domingo, 23 de junho de 2013

UMA ANÁLISE PARA REFLEXÃO DO PT



 O FIM DA REVOLUÇÃO  PASSIVA NO  BRASIL
Massimo Modonesi(*)
A experiência brasileira dos últimos dez anos de governos progressistas (dois de Lula e Dilma presente) tem sido caracterizada por aquilo que Gramsci chamou de revolução passiva: um processo de modernização conduzido de cima, que incorpora parcialmente as demandas dos de baixo e
, assim, garantir a sua passividade, o seu silêncio, além  da sua cumplicidade.
A partir desta fórmula,  aparentemente contraditória, podemos entender como foi construido  no Brasil um equilíbrio precário , mas surpreendentemente eficaz e durável que alem disso, sempre seguindo as idéias de Gramsci, se apoiou num cesarismo progressivo (a presença de uma figura carismática que catalisou e canalizou a
tensões e encarnou o paternalismo assistencialista) e o transformismo (o deslocamentos de líderes progressistas do movimento popular às posições conservadoras em postos de instituições estatais).
Então, o que é surpreendente na história recente deste país não é a súbita erupção de protestos, mas a sua ausência em anos anteriores. Na verdade, depois dos grandes elogios que recebiamos governantes brasileiros pelo alto crescimento econômico, a inclusão das políticas sociais e o surgimento impressionante de um consumidor de classe média no Brasil; foi a inveja e admiração por um modelo de governança,  de controle social e político baseado no assistencialismo  e da mediação de um partido, o PT e um sindicato-a CUT-com raízes na massa , garantindo o mínimo de custos, em termos de repressão e criminalização do protesto. As frentes de resistência à hegemonia lulista edifício existiram e existem tanto na direita como  na esquerda, mas foram contidas  e foram relativamente marginalizadas, incluindo o MST, que manteve uma atitude cautelosa de retiro e com a exceção de alguns conflitos importantes, mas isolados (tais como greves universitárias e as lutas dos indíos em defesa do território).

Os protestos dos últimos dias são, então, inevitavelmente, algo que estava a surgir nas fissuras ou esgotamento do processo da revolução passiva.  A fissuras são os desencontros que geram as desigualdades que continuam marcando a sociedade brasileira, as lacunas que separam as classes sociais  num contexto da modernização capitalista no qual aumenta o tamanho da pizza(do bolo)  são distribuídas fatias crescentes, mas proporcionalmente se  acumulam riquezas  e são gerados poderes políticos e sociais que se apoderam dos  circuitos produtivos, das instituições públicas e dos aparelhos ideológicos.
O paradoxo dos governos do Partido dos Trabalhadores é que geraram processos de oligarquização gerados em vez de democratizar a riqueza e abrir espaços de participação , espaços que no passado serviram para  o PT surgir  e chegar a ganhar eleições. O esgotamento está relacionado ao desgaste fisiológico após dez anos de governo, mas especialmente com a perda de impulsos progressistas e o aumento significativo das  características conservadoras  na coalizão social e política liderada por Lula e que se mantém no governo Dilma .
Não surpreende, que o protesto assuma formas difusas e seja  guiado principalmente por jovens rotulados como de classe média . A conformação das classes populares no Brasil atual inclui este  setor da juventude que surge,  em meio da relativa mobilidade social  da última década, das condições de  pobreza para níveis de consumo e de ensino superior, mas sem se desvincular da sua colocação no campo das  classes  trabalhadoras – manuais e não manuais -   das  quais esses jovens são filhos e para as quais tendem, inevitavelmente,  aos padrões do crescimento dependente brasileiro. As formas difusas correspondem tanto  à rejeição aos partidos e sindicatos como a construção  incipiente de novas culturas políticas, especialmente a dos chamados indignados quereune  uma série de identidades, reivindicações e diversas formas de lutas que   não estão  articuladas, mas se  manifestam  em todo o mundo de maneira dispersa, mas recorrente e forte.

Com estas manifestações começa o fim da  revolução passiva brasileira. A mobilização levanta o véu e mostra a realidade contraditória e as misérias ocultas  pelo  mito do milagre brasileiro, que já havia funcionado  há décadas e que reapareceu nos últimos anos. Por outro lado, a  passividade sobre a qual se erigia a  hegemonia lulista se dissolve nas ruas. Poderam  voltar para casa, poderá voltar a calma nas ruas e as pesquisas  mostrar o consenso sobre o modelo petista , mas a visibilidade que se alcança uma vez dissipado  o gás lacrimogêneo é sempre mais  reveladora e permanece gravada na memória de uma geração .
(*)Fonte: rebelion.org
massimomodonesi.com
O texto do Massimo Modonesi nos remete a fazer um desafio a militância petista,enfim ao PT, para que desçam do pedestal e venham conversar com os outros partidos de esquerda, com os movimentos populares dos quais se distanciaram ao chegarem ao governo de coalizão, para corrigir os rumos daspolíticas que estão sendo postas em práticas. Se não o fizerem correm o risco de serem pisoteados pelos que os elegeram e o que  é pior, comandados pela direita que nos perseguirá mais uma vez. Nós não queremos mais ditaduras! Que o PT não seja o culpado por mais um fracasso das esquerdas!

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