Talvez seja possível responder: o PCB luta ao lado da nossa classe, não tem nenhum acontecimento que diga respeito aos interesses dos trabalhadores na história do Brasil que não tenha tido a participação decidida dos comunistas. O sangue dos militantes do PCB tingiu de vermelho as bandeiras das lutas operárias de 1922 até 1977. A luta do PCB é pela revolução socialista no Brasil. Superados os equívocos da sua formulação, pois errou porque lutou, o PCB quer estar ao lado de todos aqueles que lutam pela emancipação humana na vanguarda da revolução brasileira. O ódio da burguesia é contra as ideias do socialismo e contra o partido que luta para operar essa tarefa histórica.

Vida longa aos heróis da revolução brasileira que tingiram com seu sangue a bandeira da liberdade.

São Paulo, 04 de novembro de 2012.
[*] Professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), diretor do Instituto Caio Prado Jr. (ICP), editor da revista Novos Temas e membro do CC do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

UM TESTEMUNHO SOBRE A VENEZUELA



VENEZUELA: UM POVO E SEU CORAÇÃO
Supriyo Chatterjee
Rebelion

Hoje falar  Venezuela é  convidar para  comentários sobre Hugo Chávez. O comandante, como seus seguidores o chamam, tem uma reputação que os atrae: é o líder um país perpetuo de um páis inundado de  petróleo, é o rei do culto da personalidade; Caracas, a capital, é também a capital mundial da insegurança; quer transformar a Venezuela em um país socialista e eliminar a propriedade privada é amigo dos presidentes que os EUA  desaprova. O governo dos EUA  faz de tudo para se livrar dele, mas o comandante exerce o direito de resposta ... uma vez, em um programa de televisão diretamente , chamou George W. Bush de "burro".

anos atrás que acompanho  o que está acontecendo na Venezuela e minha idéia deste país da América do Sul está longe do vox populi  mundial . As eleições presidenciais outubro deste ano deu-me a oportunidade de colocar a prova minhas impressões  pessoais. Meu vôo para Caracas estava cheio da oposição venezuelana, que foi para a Venezuela votar. Um jovem casal me contou sobre sua recusa em votar no consulado de Londres, porque "o  pessoal aí é chavista". Em seguida, outras pessoas disseram o  mesmo. Curiosamente, tratando-se  de uma suposta ditadura, os adversários  venezuelanos se expressam livremente diante de estranhos, seja em suas casas ou nas ruas. Taxistas e guias turísticos que se opõem a Chávez desligarm o rádio, quando  ouvem  a sua voz. .

Na casa de uma Senhora onde aluguei um quarto   observei que  filha mudou o canal de TV quando  Chávez apareceu na  tela. A mãe simpatiza com Chávez, mas prefiriu não dizer nada. A maioria dos principais jornais, as estações de televisão mais populares e praticamente todas   estações de rádio  estavam   contra Chavez. Os donos das empresas de comunicação – a mídia-  refletiam  o seu partidarismo e sua aduladora cobertura da campanha de Henrique Capriles, o jovem rival Chávez  Me sentia, cada vez , com mais difículdade  de entender como eles  encaixavam  as palavras "ditadura" e "restrições à liberdade de expressão" nesse contexto. Os detratores de Chávez pareciam  obcecados , especialmente ao conversar com estrangeiros. Tudo de bom na Venezuela sempre esteve lá, mas tudo que estava errado era  culpa de Chávez.

 Me diziam   que seus seguidores o haviam  abandonado e perderia  as eleições ... exatamente, a mesma coisa  que ouvia dos meios de comunicação privados. Afinal, Chávez venceu,  por larga margem, as  eleições e a oposição as reconheceu como um processo  livre e justo. Se ganhou, certamente teve apoio. Não foi difícil encontrar seguidores Chávez: multidão formada na pequena cidade de Mérida, onde passei a maior parte da  minha estadia, estavam entre os pescadores e das ilhas turísticas e eram ainda mais em Caracas, com suas chamativas  ​​camisetas e bonés vermelhos onde se  lêem as inscrições: " Chávez Coração do Povo “. Amor por seu comandante se sentia pessoal, algo intimoentre as pessoas e o presidente, sem intermediários, sem esperar nada em troca. Nunca algo parecido e se não tivesse estado  na Venezuela não poderia dar fé da  sua autenticidade. Não se trata de culto a personalidade imposta de cima, mas um novo tipo de religião latinoamericana que emerge de  baixo, entre os pobres. Para eles, Chávez é o Messias.

