domingo, 20 de outubro de 2013

"AMERICA LATINA NA GEOPOLÍTICA DO IMPERIALISMO"

O sociólogo e politólogo argentino Atilio Boron, intelectual de imenso prestígio acaba de lançar um novo livro: America Latina en la geopolitica del imperialismo. Nos dias atuais em que a devastação capitalismo sobre o ser humano e o meio ambiente tem chegado a níveis desconhecidos na história, a reflexão sistemática sobre a geopolítica do imperialismo se faz mais urgente e necessária do que nunca. Segundo Boron " é sabido que o sistema internacional ´se encontra numa situação de crescente fluidez. Uma das principais teses que os leitores encontrarão neste livro é, precisamente, a que sustenta que os EUA enfrentam um lento, porém irreversível debilitamento de seu poder global. Este fenômeno, negado pelos apologistas imperiaise seus colonizados publicistas na periferia, não passa na mudança desapercebida pelos seus mais lúcidos intelectuais, sabedores estes que o sol não pode ser tapado com um dedo e que não bastam ardentes conclamações patrioteiras para reverter um processo de decadência que obedece a fatores estruturaise internacionais de enorme gravitação. 
A observação histórica confirma a existência de uma tendência há declinante longevidade dos impérios, mal ante o qual o americano não fica imune. Porém o mesmo registro destes processos demonstra também a imprudência de deixar-se tentar por prematuros triunfalismos toda a vez que é precisamente em sua faze de decadênciae decomposição que os impérios dão rédeas soltas a suas mais sanguinárias pulsações". Essas são palavra iniciais do prólogo do livro da Editorial Hiru.  

AS RECEITAS DO FMI

O FMI continua a aplicar as receitas que provocam motins de fome. Recentemente, na Espanha depois de haver proposto uma baixa nos salários que provocou uma reação imediata dos trabalhadores espanhóis, o FMI quer que se reduzam alguns produtos aos quais se aplicam tipos de reduções do IVA, o qual afetará produtos e serviços considerados básicos ou de primeira necessidade. Receita semelhante foi a que provocou os famosos motins de fome, chamados também de " motins FMI", no sul do planeta, quando o preço do pão e da gasolina subio repentinamente numa noite até preços inalcançáveis para a maioria da população. Entre outros exemplos, citamos o caso famosodo "Caracazo" naVenezuelaem 1989, quando aplicaram o Plano do FMI; ou do Perú em 1991, quando o preço do pão se multiplicou por 12 enquanto os salários começaram a baixar; de Zimbabwe em 2000; Argentina, Paraguay e Uruguay em 2001... A lista é longa, como o é a história do neocolonialismo econômico da instituição de Wasgington.
Sem dúvida, o FMI segue o mesmo caminho do austericídio que aplica no Sul, onde estas políticas estão fracassando há décadas.
Estas receitas são, religiosamente, aplicadas por governos títeres e traidores que insistem em aplicar o receituários dados pelos " médicos assassinos" do FMI a mando dos EUA. 

A ERA DOS MITOS

Vivemos na era do império mais poderoso do mundo: os EUA. Império do domínio econômico, político e militar. Vivemos também na era dos mitos:
- o mito da globalização neoliberal inexorável;
- o mito da históra;
- o mito da irreversibilidade de um pensamento único;
- o mito do fimda guerra fria;
- o mito do livre comércio;
- o mito da livre concorrência;
- o mito das igualdades de oportunidades entre ricos e pobres;
- o mito dos Direitos Humanos;
- o mito da democracia representativa, e, tantos outros.
Na verdade,todos essesmitos são falsos e estão muito longe de refletir a verdade que os povos vivem, em particular os do mundo subdesenvolvido.
Todos esses mitos são mitificados porque os EUA possuem 60% da rede mundial de comunicações e entre 50-80% de todos os filmes exibidos na Europa e em todo o mundo são norteamericanos; como eles produzem também 70% dos videos/Cds e DVDs que circulam mundo afora, Por isso é compreensível porque tanta gente acredite nas falsas ilusões proclamadas e defendidas pelo império.

