domingo, 16 de outubro de 2011

REFLEXÃO SOBRE O DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

Fome de alimento e de estabilidade
José Graziano da Silva(*)


Raras vezes  o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro) tem sido celebrado  num ambiente de tamanha incerteza.
Os mais altos níveis de volatilidade dos preços agrícolas nas últimas décadas e a velocidade das flutuações ameaçam produtores e consumidores.

O índice dos preços dos alimentos da FAO tem sido de acentuadas altas e baixas desde 2006, quando um aumento constante empurrou os preços para um recorde histórico de alta em meados de 2008. Os preços caíram fortemente no segundo semestre, mas no ano seguinte retomou um movimento ascendente, que se agravou em 2010, para alcançar um novo nível nunca antes visto. É onde nos encontramos agora.

Quando os preços mudam em direções opostas com igual força em pouco tempo, é muito difícil não cometer  erros no cálculo das operações agrícolas. Isso pode ocorrer tanto de um superávit de plantio como de investivemtnos  insuficientes.

Neste clima de incerteza a fome também ameaça invadir o lar de milhões de famílias que vivem em uma corda bamba, às vezes acima e, por vezes abaixo da linha da pobreza.

Quase um em cada sete pessoas no mundo passam fome no século XXI. Quase 80 por cento da humanidade vive com menos de dez dólares por dia.

O último  relatório da FAO sobre a situação da fome no mundo (http://www.fao.org/publications/sofi/es/) indica que a retomada dos investimentos na agricultura e segurança alimentar nos países pobres e em desenvolvimento é requisito para garantir o bem-estar de bilhões de pessoas num  ambiente de altos preços altos e de persistente  volatilidade.

A promoção da agricultura familiar e recuperação de alimentos tradicionais são estratégias que reduzam a dependência de mercados voláteis, geram renda e emprego bem como  proporcionam uma diversificação de dieta saudável.

O complemento deste apoio a produção é  o fortalecimento de redes de segurança social, uma forma de assistência imediata às famílias vulneráveis
​​que podem estimular os mercados locais.


Onde há fome no campo, as comunidades rurais estão oprimidas  economicamente, como um campo seco sem água. Políticas de transferência de renda atuam como chuva nesta terra seca, permitindo que voltem a florescer.

Plantar, colher e comer é o que faz girar a roda da economia de milhões de pequenas comunidades no planeta.
Conduzida a uma escala maior - e junto com crédito, assistência técnica e garantia de mercados-  esse foco não só responde à urgência da fome, mas também pode ser uma força motriz para superar a crise e promover o desenvolvimento dos países.

Não podemos perceber esse esforço como algo desconectado da crise, mas como um elemento que pode reunir governos, sociedade civil e iniciativa privada e dar coerência à reorganização mundialo,  social e produtiva  exigidas pela crise.
(*)Representante Regional da FAO para América Latina e  Caribe

Fonte: rebeion.org

Tradução e adaptação: Valdir Izidoro Silveira
  

Sem comentários:

Enviar um comentário