Esse  amor não é gratuíto. Desde que chegou ao poder há 13 anos, Chávez tem melhorado, consideravelmente,  a qualidade de vida dos pobres, setor que constitui a  maior parte da população. Vi centros de saúde em todas as cidades e aldeias que  visitei,  grandes ou pequenas, dotadas em sua maioria de talentosos médicos cubanos prestando  cuidados e medicamentos básicos, sem nenhum custo; mesmo nas comunidades andinas mais  remotas tinha novas áreas de lazer para os pequenos, as escolas  estaduais são limpas e grandes, e todas as crianças da escola primária recebem um computador  de graça chamado "canaimita".

A comida não é barata na Venezuela. A economia continua especulativa no dinheiro fácil do petróleo. A inflação é  alta, mas os pobres  podem,  ao menos, comprar alimentos em lojas subsídiadas  pelo Estado que podem
chegar a 80% do preço de mercado de produtos básicos , como farinha, óleo e açúcar. E agora o Estado começou a instalação de padarias e vender arepas, o tradicional alimento a base de milho do café da manhã  venezuelano. Estão sendo construidos milhares espaçosos  apartamentos em toda a  Venezuela. O plano é construir três milhões de casas nos próximos seis anos e centenas de milhares de pessoas já se mudaram para uma casa nova.

Além disso, o próprio Chávez está colocando  o poder nas mãos do povo. Por lei, os venezuelanos podem criar conselhos comunitários  em seu localidades. Em Mérida testemunhei de como  um  conselho  comunitário de pessoas de classe média  conseguiu parar a construção de novos blocos de torres, porque
a construtora  tinha danificado as estradas locais. Nem mesmo  o prefeito da cidade pode salvar a pele dos responsáveis. A  Venezuela de  Hugo Chávez, pretende utilizar  os  conselhos comunitários para formar comunidades que tenham  suas próprias empresas de propriedade coletiva, leis locais, moeda local e voz ante o Estado nacional. Essa é a nova realidade na Venezuela, mas o novo convive com o antigo. Vi muito pouca   pobreza extrema, mas demasiada riqueza obscena: novos centros comerciais  de luxo, restaurantes caros, aparelhos  eletrônicosdos mais  modernos e elegantes camionetas 4 X 4.. Os ricos e a classe média queixam-se do poder que agora os tem  marginalizados.
.
Por sua vez, eles se queixam da burocracia, corrupção e da arrogância de muitos de seus líderes locais. O que não  vi é uma sociedade intimidada pelo medo, que é o que se poderia esperar em uma tirania ou  num país dominado pelo crime. O venezuelano é um povo alegre que  bebe muito álcool  e gosta de tocar música alta em grandes aparelhos , odeia o cinto de segurança do carro, respeita as estradas ao conduzir seu veículo  e para na faixa de pedestres. Vi as pessoas expressar  suas opiniões em voz alta e claramente, manifestar  sua discordância  com a política e discutir o futuro do seu país. Apoiar revolução está muito arrasigada, mas o mesmo pode ser dito do ódio dos ricos e da classe média. Fui  testemunha do veneno que os meios privados  praticam  dia  após  dia contra o governo, mas não vi muita evidências de censura. Vi muitos soldados nas ruas, mas a maioria não portava armas e estavam  acompanhado de civis. Todos os dias, durante um mês,  vivi em um país multifacetado.

Na véspera de minha partida o país foi atingido  uma grande  tempestade tropical. Foi nos arredores de Caracas, na casa de  Tony, um dos meus  novos  amigos venezuelanos.

. Corremos para escapar da morte, mas a  avalanche, milagrosamente, parou  diante da casa em frente. Eu molhado  pedi  desculpas  para ir  e deixar a família em paz, mas Tony deu uma escancarada risada venezuelana.  "Amigo, a casa está de pé. Estamos vivos e há uma manhã. E se pomos música cantamos? É claro, a música não foi outra senão:  “Chávez Coração do Povo.”
Fonte: rebelion.org
Tradução e adaptação: Valdir Silveira