IMPERIALISMO MILITARIZA A ÁFRICA



No Djibuti, demência totalmente militarizada

Andre Vltchek*(CounterPunch)
 
19.Out.13

No Djibuti foi instalada uma das principais estruturas da U.S. AFRICOM, a “Força combinada de intervenção do Corno de África” (CJTF-HOA). Uma das nações mais pobres e atrasadas do mundo, a sua posição estratégica para as ambições imperialistas em África e no Médio-Oriente tornou-a um país/base militar.


Imaginem um pequeno país, do tamanho de Massachusetts, sem solo arável ou cultivos permanentes, nem qualquer bosque. Por toda a parte um deserto rochoso, que vem diretamente ter ao mar.
Para “animar”, existe ali o ponto mais baixo da superfície terrestre em África (e o terceiro mais baixo na Terra); um espectral lago situado numa cratera chamado ‘Lago Assal’ (−155 m). E há inumeráveis formações rochosas, nuas, hostis e atemorizantes.
Este pequeníssimo país ocupa um dos lugares mais estratégicos da Terra, pelo menos do ponto de vista dos interesses geopolíticos do Ocidente. Está situado entre Somália, Etiópia e a frequentemente designada como a “Cuba africana”, a desafiadora Eritreia. A apenas 19 quilómetros do outro lado do ponto mais estreito do Mar Vermelho, confronta com a Península Arábica e Iémen.
A capital de Djibuti também se chama Djibuti. Nela vivem dois terços da população. Mas na realidade toda a área ao redor da capital é uma imensa dispersão de bases militares ocidentais, bem como de inumeráveis instalações que as servem.
Há barracões construídos para legionários franceses, uma base naval francesa, uma base militar estadounidense e um enorme aeroporto militar para as forças aéreas ocidentais e aliadas, usado por países que ficam tão distantes de África como Japão e Singapura.
Entretanto, o lixo salpica o deserto desde a fronteira com a “Somalilandia” até ao centro da cidade. A omnipresente presença militar ocidental não parece ter quase nenhum impacto positivo no país; Djibuti tem um dos mais baixos IDH (Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD) do mundo: a posição 151 entre os 178 países estudados. Mais de metade da população está desempregada e cerca de metade é analfabeta. A esperança de vida média no Djibuti é de 43 anos.
É um mundo brutal, militarizado, agressivo e definitivamente não está em paz consigo mesmo. Um pequeno país muçulmano, com um milhão de habitantes aproximadamente, que tem durante anos vivido basicamente de ser uma espécie de estação de serviço para legiões estrangeiras e tropas de combate regulares. A única coisa que lhe trouxe reconhecimento é que permite que os estrangeiros controlem o Mar Vermelho, que está à porta de Somália e Iémen, que ajuda a manter a pressão sobre a Eritreia e a vigiar a Etiópia.
Tecnicamente, Djibuti obteve a independência da França em 1977, mas na prática continua a estar totalmente sob a esfera de influência francesa e ocidental.
Segundo o relatório do Departamento de Estado dos EUA de 21 de Agosto de 2013:
“Djibuti está situado num ponto estratégico do Corno de África e é um parceiro chave dos EUA para a segurança, estabilidade regional e esforços humanitários no grande Corno. O Governo de Djibuti tem apoiado os interesses dos EUA e adopta uma posição proativa contra o terrorismo. O Djibuti alberga uma presença militar estado-unidense em Camp Lemonnier, uma antiga base da Legião Estrangeira francesa na capital(1). O Djibuti permitiu também que os militares dos EUA, bem como outros militares presentes em Djibuti, tenham acesso às suas instalações portuárias e ao aeroporto.”
Djibuti é um lugar em que miseráveis carroças puxadas por seres humanos se podem ver ao lado de veículos e equipamento militar descartado, no meio do deserto. É o sítio em que no Hotel Sheraton observei a sala de pequeno-almoço repleta de soldados alemães uniformizados e cozinheiros militares servindo-lhes comida.
É um país com uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, onde muitas mulheres sofrem ainda o horror da mutilação genital. ¡Um lugar apropriado para nós! ¡Um bom aliado! ¡Um bom Estado cliente!
Quando abandonava o país, com o avião de Kenyan Airways esperando na pista de aterragem, o meu passaporte e o cartão de embarque foram controlados em várias ocasiões. Antes da saída tudo se tornou ridículo: enquanto dois funcionários, uno uniformizado e o outro vestido à civil, vigiavam a uma distância de apenas um metro entre eles.
“¿Ainda tenho mais disto à minha espera?” perguntei sarcasticamente.
Um soldado de quase dois metros de altura saltou-me imediatamente em cima. Lançou-me com a minha máquina fotográfica contra um muro  e destruiu as objetivas, tudo em plena vista dos demais passageiros e da tripulação queniana. Tratei de me defender.
“Pare e caminhe para o avião… Deixe-se estar tranquilo… Ou matam-no”, murmurou um homem à civil. Não faço ideia de quem era, mas provavelmente salvou-me a vida.
Não há outro lugar na Terra como Djibuti. ¡ Graças a Deus que assim seja!
*Andre Vltchek (http://andrevltchek.weebly.com/ ) é novelista, cineasta e jornalista de investigação. Tem feito a cobertura de guerras e conflitos em dezenas de países. O seu livro sobre o imperialismo ocidental no Sul do Pacífico intitula-se Oceânia e está à venda em http://www.amazon.com/Oceania-André-Vltchek/dp/1409298035 . O seu livro sobre a Indonésia post Suharto e seu modelo fundamentalista de mercado intitula-se Indonésia: The Archipelago of Fear,
http://www.plutobooks.com/display.asp?K=9780745331997 . Recentemente produziu e dirigiu o documentário de 160 minutos Rwandan Gambit sobre o regime pró ocidental de Paul Kagame e o seu saque da República Democrática do Congo, e One Flew Over Dadaab sobre o maior campo de refugiados do mundo.
Fonte: http://www.counterpunch.org/2013/10/04/total-militarized-lunacy/

