terça-feira, 29 de novembro de 2011

LIBIA: A OPINIÃO DE UM COMENTARISTA CONSERVADOR

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ANO 117 Nº 58 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 27 DE NOVEMBRO DE 2011

A Líbia pós-Kadhafi

<br /><b>Crédito: </b> Arte JOÃO LUIS XAVIER
 
Será mesmo que a vida na Líbia de Kadhafi era insuportável e o povo vivia sufocado em seus direitos civis? Os novos dirigentes do país já anunciam que a nova Constituição terá como base a Sharia, a lei islâmica fundamentada no Alcorão. "Nós, como nação muçulmana, teremos a Sharia como fonte de nossa legislação. Daqui para frente, toda lei que entrar em conflito com os princípios do Islã será declarada legalmente nula", disse Mustafá Abdeljalil, presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), ex-ministro da Justiça de Muammar Kadhafi. Ou seja, um homem de confiança do ditador não hesitou em passar para o outro lado, tão logo o movimento rebelde tornou-se vencedor da revolução. As mulheres líbias que se preparem para uma nova vida caso se confirmem as palavras de Adbeljalil. Na Era Kadhafi, as mulheres tinham liberdade para dirigir seus automóveis, casavam com homens que amavam, havia divórcio e elas podiam exercer suas atividades profissionais, tais como advogadas, engenheiras, cientistas, jornalistas, funcionárias públicas e militares. Na maioria dos países árabes o lugar das mulheres é em casa, cobertas com seus trajes medievais, esperando a vez de uma escolha matrimonial sem qualquer chance de discordância com relação ao seu futuro marido. O novo governo líbio vai garantir os direitos dos cidadãos líbios conquistados com Kadhafi? A revista suíça Schweiz Magazin publicou logo após a queda de Kadhafi uma relação das "crueldades" que ele cometeu contra o seu povo. Com ironia, a revista aponta "os sofrimentos" do povo líbio com Kadhafi. Os jovens recém-casados recebiam do governo 50 mil dólares para a compra da casa própria e para dar início à vida familiar. Aliás, a casa própria na Líbia de Kadhafi era considerada como direito humano e universal. Não havia conta de luz na Líbia porque a eletricidade era gratuita para todos. Os bancos estatais não cobravam juros, por força de uma lei expressa. Educação e saúde eram rigorosamente gratuitas. Na compra do primeiro automóvel, o Estado oferecia uma subvenção de 50%. Os mesmos líbios que empunharam armas para derrubar Kadhafi ainda estão em dúvida se os seus direitos serão mantidos. As mulheres mais ainda.

Educação

Foi Kadhafi quem instituiu o ensino gratuito em todos os níveis, assim como a saúde pública. O cidadão líbio que não conseguia chegar à universidade desejada ou ter um tratamento médico-hospitalar adequado recebia um financiamento para buscar seus objetivos no exterior, além de um valor fixo de 2.300 dólares para moradia e transporte. A Líbia tem 25% de sua população com formação universitária.

Seguro-emprego

Se um jovem líbio concluísse o curso universitário ou técnico-profissional e não encontrasse colocação no mercado de trabalho, o governo pagava-lhe o salário médio da categoria ao qual ele iria pertencer, até ele encontrar uma vaga na sua atividade profissional.

Proteção estatal

O Estado líbio planejado por Kadhafi incentivava o jovem agricultor a permanecer na sua aldeia dando-lhe terra, casa, equipamentos agrícolas, sementes e gado, sem qualquer custo. Antes de Kadhafi cair, o litro de gasolina custava o equivalente a R$ 0,23 (10 centavos de euro).

Economia

A Líbia é (ainda) o país africano com o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), bem acima do Brasil. Sem dívida externa, o país tem (ou tinha) reservas estimadas em 150 bilhões de dólares. O auxílio-natalidade na Líbia é de 5 mil dólares, por filho nascido. Os líbios tinham bonificação sobre a venda de petróleo, a qual era creditada diretamente na conta de cada cidadão. Fica a dúvida: a Otan e os novos dirigentes líbios irão manter esses direitos conquistados no governo de Kadhafi?

Rogério Mendelski

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