1- No Djibuti foi instalada uma das principais estruturas da U.S. AFRICOM, a “Força combinada de intervenção do Corno de África” (CJTF-HOA):
«Combined Joint Task Force-Horn of Africa (CJTF-HOA) - In the Horn of Africa, CJTF-HOA is the U.S. Africa Command organization that conducts operations in the region to enhance partner nation capacity, promote regional security and stability, dissuade conflict, and protect U.S. and coalition interests. CJTF-HOA is critical to U.S. AFRICOM’s efforts to build partner capacity to counter violent extremists and address other regional security partnerships. CJTF-HOA, with approximately 2,000 personnel assigned, is headquartered at Camp Lemonnier in Djibouti. [ http://www.africom.mil/about-the-command ] » (N.Ed)

OS RESULTADOS DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS

Aqueles que são contra o Programa Mais Médicos, por ignorância, interesses inconfessáveis ou má-fé, devem estar mordendo da lingua de raiva. As primeiras avaliações feitas pelo Ministério da Saúde, durante o PRIMEIRO MÊS PROGRAMA, dizem que "cerca 3,6 milhões de brasileiros receberam atendimento, e 360 mil consultasmédicas foram realizadas pelos profissionais do programa".  Segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a  estatística " mostra que o que estava faltando era exatamente um médico nas unidades".
Eis um Programa que vai dar certo independentemente dos mercenários, dos mercadores da saúde que usam a mídia - porque as pagam- para fazer campanha contra. Infelizmente alguns partidos que se dizem de esquerda e até comunistas estão boicotando o programa só porque tem divergências com Lula, Dilma e o PT. Pura burriçe! Como conquistarão aliados para suas causas, os trabalhadores, se não apoiam medidas que ajudam as classes trabalhadoras? Como diz  um velho amigo: " estão olhando a questão social com o binóculo invertido!".

sábado, 19 de outubro de 2013

A MOSANTO NA ARGENTINA


¿Es posible derrotar a Monsanto?



Una de las mayores multinacionales del mundo está siendo asediada por diversos movimientos y múltiples acciones, programadas y espontáneas, a través de denuncias, movilizaciones de todo tipo que convergen contra una empresa que representa un serio peligro para la salud de la humanidad. Constatar la variedad de iniciativas existentes y aprender de ellas puede ser un modo de comprender un movimiento de nuevo tipo, transfronterizo, capaz de articular activistas de todo el mundo en actividades concretas.
El campamento en las puertas de la planta de semillas que Monsanto está levantando en Malvinas Argentinas, a 14 kilómetros de Córdoba, es uno de los mejores ejemplos de la movilización en curso. La multinacional planifica instalar 240 silos de semillas de maíz transgénico con el objetivo de llegar a 3.5 millones de hectáreas sembradas. La planta usará millones de litros de agroquímicos para el curado de semillas y una parte de los efluentes se liberarán al suelo y al agua, provocando un grave perjuicio, como sostiene Medardo Ávila Vázquez de la Red de Médicos de Pueblos Fumigados.
El movimiento contra Monsanto consiguió victorias en Ituzaingó, un barrio de Córdoba cercano al lugar donde se pretende instalar la planta de semillas de maíz. Allí nacieron una década atrás las Madres de Ituzaingó que descubrieron que 80 por ciento de los niños del barrio tienen agroquímicos en la sangre y que es una de las causas de las muertes y malformaciones de sus familiares. En 2012 ganaron por primera vez un juicio contra un productor y un fumigador condenados a tres años de prisión condicional sin cárcel.
El campamento en Malvinas Argentinas ya lleva un mes, sostenido por la Asamblea de Vecinos Malvinas Lucha por la Vida. Consiguieron ganar el apoyo de buena parte de la población: según encuestas oficiales 87 por ciento de la población quiere una consulta popular y 58 por ciento rechaza la instalación de la multinacional, pero 73 por ciento tiene miedo de opinar en contra de Monsanto por temor a salir perjudicado (Página 12, 19/09/13).
Los acampantes resistieron un intento de desalojo del sindicato de la construcción (UOCRA) adherido a la CGT, el acoso policial y de las autoridades provinciales, aunque cuentan con el apoyo del alcalde, sindicatos y organizaciones sociales. Recibieron apoyo del Nobel de la Paz, Adolfo Pérez Esquivel, y de Nora Cortiñas, de Madres de Plaza de Mayo. Consiguieron paralizar la construcción de la planta al impedir el ingreso de camiones.
El asedio a Monsanto llegó hasta un pequeño pueblo turístico del sur de Chile, Pucón, en el lago Villarrica, donde 90 ejecutivos de la trasnacional provenientes de Estados Unidos, Argentina, Brasil y Chile llegaron hasta un lujoso hotel para realizar una convención. Grupos ambientalistas, cooperativas y colectivos mapuche de Villarrica y Pucón se dedican estos días a escrachar la presencia de Monsanto en el país ( El Clarín, 13/10/13).
Son apenas dos de las muchas acciones que se suceden en toda la región latinoamericana. A mi modo de ver, las variadas movilizaciones en más de 40 países nos permiten sacar algunas conclusiones, desde el punto de vista del activismo antisistémico:
En primer lugar, las acciones masivas en las que participen decenas de miles son importantes, pues permiten mostrar al conjunto de la población que la oposición a empresas como Monsanto, y por tanto a los transgénicos, no es cuestión de minorías críticas. En este sentido, jornadas mundiales, como la del 12 de octubre, son imprescindibles.
Las movilizaciones de pequeños grupos, decenas o cientos de personas, como las que suceden en Pucón y en Malvinas Argentinas, así como en varios empendimientos mineros en la cordillera andina, son tan necesarias como las grandes manifestaciones. Por un lado, es un modo de estar presentes en los medios de forma permanente. Por encima todo, es el mejor camino para forjar militantes, asediar a las multinacionales y difundir críticas a todas sus iniciativas empresariales.
Es en los pequeños grupos donde suele aflorar el ingenio y en su seno nacen las nuevas formas de hacer capaces de innovar la cultura política y los métodos de protesta. Allí es donde pueden nacer vínculos comunitarios, vínculos fuertes entre personas, tan necesarios para profundizar la lucha. Después de un mes acampando en Malvinas Argentinas, los manifestantes comenzaron a levantar paredes de adobe, construyeron un horno de barro y armaron una huerta orgánica a la vera de la ruta (Día a Día de Córdoba, 13 de octubre de 2013).
En tercer lugar, es fundamental sustentar las denuncias con argumentos científicos y, si fuera posible, involucrar autoridades en la materia. El caso del biólogo argentino Raúl Montenegro, premio Nobel Alternativo en 2004 (Right Livelihood Award), quien se comprometió con la causa contra Monsanto y con las Madres de Ituzaingó, muestra que el compromiso de los científicos es tan necesario como posible.
La cuarta cuestión es la importancia de las opiniones de la gente común, difundir sus creencias y sentimientos sobre los transgénicos (o cualquier iniciativa del modelo extractivo). La subjetividad de las personas suele mostrar rasgos que no contemplan los más rigurosos estudios académicos, pero sus opiniones son tan importantes como aquellos.
Por último, creo que es necesario poner en la mira no sólo a una multinacional como Monsanto, una de las más terribles de las muchas que operan en el mundo. En realidad, ésta es apenas la parte más visible de un modelo de acumulación y desarrollo que llamamos extractivismo y que gira en torna a la expropiación de los bienes comunes y la conversión de la naturaleza en mercancía. En este sentido, es importante destacar lo que hay en común entre los monocultivos transgénicos, la minería y la especulación inmobiliaria que es el modo que asume el extractivismo en las ciudades. Si derrotamos a Monsanto, podemos vencer a las otras multinacionales.
Fuente: http://www.jornada.unam.mx/2013/10/18/index.php?section=opinion&article=024a1pol

LEI DE ANISTIA PODERÁ SER REVISTA


Em parecer Procurador Geral reabre debate sobre Lei de Anistia. Eis abaixo publicação da Agencia  Brasil.

Rodrigo Janot, ao se manifestar sobre extradição de ex-policial argentino, vê crimes de tortura e morte como imprescritíveis; é a 1ª vez que MP se manifesta dessa forma
O novo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acaba de sinalizar importante mudança na interpretação da Lei da Anistia de 1979. Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a extradição de um ex-policial argentino, o ocupante do mais alto cargo do Ministério Público Federal observa que a anistia brasileira deve se submeter às convenções internacionais que tratam do assunto e das quais o Brasil é signatário. De acordo com tais convenções, os chamados crimes contra a humanidade, como a tortura e a morte de opositores políticos, são imprescritíveis.
 Comissão da Verdade vai propor nova interpretação da Lei da Anistia
Novo procurador-geral sinaliza importante mudança na interpretação da Lei da Anistia
Isso significa que, ao contrário da interpretação em vigor no Brasil, militares e agentes policiais que violaram direitos humanos na ditadura, entre 1964 e 1985, não podem ser beneficiados pela Lei da Anistia. É a primeira vez que o MPF se manifesta desta maneira sobre a questão. Em sua manifestação, Janot até lembra a decisão do STF. Mas observa em seguida que "ainda não passou em julgado”. De fato, ainda estão pendentes os embargos de declaração apresentados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), autora da ação original, favorável à punição de agentes dos agentes do Estado.
Na avaliação do advogado Henrique Mariano, presidente da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça do Conselho Federal da OAB, a manifestação de Janot vai influir na análise dos embargos de declaração sobre a decisão adotada pelo STF em 2010, segundo a qual a anistia teria beneficiado também agentes de Estado acusados de violarem direitos humanos.
 “Essa manifestação reforça os argumentos apresentados pela OAB, de que os crimes de lesa humanidade são imprescritíveis e não podem ser anistiados", diz Mariano. "A partir de agora vamos recomeçar o trabalho em torno da questão. Vamos conversar com o procurador-geral e com os novos ministros do Supremo, que não participaram do julgamento anterior. Um deles é o Luís Roberto Barroso, o mais novo da corte."
A manifestação de Janot também repercutiu na Comissão Nacional da Verdade. A advogada criminalista Rosa Cardoso, integrante do grupo nomeado pela presidente Dilma Rousseff, qualificou a iniciativa como um avanço no debate. Na avaliação dela, o principal argumento apresentado no documento é o que trata da necessidade de respeito aos pactos internacionais firmados pelo Brasil. "De acordo com esses pactos, os crimes de lesa humanidade são imprescritíveis", diz Rosa. "Ele foi além da fundamentação anterior do Ministério Público, que se referia apenas aos chamados crimes permanentes, que não se consumaram e não podem ser anistiados, como o sequestro e o desaparecimento forçado de opositores políticos. A fundamentação agora é mais ampla, trata de crimes de lesa humanidade, afirmando que são imprescritíveis."
Um dos argumentos contrários a essa tese apresentados no STF é o de que o entendimento da Corte Interamericana sobre a imprescritibilidade dos crimes é posterior à Lei da Anistia aprovada no Brasil.
Com Agência Estado